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Exportadores duvidam que processo de reciprocidade pressione governo dos EUA
Publicado 16/08/2026 • 10:31 | Atualizado há 51 minutos
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Publicado 16/08/2026 • 10:31 | Atualizado há 51 minutos
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Divulgação/CNI
Setores exportadores da indústria avaliam que o processo de reciprocidade aberto pelo governo brasileiro em resposta ao tarifaço americano dificilmente vai funcionar como pressão sobre Washington. Segundo líderes de entidades industriais, o mecanismo tende a produzir efeitos práticos apenas depois de, no mínimo, três meses, prazo considerado longo demais para influenciar as negociações com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A percepção entre exportadores é de que a abertura do processo atende mais ao discurso de soberania nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em ano eleitoral, do que aos interesses das empresas atingidas pelas sobretaxas comerciais.
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O acionamento da lei de reciprocidade passa por diferentes fases até a eventual aplicação de contramedidas contra os Estados Unidos. Entre as etapas estão a aprovação de relatório técnico, a consulta pública e as deliberações finais do governo, sequência que, segundo as entidades consultadas, dificilmente se conclui em menos de três meses.
Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a decisão de abrir o processo decorreu mais de cálculos políticos do que de estratégia econômica. Em conversa reservada com o Broadcast, um dirigente da indústria afirmou que o país vive ano eleitoral e que a reciprocidade atende ao discurso de soberania, podendo ser usada nesse sentido.
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Siga o Times | CNBCO presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também associa a decisão do governo ao calendário eleitoral. Segundo ele, a medida tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.
Em entrevista, Castro afirmou que preferiria que a medida não tivesse sido tomada, já que o Brasil não está em condição de igualdade com os Estados Unidos neste momento. Segundo o dirigente, o país ocupa papel coadjuvante na relação bilateral, enquanto o governo americano exerce o papel de protagonista nas negociações comerciais.
Para os líderes industriais ouvidos pela reportagem, o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como instrumento de pressão adicional capaz de levar o governo Trump a rever o tarifaço aplicado a produtos brasileiros. A avaliação predominante entre os exportadores é de que o processo, pelo tempo que demanda e pelo desequilíbrio de forças entre os dois países, tem efeito limitado sobre a mesa de negociação.
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