CNBC
Edifício do Departamento do Tesouro dos EUA

CNBCMercado de títulos acende alerta sobre Irã; veterano da geopolítica energética vê risco crescente para economia dos EUA

Mundo

Mercado de títulos acende alerta sobre Irã; veterano da geopolítica energética vê risco crescente para economia dos EUA

Publicado 17/05/2026 • 08:50 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Ex-assessor de segurança nacional dos EUA Daleep Singh afirma que o conflito com o Irã pode manter pressão estrutural sobre inflação e juros.
  • Ex-assessor de segurança nacional dos EUA Daleep Singh afirma que o conflito com o Irã pode manter pressão estrutural sobre inflação e juros.
  • Singh avalia que petróleo deve permanecer entre US$ 80 e US$ 100 por barril e alerta para risco de crise prolongada no mercado de dívida.
Edifício do Departamento do Tesouro dos EUA

Edifício do Departamento do Tesouro dos EUA

Carol M. Highsmith - Library of Congress

Nem pense agora, mas o impacto dos preços elevados da energia pode atingir os americanos duas vezes.

Sem perspectiva de fim para a guerra no Irã e com o petróleo acima de US$ 100 por barril, investidores preocupados com a inflação passaram a vender títulos públicos de longo prazo nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas nos últimos dias. Isso elevou os rendimentos desses papéis, incluindo o Treasury de 10 anos, referência global, que subiu quase 24 pontos-base na última semana e encerrou a sexta-feira perto de 4,6%.

O rendimento do Treasury de 10 anos influencia diretamente os custos de hipotecas, financiamentos de automóveis, cartões de crédito e outras dívidas ao consumidor. Diferentemente da taxa básica de juros, ele é definido pelo mercado, e não pelo Federal Reserve.

Para entender o que acontece na interseção entre geopolítica, energia e dívida global, a CNBC entrevistou Daleep Singh, vice-presidente e economista-chefe global da gestora PGIM. Singh atuou como vice-assessor de Segurança Nacional no governo Joe Biden e participou da estratégia econômica voltada a reduzir as receitas petrolíferas da Rússia. Antes disso, comandou a mesa de mercados do Federal Reserve de Nova York.

Leia:

CNBC: Como você avalia Kevin Warsh na presidência do Fed?

Daleep Singh — Estou otimista em relação ao Kevin Warsh. O trabalho intelectual dele sempre esteve centrado em preservar o ativo mais importante do Fed, que é sua credibilidade. Isso é essencial em um momento em que o banco central sofre forte pressão política.

Também é muito importante ter alguém testado em crises no comando do Fed. Warsh passou pela crise financeira global. Ele foi visto como os olhos e ouvidos do Fed em Wall Street durante aquele período.

As pessoas que o tratam apenas como um nome partidário ignoram a capacidade dele de dialogar entre diferentes grupos políticos.

Dito isso, eu não acho que o Fed deveria cortar juros neste momento. Vamos descobrir muito em breve quanto espaço ele terá para fazer o que considera correto.

CNBC — Existe uma percepção de que Warsh tentará convencer o Fed a cortar juros e enfrentará resistência. As pessoas subestimam sua capacidade de influenciar Trump?

Singh — A grande questão é saber se é do interesse político do presidente Donald Trump pressionar o Fed para flexibilizar a política monetária.

O mercado agora vê maior probabilidade de alta de juros do que de cortes neste ano, e há razões para isso.

Vivemos uma ruptura estrutural na economia. Tivemos choque atrás de choque nos últimos cinco anos. Covid, Ucrânia, tarifas, restrições migratórias e agora Irã. Esses choques se sobrepõem e indicam um ambiente estruturalmente mais inflacionário.

CNBC — O rendimento do Treasury de 10 anos superou 4,6% na sexta-feira, maior nível em quase um ano. O que isso revela sobre o mercado global de títulos?

Singh — É consequência direta dessas forças. Se os déficits fiscais continuarem aumentando indefinidamente e não houver vontade política de resolver isso, enquanto o banco central americano continua relutante em elevar juros, então é natural que os rendimentos de longo prazo subam.

Os investidores exigem remuneração maior para compensar o risco fiscal e inflacionário.

Se isso continuar e os Treasuries avançarem para 5% ou mais, o Tesouro americano provavelmente reagirá. O secretário do Tesouro pode alterar o perfil da dívida, usar recompra de títulos e até coordenar ações com o Fed para conter os juros longos.

Isso é repressão financeira. Acho que esse é o destino final desse movimento, porque juros acima de 5% não são sustentáveis por muito tempo.

CNBC — Qual é o risco de o Treasury de 10 anos chegar a 5% nos próximos meses?

Singh — Acho provável. Estamos muito próximos de um movimento típico dos “bond vigilantes”. Isso já está acontecendo no Reino Unido.

Esses movimentos ganham vida própria e normalmente não se corrigem até haver uma resposta de política econômica.

O governo americano entende muito bem a dinâmica do mercado de títulos e sabe como conter uma disparada nos rendimentos. Por isso, não acredito que esse movimento dure muito tempo.

CNBC — Vamos falar sobre o Irã. Como você avalia o que está acontecendo?

Singh — Acho que nenhum dos lados possui domínio de escalada, mas nem os Estados Unidos nem o Irã parecem compreender totalmente isso.

Os custos políticos e econômicos de uma invasão terrestre para promover mudança de regime no Irã seriam altos demais para Trump, tanto pelas baixas humanas quanto pelo risco de o Irã ampliar ataques assimétricos no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.

Por outro lado, o Irã também entende que, se exagerar, pode acabar provocando justamente aquilo que quer evitar, que seria uma intervenção terrestre americana.

Por isso chegamos a esse impasse.

Um acordo precisaria ser garantido por uma terceira parte confiável. Hoje não existe confiança entre Washington e Teerã. É aí que a China entra. Vou observar atentamente o que foi discutido na reunião entre Trump e Xi Jinping em Pequim.

Provavelmente ainda estamos a um ou dois meses de um acordo mais concreto. Se o conflito durar muito além disso, a situação se torna insustentável para a Casa Branca.

CNBC — Ainda assim, um ou dois meses representam bastante dor econômica.

Singh — Eu estive recentemente no Texas e ouvi diretamente do setor que a Bacia do Permiano conseguiria adicionar apenas cerca de 250 mil barris diários de produção extra. Isso é uma fração muito pequena diante da perda potencial ligada ao Estreito de Ormuz.

A situação está se tornando crítica. Acho que o Brent continuará operando entre US$ 80 e US$ 100 por barril no futuro próximo.

CNBC — Até quando o Irã consegue suportar essa pressão econômica?

Singh — Pela minha experiência aplicando máxima pressão econômica sobre regimes autocráticos, eles costumam resistir muito mais do que líderes ocidentais imaginam.

Eles criam alternativas. Usam barter, criptomoedas, moedas fora do dólar. Vira um jogo de gato e rato.

Como os riscos para eles são existenciais, o incentivo para encontrar formas alternativas de financiamento é enorme.

Tenho bastante ceticismo sobre a ideia de que apenas o bloqueio econômico seja suficiente para forçar o regime iraniano a aceitar um acordo desfavorável.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Mundo