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Surto de aftosa na China pode impulsionar vendas do Brasil?
Publicado 03/04/2026 • 23:01 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 03/04/2026 • 23:01 | Atualizado há 6 meses
Pixnio
Bandeira da China.
A pecuária brasileira está em alerta e com uma dúvida central: o novo surto de febre aftosa detectado na China pode se traduzir em um aumento nas exportações de carne do Brasil?
O cenário ganha relevância diante dos números recordes que envolvem a parceria entre os dois países. Em 2025, o Brasil consolidou sua posição como o maior exportador global, embarcando 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, sendo que a China absorveu sozinha quase metade desse volume (46,5%).
O grande ponto de interrogação para o produtor em 2026 é a nova política comercial de Pequim. Para proteger seus pecuaristas locais, o governo chinês estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne brasileira neste ano.
O problema é o que acontece quando esse limite é atingido: qualquer volume excedente passa a ser taxado com uma sobretaxa de 55%.
Se o Brasil mantiver o ritmo de exportação do ano passado, esse teto seria alcançado antes mesmo do final do quarto trimestre, criando o que o mercado chama de “vazio” de vendas ou uma encarecimento drástico do produto brasileiro no prato dos chineses.
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Siga o Times | CNBCÉ aqui que o surto da cepa SAT-1, que atinge as províncias chinesas de Gansu e Xinjiang, muda o jogo. Como a China é uma importadora líquida — consome cerca de 11 milhões de toneladas por ano, mas produz apenas 7,5 milhões — qualquer baixa no rebanho interno devido a abates sanitários amplia seu déficit de proteína.
Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que essa crise sanitária pode forçar Pequim a rever proteções tarifárias.
“Enquanto não tiver uma gestão de cotas, nós vamos seguir reféns dessa situação: uma corrida muito acelerada pela exportação, seguida de um ‘vazio’ de vendas. Mas o entendimento é que a necessidade chinesa agora pode forçar uma revisão dessas salvaguardas que eles tentaram impor para proteger o produtor local”, explica Iglesias.
Com o preço médio da tonelada exportada subindo 12% no início de 2026 (chegando a US$ 5.461), o Brasil está posicionado para suprir a demanda urgente da China. A expectativa do setor é que, diante do risco de desabastecimento e inflação de alimentos, o governo chinês flexibilize a cota de 1,1 milhão de toneladas ou suspenda temporariamente a sobretaxa de 55%, permitindo que o excedente brasileiro entre no país sem o peso do imposto.
Para o pecuarista brasileiro, o momento exige monitoramento diário do Diário Oficial chinês e dos fluxos portuários, já que a “muralha” das cotas pode ser a próxima barreira a cair em nome da segurança alimentar asiática.
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