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Trump diz que quer participar da escolha do novo líder do Irã, como fez na Venezuela
Publicado 05/03/2026 • 16:50 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 05/03/2026 • 16:50 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pretende influenciar a escolha do próximo líder supremo do Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no sábado (28) durante ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra a cúpula do regime iraniano. Ao comentar a sucessão, Trump comparou a situação política iraniana à crise na Venezuela e disse que deveria ter participação direta na definição do novo comando do país.
Em entrevista ao site Axios, Trump afirmou que o filho de Khamenei não seria uma opção aceitável para liderar o país. “O filho de Khamenei é um peso leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy”, disse o presidente, fazendo referência à escolha da presidente interina Delcy Rodríguez após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro.
Segundo veículos da imprensa iraniana, a Assembleia de Especialistas do Irã teria escolhido Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como o próximo líder supremo. A informação foi divulgada pela emissora Iran International, canal sediado em Londres voltado ao público iraniano.
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Na terça-feira, forças dos Estados Unidos e de Israel bombardearam o prédio da Assembleia de Especialistas na cidade sagrada de Qom, local onde 88 aiatolás deveriam se reunir para decidir quem sucederia Khamenei. A agência iraniana Fars, no entanto, afirmou que não havia ninguém no prédio no momento do ataque, e não existe confirmação oficial sobre vítimas ou sobre a reunião.
No mesmo dia, Donald Trump declarou que vários nomes cogitados por seu governo para assumir a liderança iraniana já estariam mortos. “A maioria das pessoas que tínhamos em mente já morreu. Agora temos outro grupo, que também pode estar morto, segundo relatos. Então teremos uma terceira onda”, afirmou o presidente a repórteres na Casa Branca.
Na ocasião, Trump também descartou a possibilidade de apoiar Reza Pahlavi, filho do ex-xá Mohammad Pahlavi, que foi derrubado pela Revolução Islâmica de 1979.
Embora tenha descrito Pahlavi como “um cara legal”, o presidente americano avaliou que um nome de dentro do próprio regime iraniano poderia ser uma alternativa mais plausível. “Faz sentido colocar alguém que está presente, que é popular atualmente, se é que existe tal pessoa”, disse.
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O jornal The New York Times, citando autoridades sob anonimato, afirmou que clérigos iranianos consideraram anunciar Mojtaba como sucessor de Khamenei, mas recuaram por receio de que ele se tornasse alvo direto de novos ataques dos Estados Unidos ou de Israel.
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é o segundo filho mais velho de Ali Khamenei e, assim como o pai, ocupa o posto religioso de aiatolá, título reservado a clérigos de alto escalão no islamismo xiita.
Ele serviu no exército iraniano durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e, segundo relatos, teria liderado a milícia paramilitar Basij na repressão aos protestos que ocorreram no país em 2009, episódios que marcaram uma das maiores crises internas do regime.
Antes mesmo do início da atual guerra no Oriente Médio, Mojtaba já era citado como possível sucessor de Ali Khamenei, que governou o país por mais de três décadas, desde junho de 1989 até 28 de fevereiro deste ano, quando morreu durante os ataques conduzidos por forças americanas e israelenses.
De acordo com o Iran International, a escolha de Mojtaba Khamenei teria ocorrido sob pressão da Guarda Revolucionária, uma das instituições mais poderosas do Irã, responsável por proteger o regime e a República Islâmica, além de controlar importante aparato militar.
A Guarda Revolucionária, considerada uma força conservadora dentro do sistema político iraniano, foi recentemente classificada como organização terrorista por países como Estados Unidos, Israel, Argentina e Austrália, ampliando a tensão internacional em torno da sucessão no comando do país.
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