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Tarifaço: setor de calçados vê dificuldade em mercados alternativos e concorrência “inviável” com asiáticos
Publicado 27/07/2026 • 11:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/07/2026 • 11:10 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O setor de calçados é um dos principais afetados pelas novas tarifas de 25% e de 12,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Caso haja grandes cancelamentos e interrupções de contratos, o mercado pode viver um “caos”.
O diagnóstico foi dado pelo agente de exportação da Gateway Internacional, Júlio Schreck, em entrevista ao Pré-market desta segunda-feira, 27. O especialista destacou que algumas exportadoras e fábricas norte-americanas não querem deixar o mercado brasileiro e que ainda não houve grande impacto nos negócios, mas que as novas taxas podem inviabilizar parte das exportações brasileiras.
“No ano passado, quando entrou a tarifa de 50%, nós conseguimos acomodá-la, juntando forças com os exportadores e as fábricas com as quais trabalhamos. As fábricas acabaram dando descontos, abrindo mão de suas margens e conseguindo junto aos seus fornecedores algo por volta de 20% de desconto para que pudéssemos nos manter no negócio. Mas, se isso se estender, vai ser um caos”, apontou.
Leia também: Brasil e China discutem avanço em acordo comercial após novas taxas impostas pelos EUA
O executivo destaca que atualmente realiza negociações com grandes redes de calçados norte-americanas, tais como a Dillard’s, a Nordstrom e a Johnston & Murphy, representando mais de 10 fábricas. Regiões como Franca, em São Paulo, e o Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, serão as mais afetadas. O setor vai continuar atuando para que os calçados brasileiros entrem na lista de isenção norte-americana.
Apesar da tentativa de encontrar um mercado alternativo ao norte-americano, a indústria calçadista brasileira enfrenta barreiras estruturais intransponíveis para redirecionar sua produção a outros países, caso o recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos persista.
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Siga o Times | CNBCSegundo Shrek, o mercado norte-americano exige um padrão técnico rigoroso que difere de qualquer outra praça: “Ninguém compra igual aos Estados Unidos e ninguém tem exigência igual à deles. O nosso trabalho é pautado em auditorias internacionais e testes laboratoriais”, afirmou.
Além disso, a dinâmica do negócio opera a longo prazo, visto que o planejamento de coleções como primavera-verão e outono-inverno exige trabalho com um ano e meio de antecedência. “Não é fácil mudar o foco para outros mercados”.
Para defender que o calçado brasileiro fique isento das tarifas, o Schrerk especialista destaca que o país representa apenas 0,3% do que os EUA importam do mundo inteiro.
“Os Estados Unidos importam anualmente 3 bilhões de pares de sapatos. O Brasil exporta para os EUA 11 milhões de pares. Ou seja, nós não somos nada, nós somos muito pequenos, porém o que afeta o nosso negócio é muito grande”, apontou.
A tentativa de buscar alternativas esbarra também na forte concorrência global e na saturação de outras praças internacionais. De acordo com o agente de exportação, disputar espaço com os gigantes asiáticos é inviável para o modelo produtivo nacional.
“Pegar China, Índia, hoje Cambodja, Bangladesh, o Vietnã, principalmente na área de calçados esportivos e casuais, nós não temos como competir. Inclusive, eles têm uma superprodução, e é difícil competir”, encerrou.
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