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Reunião entre Israel e Líbano em Washington pode definir o futuro do cessar-fogo com o Irã
Publicado 12/04/2026 • 11:22 | Atualizado há 1 mês
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Imagem gerada por pelo Nano Banana 2 com prompt de Allan Ravagnani
Cessar-fogo entre EUA e Irã pode colapsar dependendo do que acontecer na reunião entre Israel e Líbano em Washington na terça-feira, alertam analistas
A reunião marcada para a terça-feira (14) entre representantes de Israel e do Líbano no Departamento de Estado, em Washington, pode ser o momento mais delicado para o cessar-fogo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã.
O encontro concentra as principais contradições do acordo e, dependendo de como evoluir, pode acelerar seu colapso ou abrir uma saída diplomática para o conflito regional.
A avaliação é de Maziyar Ghiabi, professor da Universidade de Exeter e diretor do Centro de Estudos Persas e Iranianos, que participou do programa Squawk Box Europe da CNBC. Para Ghiabi, a guerra no Líbano é uma das principais cartas que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu segura para desestabilizar os esforços de paz entre Washington e Teerã.
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O acordo de cessar-fogo anunciado esta semana entre EUA e Irã deixou sem resposta uma pergunta que pode definir tudo: o acordo cobre ou não o território libanês?
Autoridades americanas indicam que não. Israel mantém a mesma posição e segue conduzindo ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano. O Irã e alguns mediadores, por outro lado, defendem que o entendimento deveria incluir o Líbano. Essa divergência transforma qualquer ataque israelense contra o Hezbollah em potencial gatilho para uma resposta iraniana e, consequentemente, para o fim do cessar-fogo.
“O Líbano deixa de ser um ator periférico e passa a ser central na equação”, disse Ghiabi.
Leia também: “EXTORSÃO MUNDIAL”: Donald Trump acusa Irã e anuncia bloqueio no Estreito de Ormuz
O embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, confirmou que Israel concordou em iniciar negociações formais de paz com o Líbano, apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois países. O encontro foi acertado em uma ligação telefônica na última sexta-feia (10) entre Leiter e a embaixadora libanesa nos EUA, Nada Hamadeh Mouawad.
Mas Leiter foi categórico sobre os limites da conversa. “Israel se recusou a discutir um cessar-fogo com a organização terrorista Hezbollah, que continua atacando Israel e é o principal obstáculo à paz entre os dois países”, disse.
Do lado libanês, o Hezbollah reagiu com rejeição imediata. O deputado Hassan Fadlallah, ligado ao grupo, classificou a decisão de negociar diretamente com Israel como “violação flagrante do pacto nacional, da constituição e das leis libanesas.”
“O que o inimigo não conseguiu obter no campo de batalha não obterá em negociações com uma autoridade que abandonou seus deveres mais básicos e falhou em proteger seu povo”, disse Fadlallah em nota.
O Hezbollah e o movimento Amal chegaram a pedir que apoiadores evitassem manifestações neste momento, citando a necessidade de preservar a paz civil. Mesmo assim, centenas de pessoas foram às ruas em Beirute no sábado (11) para protestar contra as negociações com Israel, alguns carregando bandeiras do grupo e imagens do líder morto Hassan Nasrallah.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, anunciou no sábado (11) o adiamento de uma viagem planejada aos Estados Unidos, onde deveria se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio. Salam citou a necessidade de “salvaguardar a segurança e a unidade do povo libanês” diante das circunstâncias internas.
Não ficou imediatamente claro se o adiamento afetaria a reunião marcada para terça-feira no Departamento de Estado.
O pano de fundo das negociações é de destruição. O Ministério da Saúde do Líbano confirmou que pelo menos 2.020 pessoas foram mortas e 6.436 ficaram feridas desde que o país foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em apoio ao Irã.
Apenas no sábado (11), ataques israelenses mataram pelo menos 18 pessoas no sul do Líbano, incluindo três socorristas. O ministério denunciou o que chamou de alvo “sistemático” de trabalhadores de emergência por parte de Israel.
Para analistas, o acordo atual entre EUA e Irã é mais tático do que estrutural. Reduz tensões no curto prazo, mas não resolve os pontos de fundo do conflito. A ausência de consenso sobre o Líbano é o exemplo mais visível dessa fragilidade, e o comportamento das partes nos próximos dias, especialmente após a reunião de terça, será determinante para saber se o cessar-fogo sobrevive.
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