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Shutdown nos EUA: funcionários federais recorrem a auxílios para conseguir comer
Publicado 25/10/2025 • 13:17 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 25/10/2025 • 13:17 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
REUTERS/Mark Makela
Pessoas aguardam sua vez de escolher alimentos na despensa de alimentos Community Table , semanas após o início da paralisação do governo dos EUA , em Arvada, Colorado, EUA, em 22 de outubro de 2025.
A paralisação do governo dos Estados Unidos, iniciada por um impasse orçamentário entre Republicanos e Democratas, já dura 25 dias e afeta cada vez mais os funcionários federais, que estão sem receber pagamento desde 1º de outubro.
No total, mais de 600 mil funcionários foram afetados pela paralisação, de acordo com relatos da imprensa americana.
Sem dinheiro, centenas deles recorrem agora a programas de auxílio alimentar do governo, que distribuem doações de alimentos recolhidas em estacionamentos de subúrbios de Washington.
Uma funcionária que trabalha no governo federal há mais de 50 anos, Diane Miller, resumiu o drama de forma direta: “Como vou comer?”, perguntou, em tom de desespero.
Quando chegou a sua vez, ela apresentou o cartão de funcionária do governo e recebeu duas caixas — uma com frutas e vegetais frescos e outra com produtos de longa duração. Cada item é essencial, já que seu salário foi a zero.
Funcionários federais em todo o país estão recorrendo a bancos de alimentos e instituições de caridade em busca de ajuda. Na quarta-feira (22), em Washington, mais de 310 caixas contendo US$ 75 em mantimentos foram distribuídas em menos de uma hora.
“Há pessoas que, há duas semanas, tinham um salário fixo e uma vida boa e normal — e, de repente, o tapete é puxado debaixo de seus pés e você se vê em uma fila de comida”, disse Dave Silbert, chefe do So What Else, banco de alimentos que coorganiza a distribuição.
Miller, que atua no governo federal e local há mais de cinco décadas, expressou indignação com a situação:
“Ninguém merece ser tratado da maneira como estamos sendo tratados agora — e vê-los demolir a casa do povo e construir um salão de baile chique quando esse dinheiro poderia estar cuidando dos americanos”, disse, referindo-se à reforma de US$ 250 milhões da Casa Branca iniciada esta semana.
“Devíamos ser um país orgulhoso agora. Estou triste por ser americana.”
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Esperando na fila, Adrian, especialista em direito tributário que trabalha no serviço público há 33 anos, desabafa frustrações dolorosas.
“Mal conseguimos pagar a hipoteca, mas temos outras contas para pagar — luz, celular, tudo. É um efeito dominó”, disse Adrian, que preferiu não revelar o sobrenome por medo de represálias.
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“Todos esses congressistas e senadores estão sendo pagos. Nós não”, acrescentou. “Então eles não deveriam receber salário. Se nós não recebemos, eles deveriam sentir o que estamos sentindo.”
Adrian destacou ainda como os funcionários federais foram vilipendiados pelas políticas do presidente Donald Trump, que incluíram cortes abrangentes de empregos promovidos pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), comandado por Elon Musk.
“Estávamos apenas fazendo nosso trabalho, que é parte do governo federal, e de repente nos tornamos inimigos do Estado”, afirmou.
O impasse político também preocupa Amber, mãe de duas crianças e funcionária do departamento de recursos humanos do Exército dos EUA.
“Na verdade, também estou no meio de um divórcio, então já precisei fazer um empréstimo de US$ 20.000 só para pagar a moradia. Agora, sem salário, estou com muita dificuldade, e é por isso que estou aqui hoje para comprar comida.”
À medida que a paralisação federal se prolonga, os funcionários afetados não conseguem deixar de pensar no futuro — especialmente nos meses mais frios do inverno e nos feriados de fim de ano.
“Como você acha que as pessoas se sentem? Elas estão passando por dificuldades. E não é só um grupo, é todo mundo”, disse Diane Miller, servidora que atua há mais de cinco décadas no governo federal e local.
Com um sorriso forçado, Miller — uma mulher negra que diz ter dedicado sua vida aos direitos civis — atribui a situação diretamente a Trump.
“Eles precisam tirar esse homem daqui, ponto final.”
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