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Inflação dos EUA alivia mercados, mas petróleo mantém risco de juros altos
Publicado 14/07/2026 • 22:55 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/07/2026 • 22:55 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A inflação americana abaixo do esperado trouxe alívio aos mercados, favoreceu a bolsa brasileira e pressionou o dólar para baixo, mas a retomada das tensões no Oriente Médio mantém riscos para o petróleo e para a trajetória dos juros. A avaliação é de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o resultado da inflação nos Estados Unidos foi positivo e surpreendeu as projeções do mercado.
O índice de preços ao consumidor americano caiu 0,4% em junho. O resultado foi puxado principalmente pelos combustíveis, enquanto o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês.
“Foi uma inflação muito positiva, surpreendendo o mercado”, afirmou Sung.
Segundo o economista, a desaceleração do índice cheio e a melhora das medidas subjacentes reduzem a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O resultado diminui, no curto prazo, a possibilidade de uma retomada das altas de juros nos Estados Unidos.
“A outra boa notícia é que, quando o Banco Central observa a inflação e retira itens mais voláteis, como alimentos e energia, nós também enxergamos estabilidade e uma desaceleração no acumulado dos últimos 12 meses”, disse.
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Sung ponderou, no entanto, que o dado retrata um período anterior à nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã. A alta recente do petróleo pode voltar a pressionar combustíveis e índices de preços nos próximos meses.
“De fato, foi muito positivo, mas os preços do petróleo voltaram a subir por conta dos últimos acontecimentos no Oriente Médio”, afirmou.
Para o economista, a evolução do conflito será determinante para definir se a melhora da inflação americana terá continuidade. Um novo aumento das hostilidades poderia levar o petróleo a patamares mais elevados e reduzir o espaço para flexibilização monetária.
No mercado brasileiro, Sung afirmou que a inflação americana ajudou a fechar as curvas de juros, impulsionou a bolsa e contribuiu para a queda do dólar. O risco geopolítico ficou temporariamente em segundo plano durante o pregão.
“A gente pode continuar vendo uma bolsa positiva, dependendo da evolução do conflito”, disse.
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Siga o Times | CNBCA Suno Research trabalha com o dólar entre R$ 5,10 e R$ 5,20 no curto prazo. Sung afirmou, porém, que o calendário eleitoral deve adicionar volatilidade ao câmbio entre o terceiro trimestre e o início do quarto trimestre.
“Ficou um pouco mais difícil enxergar um câmbio de forma sustentável abaixo dos R$ 5, como a gente viu antes do conflito”, afirmou.
Nos Estados Unidos, a Suno mantém uma visão positiva sobre empresas de tecnologia, especialmente as ligadas à inteligência artificial. Segundo Sung, a continuidade de dados de inflação mais favoráveis pode reduzir as taxas de mercado e aumentar o apetite por ativos de risco.
No Brasil, a casa projeta que o Banco Central encerre o ano com a Selic em 13,75%. O cenário-base prevê manutenção dos juros na reunião de agosto, seguida por cortes nas reuniões posteriores.
A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, após redução promovida pelo Copom em junho.
“A nossa dúvida é se o Banco Central vai realizar cortes na reunião de agosto ou vai fazer manutenção. Por enquanto, temos como cenário-base a manutenção”, disse.
Sung afirmou que a inflação brasileira apresentou melhora recente, mas o Banco Central ainda precisa lidar com riscos como petróleo, preços de serviços, estímulos fiscais, crédito direcionado e expectativas desancoradas.
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O IPCA avançou 0,16% em junho, abaixo dos 0,58% registrados em maio.
“O cenário da inflação brasileira melhorou um pouco nos últimos dados, mas os desafios continuam para o Banco Central”, afirmou.
Embora cortes de 0,25 ponto percentual tenham efeito limitado no curto prazo, Sung avaliou que o início de uma trajetória de queda pode aliviar empresas endividadas e sinalizar condições mais favoráveis para reduções adicionais no próximo ano.
“Cortar pouco a pouco não tem grandes resultados, mas é uma sinalização importante”, disse.
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