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Álvaro Machado

Diferenças demográficas devem redefinir o poder tecnológico global nas próximas décadas

Publicado 27/01/2026 • 13:52 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • Neurocientista Álvaro Machado Dias aponta no Real Time que o envelhecimento na China acelera a automação, enquanto a Índia tenta converter seu dividendo demográfico em produtividade.
  • Estados Unidos utilizam imigração qualificada via visto H-1B para compensar limitações populacionais e manter a liderança na disputa global por talentos tecnológicos.
  • Europa e Japão adotam posturas opostas na regulação da IA, com foco europeu em regras rígidas e pragmatismo japonês impulsionado pela necessidade de suporte social.

As transformações demográficas em grandes economias globais tendem a influenciar diretamente o desenvolvimento tecnológico, a regulação da inteligência artificial e a disputa por talentos. Para analisar esse cenário, o programa Real Time conversou com Álvaro Machado Dias, neurocientista, que avaliou como China, Índia, Brasil, Europa, Japão e Estados Unidos lidam de forma distinta com inovação diante de suas estruturas populacionais.

“Quando você muda a estrutura etária de um país, você muda completamente o tipo de tecnologia que ele desenvolve, como ele regula essa tecnologia e quem se beneficia dela”, afirmou Dias, ao destacar que demografia e inovação estão profundamente conectadas.

Segundo o neurocientista, a China enfrenta um rápido envelhecimento populacional, o que tem acelerado investimentos em automação e inteligência artificial para compensar a redução da força de trabalho. Esse movimento influencia tanto a velocidade de adoção tecnológica quanto a forma como o Estado regula essas ferramentas.

“A China está correndo para automatizar a economia porque não vai ter gente suficiente para sustentar o modelo atual”, explicou, ressaltando que a demografia funciona como um motor silencioso das decisões estratégicas.

No caso da Índia, o cenário é oposto. O país vive o chamado dividendo demográfico, com uma população jovem e numerosa, mas enfrenta o desafio de transformar esse potencial em produtividade real.

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“A Índia tem muita gente jovem, mas precisa criar empregos, qualificação e infraestrutura para que isso vire crescimento tecnológico”, disse Dias, apontando que o risco está em desperdiçar essa vantagem populacional.

Sobre o Brasil, o especialista avaliou que o país se encontra em uma posição intermediária, com janela demográfica ainda aberta, mas cada vez mais estreita.

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“O Brasil ainda tem tempo, mas precisa decidir rápido como vai usar esse capital humano”, afirmou, ao destacar que políticas públicas, educação e integração com cadeias globais de tecnologia serão determinantes.

Dias também comparou as abordagens regulatórias de Japão e Europa em relação à inteligência artificial, classificando-as como paradoxais. Enquanto o Japão adota uma postura mais pragmática diante do envelhecimento da população, a Europa tende a impor regras mais rígidas.

“Na Europa, a regulação vem antes da escala. No Japão, a necessidade social empurra a adoção”, disse, ao mostrar como a demografia influencia até mesmo o grau de tolerância ao risco tecnológico.

Nos Estados Unidos, o neurocientista destacou o papel do visto H-1B e da imigração qualificada como diferencial competitivo.

“A circulação global de talentos é um dos maiores ativos dos Estados Unidos”, afirmou, explicando que a capacidade de atrair profissionais estrangeiros ajuda o país a compensar limitações demográficas internas.

Para Dias, essas assimetrias populacionais e institucionais devem redesenhar o mapa do poder tecnológico global nas próximas décadas.

“Quem entender melhor sua demografia e alinhar isso à estratégia tecnológica vai sair na frente”, concluiu, ao apontar que inovação, população e política pública caminham de forma inseparável.

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Alvaro Machado

Álvaro Machado Dias é um neurocientista e futurista de reputação internacional. Ele é professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, membro do Painel Global de Tecnologia do MIT e fellow da Brain & Behavioral Sciences (Cambridge).

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