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Conheça a 6ª geração por trás do Fernet-Branca, marca que fatura US$ 500 milhões por ano
Publicado 15/03/2026 • 15:30 | Atualizado há 25 minutos
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Publicado 15/03/2026 • 15:30 | Atualizado há 25 minutos
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Foto: divulgação/Alcobrands
Conheça a 6ª geração por trás do Fernet-Branca, marca que fatura US$ 500 milhões por ano
Em meio à chegada de cerca de 100 mil visitantes para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, Aperol Spritz, Negronis e Espresso Martinis são servidos nos bares da cidade. Além deles, uma marca tradicional aproveita o palco global para reforçar sua presença, o Fernet-Branca.
À frente do negócio está a sexta geração da família Branca, que mantém há 180 anos o controle da empresa fundada em 1845, segundo a Forbes.
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Criada em Milão por Bernardino Branca, a destilaria nasceu com um produto singular, um amaro elaborado com 27 ervas e especiarias. O licor, inicialmente utilizado como digestivo medicinal, atravessou gerações até se tornar um dos rótulos italianos mais reconhecidos no mundo.
Hoje, a empresa segue sob comando familiar. O presidente e CEO Niccolò Branca, de 69 anos, lidera a companhia desde 1999, quando sucedeu o pai, Pierluigi.
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O lema repetido internamente resume a filosofia do grupo: pensar sempre na próxima geração. A venda do negócio não está nos planos, e o objetivo declarado é preservar a independência e a identidade histórica.
Segundo Edoardo Branca, representante da 6ª geração da família Branca, para o site Insidehook, os primeiros registros de venda do Fernet-Branca nos Estados Unidos datam do final do século XIX, em São Francisco.
No início dos anos 2000, a comunidade de bartenders da cidade adotou o amaro como bebida preferida durante o expediente, geralmente servido com refrigerante de gengibre ou cerveja de gengibre.
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Antes de se tornar um ícone dos coquetéis artesanais, o Fernet-Branca tinha finalidade medicinal. Na Itália, era vendido em farmácias até a década de 1930 e usado em hospitais como anticolérico para pacientes desidratados.
Durante a Guerra Civil Americana, chegou a ser comercializado como xarope para tosse e, durante a Lei Seca, foi produzido em Tribeca, Nova York, como medicamento.
Após o 11 de setembro, a empresa encerrou suas operações nos EUA, mantendo apenas a produção na Argentina, onde o Fernet-Branca conquistou status quase cult, especialmente quando misturado à Coca-Cola, no famoso Fernet con cola.
Em 2019, a Fernet-Branca voltou a Nova York com a criação da Branca USA, subsidiária integral da Fratelli Branca, que agora atua como própria importadora e distribuidora da marca.
A sede foi inaugurada no 42º andar do histórico Edifício General Electric, em Midtown Manhattan. Edoardo Branca explica que Nova York foi escolhida por já ter uma presença consolidada, proporcionando uma conexão histórica com a cidade e facilitando a relação com bartenders e clientes.
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O escritório combina modernidade e tradição. Pôsteres antigos do Fernet-Branca aguardam para serem pendurados, enquanto duas bicicletas de estrada com a marca estão estacionadas logo na recepção.
Garrafas de Fernet, Carpano Antica Formula e outros produtos do portfólio estão organizadas em carrinhos e prateleiras, e um bar interno será instalado em breve para degustações e demonstrações. A disposição remete a um típico café italiano, com máquinas de expresso próximas aos licores.
Embora Edoardo conheça partes da fórmula, a receita completa do Fernet-Branca permanece sob responsabilidade de seu pai, Niccolò.
Um pequeno cofre com ervas na fábrica de Milão é acessado apenas a cada 15 dias, garantindo sigilo e preservação da tradição centenária. A família prepara também a sétima geração, representada pela filha de Edoardo, que poderá escolher seguir ou não os passos do negócio familiar.
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Em 2026, com a celebração do 175º aniversário da marca, será lançada uma edição limitada de 175 moedas numeradas para o mercado americano, fortalecendo a conexão da marca com seus seguidores e mantendo vivo o legado familiar do Fernet-Branca.
A estratégia adotada nas últimas décadas priorizou a expansão internacional e o fortalecimento de marca, o resultado aparece nos balanços.
A Fratelli Branca registra faturamento anual de US$ 500 milhões (mais de R$ 2 bilhões), sendo a maior parte proveniente do Fernet-Branca. A estimativa de valor de mercado gira em torno de US$ 1,2 bilhão, mais de R$ 6 bilhões.
O controle permanece 100% nas mãos de oito integrantes da família, com Niccolò como acionista majoritário. Em 2024, a holding familiar apresentou lucro líquido de 13% e dívida reduzida a US$ 1,8 milhão. Os ativos totais somam aproximadamente US$ 800 milhões.
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Cerca de 90% da receita vem de fora da Itália, o que coloca a empresa entre as que mais geram receitas internacionais no país. Ao mesmo tempo, essa forte presença externa expõe o grupo às tarifas americanas, que elevam custos e aumentam a complexidade operacional.
Um dos principais concorrentes é o Campari Group, fabricante de Campari, Aperol e Grand Marnier, com faturamento anual de US$ 3 bilhões, em média mais de R$ 1 bilhão. O mercado costuma avaliar empresas do setor em múltiplos de receita semelhantes aos aplicados à Branca.
Nos Estados Unidos, o segmento de amaro movimenta US$ 2,8 bilhões por ano. O Fernet apresenta crescimento anual composto de 4% nos últimos cinco anos, mesmo diante da retração geral do consumo de bebidas alcoólicas.
Aperitivos e amaros figuram entre as categorias que mais avançaram no período, impulsionados pela cultura dos coquetéis.
A expansão ganhou força no início dos anos 2000. Em 2001, a empresa incorporou as marcas Carpano e Caffè Borghetti, ampliando o portfólio para vermutes tradicionais como Punt e Mes e Antica Formula, além do destilado de café expresso criado em 1860. O grupo também inclui grappa, sambuca, brandy, vodca e vinhos.
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A produção ocorre nos arredores de Milão e também na Argentina. O país sul-americano tornou-se o segundo maior mercado internacional de digestivos, impulsionado pela popular combinação de Fernet com Coca-Cola.
A relevância local foi reforçada durante os Jogos, quando integrantes da delegação argentina visitaram a sede histórica e o Museu Branca.
A transição para a sexta geração já está em curso. Edoardo Branca, de 43 anos, iniciou carreira como gerente de exportação em 2009.
Em 2019, mudou-se para Nova York para liderar a expansão nos Estados Unidos. Três anos depois, assumiu a direção da Branca USA, braço de distribuição criado para fortalecer a presença no mercado americano.
A nova geração aposta na combinação entre tradição e adaptação. Campanhas clássicas das décadas de 1950 e 1960 voltaram a ser utilizadas como estratégia de comunicação.
Ao mesmo tempo, a família estuda investir em bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool e avalia a abertura de uma nova fábrica na Europa ou na Ásia.
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Manter o controle familiar por seis gerações não ocorreu sem desafios, divergências internas existiram ao longo do tempo, mas a diretriz central permanece alinhada ao propósito do fundador da Fernet-Branca. A meta é garantir continuidade por pelo menos mais duas gerações.
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