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Quanto custa conservar a natureza? Veja o tamanho do déficit na América Latina

Publicado 01/11/2026 • 13:30 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • A América Latina precisa investir US$ 170 bilhões por ano em biodiversidade, mas aplica apenas US$ 17 bilhões.
  • A diferença chega a US$ 152,9 bilhões anuais, o equivalente a 2,1% do PIB regional.
  • Reformas fiscais e maior participação privada podem reduzir em 74% o déficit de financiamento até 2030.
Investimento em biodiversidade na América Latina está US$ 153 bilhões abaixo do necessári

Foto: unsplash

Investimento em biodiversidade na América Latina está US$ 153 bilhões abaixo do necessári

A América Latina e o Caribe investem apenas uma fração dos recursos necessários para conservar a biodiversidade. A América Latina precisa investir cerca de US$ 170 bilhões (cerca de R$ 910,44 bilhões) por ano na conservação da biodiversidade. O valor consta em relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Atualmente, porém, mobiliza aproximadamente US$ 17 bilhões (R$ 91,04 bilhões) anuais.

A diferença chega a US$ 153 bilhões (R$ 818,89 bilhões) por ano, valor equivalente a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) regional. A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas (COP17), realizada em Ereván, na Armênia, recebeu a apresentação do estudo.

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Para Gregory Watson, chefe da Unidade de Biodiversidade e Capital Natural do BID e autor do relatório, a conservação precisa entrar no planejamento econômico dos países. Segundo ele, a biodiversidade não representa apenas uma questão ambiental, mas também uma infraestrutura essencial para a economia.

Biodiversidade na América Latina enfrenta déficit de investimento

O desafio vai além de ampliar o dinheiro destinado à preservação. De acordo com o levantamento, também é necessário mudar a maneira como os recursos circulam na economia e rever atividades que pressionam os ecossistemas.

Na América Latina e no Caribe, os custos relacionados à produção de alimentos de forma compatível com a conservação da diversidade biológica representam quase 60% das necessidades de financiamento. Quando o cálculo inclui despesas com o tratamento de águas urbanas, a parcela chega a 67%.

O relatório também detalha a origem dos recursos que a região já mobiliza para a biodiversidade. O setor público nacional e internacional responde por cerca de 49% do total. Iniciativas público-privadas representam outros 27,5%, enquanto o setor privado, isoladamente, contribui com 23,5%.

Diante da diferença entre o dinheiro disponível e o necessário, o estudo aponta a importância de ampliar as fontes de financiamento e direcionar os investimentos para atividades que favoreçam a conservação dos ecossistemas.

Subsídios prejudiciais dificultam o avanço das metas ambientais

Uma das principais medidas apontadas pelo relatório é revisar os gastos públicos e os incentivos que estimulam atividades prejudiciais à natureza. A proposta está entre os temas que geram divergências nas negociações da COP17.

O marco global da biodiversidade, aprovado em 2022 e conhecido como Kunming-Montreal, estabelece 23 metas para 2030. Entre elas estão a proteção de 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta e a redução dos subsídios que prejudicam a biodiversidade.

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O compromisso internacional prevê reduzir esses incentivos em pelo menos US$ 500 bilhões (R$ 2,6 trilhões) por ano até 2030. Entretanto, segundo Diego Ochoa, da Aliança para a Aceleração das Estratégias e Planos de Ação Nacionais sobre a Biodiversidade, essa é uma das metas mais atrasadas do acordo.

Uma avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o cumprimento dos objetivos indica que menos da metade das metas está no caminho adequado. Além disso, o indicador relacionado aos subsídios prejudiciais recebeu pontuação de apenas 0,17 em uma escala de zero a um, o pior resultado entre os objetivos avaliados.

Nesse contexto, Colômbia e Finlândia lançaram uma coalizão durante a conferência para pressionar os países a avançar na redução desses incentivos.

Reformas podem reduzir a diferença até 2030

A análise do BID e da CEPAL também apresenta cenários para diminuir o déficit de financiamento da biodiversidade na região. Se os países mantiverem as políticas atuais, sem mudanças relevantes nos subsídios, a redução da diferença será de apenas 8,3% até 2030.

Por outro lado, a adoção de reformas fiscais parciais, combinadas com instrumentos como a troca de dívida por compromissos de conservação da natureza, poderia reduzir a lacuna em 27,3%. O cenário mais favorável prevê reformas institucionais mais profundas e maior participação do capital privado, além das medidas anteriores. Nesse caso, a região poderia diminuir o déficit de financiamento em 74% até 2030.

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Para Eva Zabey, diretora-executiva da organização Business for Nature, a revisão dos subsídios também pode mudar os incentivos do mercado. Atualmente, alguns produtos têm preços artificialmente baixos por causa de benefícios fiscais ou subsídios, enquanto empresas que adotam práticas mais sustentáveis precisam arcar com custos adicionais.

A redução desses incentivos, portanto, pode contribuir para tornar a concorrência mais equilibrada e direcionar recursos para atividades compatíveis com a conservação da biodiversidade.

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