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Entenda a estratégia do Irã para evitar uma nova frente de guerra no Líbano
Publicado 14/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Unsplash
Entenda a estratégia do Irã para evitar uma nova frente de guerra no Líbano
O Líbano e Israel retomaram nesta terça-feira (14), em Roma, na Itália, as negociações mediadas pelos Estados Unidos. O objetivo é avançar em um acordo para reduzir as tensões na fronteira entre os dois países.
Enquanto as conversas tentam estabelecer os próximos passos para uma trégua, o Irã busca preservar o Hezbollah como instrumento estratégico sem estimular uma nova frente de guerra no Líbano.
Após cinco rodadas de discussões em Washington, Líbano e Israel chegaram, em 26 de junho, a um acordo de base. O objetivo é encerrar o conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado por Teerã.
Leia também: Líbano e Israel retomam negociações em Roma sob mediação dos EUA
O entendimento prevê o desarmamento da organização e uma retirada gradual das forças israelenses de duas zonas-piloto localizadas no sul do Líbano.
No entanto, a implementação do acordo enfrenta obstáculos. O Hezbollah rejeita os termos definidos, enquanto o governo libanês pressiona pelo início imediato da retirada israelense antes da abertura de novas etapas das negociações.
O Hezbollah, que significa “Partido de Deus” em árabe, é um grupo político e militar libanês criado em 1982 durante a guerra civil do Líbano. A organização surgiu com apoio do Irã após a invasão israelense ao território libanês e passou a atuar contra a presença de Israel no sul do país, segundo a Aljazeera.
Ao longo das décadas, o grupo ampliou sua influência dentro do Líbano. Além da estrutura militar própria, o Hezbollah também participa da política nacional, com representantes no Parlamento e atuação em áreas sociais.
Por sua força armada, apoio popular em determinadas regiões e influência política, o Hezbollah se tornou um dos principais atores do país. A organização mantém uma relação próxima com o Irã, que fornece apoio financeiro, político e militar.
O grupo tem como uma de suas principais bandeiras a resistência contra Israel. Ao longo dos anos, participou de diversos confrontos com o país, incluindo a guerra de 2006.
Atualmente, os Estados Unidos e alguns outros países classificam o Hezbollah como uma organização terrorista. Já a União Europeia considera terrorista apenas a ala militar do grupo.
Leia também: Delegação dos EUA chega a Beirute para negociar retirada israelense do sul do Líbano
Diante desse cenário, o Irã tenta equilibrar sua estratégia regional para evitar que o Hezbollah seja envolvido em uma nova guerra de grandes proporções. Para Teerã, o grupo representa uma importante ferramenta de influência no Oriente Médio e uma forma de manter capacidade de resposta contra Israel.
Ao mesmo tempo, uma nova escalada militar poderia enfraquecer a estrutura do Hezbollah e comprometer seu papel estratégico. Por isso, especialistas avaliam que o Irã tende a agir com cautela antes de incentivar novas ofensivas contra Israel.
Segundo Orna Mizrahi, analista do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), em Tel Aviv, o governo iraniano tenta relacionar as negociações no Líbano ao conflito regional mais amplo, enquanto Israel busca separar os temas.
A especialista afirma que as prioridades atuais de Teerã estão concentradas no Estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano. Nesse contexto, o território libanês seria utilizado como parte de uma estratégia de pressão, sem necessariamente levar a um confronto direto de grandes proporções.
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Siga o Times | CNBCO Hezbollah entrou diretamente no conflito em 2 de março, quando passou a lançar mísseis contra Israel em apoio ao Irã. Desde então, o grupo se tornou um dos principais pontos de tensão nas negociações entre Beirute e Tel Aviv.
Leia também: Líbano teme virar bode expiatório da geopolítica após anúncio do acordo entre EUA e Irã
Enquanto o Líbano exige a retirada imediata das tropas israelenses das duas zonas-piloto no sul do país, Israel defende uma saída gradual condicionada a garantias de segurança.
Para o governo israelense, a retirada depende da confirmação de que o Hezbollah não permanecerá nas áreas evacuadas e de que o Exército libanês terá capacidade para impedir o retorno do grupo à região.
Como parte desse processo, uma delegação militar dos Estados Unidos iniciou discussões em Beirute no último sábado (11) para tratar do processo de retirada de uma das zonas-piloto. Além disso, uma fonte diplomática libanesa afirmou que o Exército do Líbano está preparado para assumir gradualmente o controle das localidades deixadas pelas forças israelenses.
Apesar das negociações, especialistas avaliam que um avanço significativo em Roma é improvável. Para Karim Bitar, professor da Sciences Po Paris, o encontro representa principalmente uma tentativa de manter o processo diplomático ativo diante dos obstáculos políticos e militares.
O acordo atual foi construído após a entrada em vigor de um cessar-fogo considerado frágil. Mesmo assim, autoridades libanesas relatam que Israel continua realizando ataques pontuais no sul do país e operações de demolição em vilas ocupadas.
Desde o início da escalada militar, em março, os bombardeios e a ofensiva terrestre israelense deixaram mais de 4,3 mil mortos, segundo dados das autoridades libanesas.
Além das negociações entre Líbano e Israel, a instabilidade regional também influencia o cenário. O Irã havia condicionado o cessar-fogo no Líbano à assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos em 17 de junho.
No entanto, a região registrou uma nova escalada após uma sequência de ataques norte-americanos contra posições iranianas, antes da previsão de retomada do bloqueio naval aos portos do Irã.
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Embora o risco de uma retomada dos combates em larga escala no Líbano continue presente, Karim Bitar avalia que o Irã deve agir com cautela antes de autorizar novos ataques do Hezbollah contra Israel.
A estratégia de Teerã é preservar o Hezbollah como um mecanismo de dissuasão de longo prazo no Líbano. Dessa forma, o Irã evita desgastar o grupo em um confronto imediato e mantém sua influência para futuras disputas na região.
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