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Cooperação global para conter riscos da IA é “praticamente impossível”, avalia Rafael Coimbra, da MIT Technology Review

Publicado 23/09/2026 • 19:14 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Editor-chefe da MIT Technology Review Brasil vê dificuldade para conciliar Estados Unidos, China e Europa em torno de regras comuns para inteligência artificial.
  • Coimbra afirma que riscos cibernéticos e perda de controle são mais concretos do que cenários apocalípticos sobre a tecnologia.
  • Especialista destaca avanço dos modelos chineses, mais baratos e adaptáveis, na disputa global pela adoção de IA.

A construção de uma coordenação internacional capaz de conter os riscos da inteligência artificial esbarra hoje na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China e na falta de disposição das principais potências para desacelerar essa corrida. A avaliação é de Rafael Coimbra, editor-chefe da MIT Technology Review Brasil.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Coimbra analisou as declarações de Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, durante debates na ONU sobre os riscos e a governança da inteligência artificial.

Segundo ele, há espaço para medidas como ampliar o acesso de pesquisadores ao funcionamento dos modelos, mas propostas mais ambiciosas, como uma coalizão internacional para controlar o desenvolvimento da tecnologia, enfrentam obstáculos maiores.

“Conseguir conciliar esses gigantes é algo que hoje eu diria praticamente impossível”, afirmou.

Coimbra apontou que os Estados Unidos mantêm uma estratégia voltada à liderança da corrida tecnológica, enquanto a China também não demonstra intenção de desacelerar. A Europa, por sua vez, segue como um polo regulador, mas, na avaliação dele, não tem força suficiente para impor sozinha um modelo global de controle.

O especialista afirmou ainda que uma eventual desaceleração por empresas americanas poderia abrir mais espaço para concorrentes chineses.

“Se essas grandes empresas norte-americanas tirarem o pé do acelerador, o compasso vai mudar e a China, que tem se aproximado muito fortemente com modelos muito poderosos, mais eficazes do ponto de vista energético ou de preço de token, vai se aproximar ainda mais”, disse.

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Riscos concretos

Para Coimbra, o debate sobre inteligência artificial deve se concentrar menos em cenários de destruição da humanidade e mais em riscos sistêmicos já identificáveis.

“Não aquele tom apocalíptico que a gente viu nos últimos dias, que vai destruir a humanidade, os robôs tomando conta de tudo. Não se trata disso”, afirmou.

Entre os pontos de atenção, ele citou ataques cibernéticos, uso da tecnologia para fins biológicos e a possibilidade de perda de controle em sistemas cada vez mais autônomos.

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Coimbra destacou especialmente o chamado autoaperfeiçoamento recursivo, processo em que sistemas de inteligência artificial passam a aprender com eles próprios.

Segundo ele, o risco aumenta quando essa capacidade é combinada com sistemas agênticos, nos quais máquinas recebem maior autonomia para executar tarefas.

“Essa combinação explosiva pode, sim, se tornar um risco”, avaliou.

Apesar dos alertas apresentados por executivos do setor, Coimbra afirmou que ainda faltam mecanismos concretos para transformar o debate em controle efetivo.

“A gente está vendo uma repetição de, eu diria, três anos de discursos muito parecidos. Todo mundo diz que tem que fazer alguma coisa, acha que dá para fazer, mas, na hora de executar mesmo, está faltando processo”, disse.

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Estratégia chinesa

Coimbra também avaliou que a China segue uma estratégia diferente da americana para inteligência artificial.

Segundo ele, Pequim exerce forte controle sobre empresas e direciona o desenvolvimento tecnológico de acordo com interesses estatais, ao mesmo tempo em que promove modelos mais baratos, abertos e adaptáveis.

“A China está sendo muito mais pragmática, está enfiando IA no comércio, colocando IA em aplicações, inclusive de serviços públicos”, afirmou.

Na avaliação do especialista, essa estratégia pode ganhar força principalmente entre empresas que buscam soluções de menor custo e mais ajustáveis às operações do dia a dia.

“Os modelos chineses nisso estão levando vantagem em muitas frentes”, disse.

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