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CNS: Tarifaço dos EUA pode atingir serviços e reduzir atividade econômica

Publicado 01/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Levantamento da CNS aponta que os efeitos das tarifas dos EUA vão além da indústria e atingem o setor de serviços.
  • Logística, tecnologia, serviços financeiros e turismo empresarial estão entre os segmentos mais expostos.
  • Para a entidade, ampliar mercados e negociar com os Estados Unidos é o caminho para reduzir os impactos.

Os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros devem se espalhar por toda a cadeia de serviços e afetar uma parcela significativa da atividade econômica, segundo Carlos Eduardo Oliveira Jr., assessor econômico da Confederação Nacional de Serviços (CNS). Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (31), ele afirmou que a retração das exportações tende a reduzir a demanda por diversos serviços ligados ao comércio exterior e à atividade industrial.

Segundo o economista, cerca de 11% das exportações brasileiras têm como destino o mercado americano, o que faz com que os efeitos do tarifaço ultrapassem a indústria e atinjam setores que dão suporte à produção e às vendas externas.

Na avaliação da CNS, somente o segmento de serviços pode sofrer impacto equivalente a cerca de 0,26% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o efeito sobre a economia como um todo é estimado em aproximadamente R$ 4,2 bilhões.

Logística e serviços financeiros devem sentir primeiro

Carlos Eduardo afirmou que a logística está entre os primeiros segmentos afetados pela redução das exportações, já que um volume menor de embarques diminui a demanda por transporte, movimentação de cargas e contêineres.

Além disso, serviços empresariais, tecnologia da informação e o setor financeiro também tendem a registrar desaceleração, uma vez que acompanham o ritmo das operações de comércio exterior.

“Com menos exportações, toda a cadeia de serviços ligada à atividade econômica acaba sendo impactada”, afirmou.

O assessor econômico acrescentou que o turismo corporativo também pode sofrer os efeitos da redução das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

São Paulo concentra maior impacto

Segundo a CNS, os efeitos das tarifas não devem ocorrer de forma homogênea entre os estados brasileiros.

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Carlos Eduardo destacou que São Paulo tende a concentrar a maior parte das perdas por reunir um parque industrial voltado à produção de bens manufaturados com maior valor agregado e por ser o principal exportador brasileiro para o mercado americano.

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Outros estados com forte presença do agronegócio também poderão ser afetados, embora em menor intensidade, dependendo da participação dos Estados Unidos como destino das exportações.

Diversificação é principal alternativa

Para reduzir os impactos do tarifaço, a CNS defende que o Brasil mantenha as negociações com o governo americano, ao mesmo tempo em que amplia sua presença em outros mercados internacionais.

Segundo o assessor econômico, Europa, Ásia, América Latina e Oriente Médio aparecem como alternativas para diversificar as exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Ele também defendeu o aumento da produtividade, investimentos em digitalização e políticas voltadas aos segmentos de tecnologia, engenharia, consultoria e serviços financeiros.

Na avaliação de Carlos Eduardo, embora os produtos brasileiros devam ser inicialmente atingidos pelas tarifas, as negociações entre governos e empresários dos dois países poderão abrir espaço para futuras exceções e para uma redução gradual das barreiras comerciais.

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