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Tarifaço ameaça manufaturados brasileiros, mas abre oportunidades para alimentos, avalia Welber Barral

Publicado 24/07/2026 • 10:50 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • A imposição da tarifa adicional de 12,5% pelo governo dos Estados Unidos contra 60 países atinge diretamente os produtos manufaturados e bens de consumo do Brasil.
  • A nova tarifa adicional eleva a taxação para até 37,5% em setores como têxteis, calçados, autopeças e bens de consumo, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.
  • Produtos como café solúvel, carne bovina, suco de laranja, açaí e castanha-do-pará ficaram em posição mais favorável por não terem sido incluídos nas novas tarifas, podendo ampliar espaço diante de concorrentes internacionais.

A imposição de uma tarifa adicional de 12,5% pelo governo dos Estados Unidos contra 60 economias amplia os desafios para exportadores brasileiros, principalmente para os setores de produtos manufaturados e bens de consumo. A avaliação é do consultor em comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que participou de entrevista ao programa Pré-Market.

Segundo Barral, a combinação das novas alíquotas americanas com a tarifa de 25% aplicada anteriormente faz com que diversos produtos industrializados brasileiros enfrentem uma carga total de até 37,5%. “ E aí eles perdem muita competitividade com relação à aqueles países que ficaram, por exemplo, só com 10%”, afirmou.

Entre os segmentos mais afetados estão têxteis, calçados, produtos de consumo, autopeças e outros bens industrializados. Para o consultor, o impacto é significativo porque os Estados Unidos representam um mercado relevante para parte das empresas brasileiras. Ele ressaltou ainda que os efeitos não atingem apenas companhias nacionais, mas também empresas americanas instaladas no Brasil.

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Alimentos brasileiros ganham competitividade

Apesar do impacto sobre a indústria, Welber Barral destacou que alguns setores brasileiros podem encontrar oportunidades diante da nova política tarifária dos Estados Unidos. Produtos que ficaram fora das listas de taxação ou foram incluídos em exceções podem ampliar sua presença no mercado americano.

Entre os exemplos citados estão café solúvel, carne bovina, suco de laranja, açaí e castanha-do-pará. Segundo Barral, esses produtos possuem uma vantagem porque os Estados Unidos não têm produção suficiente para atender à demanda interna.

“O café solúvel brasileiro se torna muito mais competitivo, por exemplo, do que o café solúvel da do Vietnã ou do México, que são os grandes competidores”, afirmou.

No caso da carne bovina, o consultor avaliou que o Brasil pode ampliar suas vendas para os Estados Unidos. “Os Estados Unidos hoje não tem uma produção suficiente de carne.”, justificou.

Barral também citou outros produtos alimentícios brasileiros que podem se beneficiar. “Vários alimentos que são específicos no Brasil, como é o caso do açaí, da castanha-do-pará, foram excluídos. Então são alimentos e uma parte de minerais onde o Brasil provavelmente vai ter uma vantagem competitiva.”

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Empresas buscam alternativas para reduzir impactos

Para o consultor, a reação das empresas brasileiras dependerá da situação de cada setor e produto. Algumas companhias poderão buscar alternativas para reduzir o impacto das tarifas, como pedidos de exclusão, mudanças na classificação fiscal ou reorganização das cadeias produtivas.

“Algumas situações particulares, nós conseguimos, por exemplo, ou reclassificar o produto nos Estados Unidos para que ele possa ter um tratamento fiscal melhor ou eventualmente modificar, entrar na lista de exceção”, explicou.

Sobre possíveis medidas do governo brasileiro, como a Lei da Reciprocidade e ações na Organização Mundial do Comércio (OMC), Barral avaliou que a negociação com Washington será complexa e de longo prazo.

“Essa última tarifa não foi pro Brasil, ela foi pro mundo inteiro”, afirmou. Segundo ele, a medida mostra que os Estados Unidos pretendem manter uma tarifa mínima para diversos países e negociar caso a caso setores e mercados.

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Negociação com os EUA deve ser longa

Barral avaliou que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos continuará sendo marcada por negociações difíceis, envolvendo temas que vão além das tarifas. Para o consultor, o Brasil não é uma prioridade imediata para Washington diante de outras negociações internacionais em andamento.

Na avaliação de Barral, as empresas brasileiras ainda têm caminhos para buscar competitividade. “Seguramente vai haver modificação nessas listas americanas”, afirmou.

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