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Tarifa de 25% de Trump contra UE eleva tensão comercial e sinaliza pressão política

Publicado 01/05/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A decisão de Donald Trump de impor tarifa de 25% sobre carros e caminhões da União Europeia reflete uma estratégia de pressão para trazer produção aos Estados Unidos e fortalecer sua base política em ano eleitoral.
  • O movimento coincide com o acordo União Europeia-Mercosul e pode ser interpretado como retaliação ou tentativa de desviar o foco da nova zona de livre comércio.
  • A medida também tende a aumentar a instabilidade global, enquanto se soma a tensões geopolíticas que mantêm o petróleo pressionado.

A política comercial dos Estados Unidos voltou ao centro do debate global após o anúncio de tarifas de 25% sobre veículos europeus, uma iniciativa que combina objetivos econômicos e eleitorais, segundo avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, doutor em relações internacionais e professor da FAAP e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Trump alega que a União Europeia não cumpre acordos e quer forçar as montadoras a produzirem dentro dos Estados Unidos com mão de obra americana”, afirmou o especialista nesta sexta-feira (1º), em entrevista ao programa Fast Money, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, o timing da medida reforça seu caráter estratégico. “Coincide com o acordo União Europeia-Mercosul, podendo ser visto como retaliação ou tentativa de tirar o foco dessa nova aliança”, destacou.

Estratégia eleitoral e instrumentos de pressão

No cenário doméstico, a decisão dialoga diretamente com o calendário político. “Trump está jogando para a plateia, mirando sua base e a classe média trabalhadora em ano de eleições de meio de mandato”, pontuou.

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Mesmo após limitações impostas pela Suprema Corte, o presidente mantém margem de ação. “Ele pode usar a Seção 301, que funciona como um ‘coringa’ para retaliar práticas que considera desleais”, explicou, ao alertar para maior instabilidade nos mercados globais.

Saída dos Emirados e mudança no equilíbrio do petróleo

No mercado de energia, a saída dos Emirados Árabes da Opep indica uma transformação estrutural no setor. A avaliação é de que o impacto inicial será limitado, mas os efeitos tendem a ganhar força ao longo do tempo.

O impacto imediato é limitado pelo risco de conflito na região, mas a tendência a médio prazo é de queda no preço do barril”, afirmou Vieira.

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Segundo ele, a influência da Opep diminuiu significativamente. “Hoje o cartel controla cerca de 33% do petróleo mundial e não tem o mesmo poder de barganha de antigamente”, explicou.

Estratégia dos Emirados e fator geopolítico

A decisão dos Emirados reflete um reposicionamento econômico. “Eles querem liberdade para produzir mais, algo que o cartel limitava”, disse.

O especialista destacou ainda o contexto geopolítico da decisão. “Os Emirados têm sofrido retaliações do Irã e estão se aproximando de Israel, sinalizando um distanciamento da liderança da Arábia Saudita”, afirmou.

Para ele, a resolução do conflito pode alterar o cenário de preços. “Se a guerra terminar, o petróleo pode cair decisivamente, ficando abaixo dos níveis pré-guerra”, apontou.

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Preço ainda sustentado por risco de conflito

Apesar das mudanças na oferta, o petróleo segue pressionado por fatores externos. “O preço hoje está precificado pelo risco de conflito”, afirmou.

Segundo Vieira, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer sob ameaça e não houver acordo sobre o programa nuclear iraniano, o mercado continuará sob tensão. “Sem acordo definitivo, o valor do barril seguirá elevado”, destacou.

Impasse com o Irã mantém pressão

O especialista também comentou a reação de Donald Trump à proposta enviada pelo Irã.

Trump disse que os iranianos querem um acordo, mas que ele não está satisfeito”, relatou. Segundo ele, o impasse está ligado às exigências americanas sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos.

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Enquanto não houver consenso, os impactos devem persistir. “A instabilidade econômica e o preço alto dos combustíveis devem continuar, com valores já no maior nível em quatro anos nos EUA”, concluiu.

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