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Juros nos EUA: Autoridade do Fed pede paciência e quer prova de recuo da inflação

Publicado 06/03/2026 • 19:13 | Atualizado há 5 horas

KEY POINTS

  • Susan Collins, presidente do Fed de Boston, disse que não há pressa para alterar os juros enquanto o banco central monitora a evolução da inflação.
  • A dirigente afirmou que buscará “evidências claras” de que os preços caminham de forma duradoura para a meta de 2% antes de apoiar mudanças na política monetária.
  • Mesmo com desemprego em 4,4%, Collins apontou incertezas econômicas, riscos inflacionários e efeitos de tarifas comerciais e tensões geopolíticas.

A dirigente do Federal Reserve (Fed) Susan Collins

A dirigente do Federal Reserve (Fed) Susan Collins, que preside a unidade do banco central em Boston, afirmou nesta sexta-feira (6) que a autoridade monetária deve manter a política de juros como está por enquanto, enquanto avalia com mais segurança se a inflação nos Estados Unidos realmente caminha de forma sustentada para a meta oficial de 2%.

Em discurso preparado, Collins declarou que “não vê urgência para ajustes adicionais de política” e ressaltou que pretende “buscar evidências claras de que a inflação está se movendo de forma duradoura para a meta de 2%” estabelecida pelo Federal Reserve.

A dirigente avaliou ainda que a política monetária atual está bem posicionada, acrescentando que as taxas de juros devem permanecer moderadamente restritivas por algum tempo, enquanto o banco central acompanha a evolução dos indicadores econômicos.

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No mercado de trabalho, Collins observou que a taxa de desemprego de 4,4% em fevereiro continua baixa em termos históricos e permaneceu relativamente estável nos últimos meses, indicando um cenário ainda sólido.

Ela destacou, porém, que 2025 registrou sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, principalmente por causa da desaceleração nas contratações, embora o quadro geral continue equilibrado.

Para 2026, Collins projeta crescimento econômico sólido, sustentado por condições financeiras favoráveis, cortes de impostos e investimentos empresariais, incluindo gastos relacionados à inteligência artificial. Mesmo assim, ela acredita que a criação de empregos pode seguir moderada, embora exista espaço para alguma aceleração após o período recente de contratações mais fracas.

No campo da inflação, a dirigente alertou que as perspectivas seguem incertas e com riscos de alta. Segundo ela, tarifas comerciais recentes já pressionaram os preços de bens, e novos aumentos tarifários poderiam intensificar essas pressões inflacionárias.

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Apesar desses fatores, Collins afirmou esperar que a inflação diminua gradualmente ao longo do tempo. Em seu cenário-base, o processo de desinflação deve retomar ainda este ano, embora a demanda possa continuar pressionando os preços e retardar o retorno à meta de 2%.

Perspectivas econômicas incertas

A presidente do Federal Reserve de Boston afirmou que as perspectivas econômicas dos Estados Unidos continuam cercadas por incertezas, agravadas por fatores recentes como tensões geopolíticas e hostilidades no Oriente Médio.

De acordo com Collins, o crescimento econômico em 2025 foi mais forte do que muitos analistas esperavam, mesmo diante de obstáculos como mudanças em políticas tarifárias, restrições à imigração e um prolongado shutdown do governo.

Ela ressaltou, contudo, que diferentes segmentos da economia enfrentam condições distintas, observando que famílias de renda mais baixa continuam sob maior pressão financeira.

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Apesar da expansão da atividade econômica, o mercado de trabalho mostrou moderação ao longo do último ano. Collins destacou que a criação de empregos ficou bem abaixo do ritmo observado em anos anteriores, mesmo sem a economia ter entrado em recessão.

Segundo a dirigente, parte desse movimento pode refletir tanto o ambiente de incerteza econômica quanto ganhos de produtividade nas empresas. Ela citou avanços tecnológicos, incluindo inteligência artificial, automação e melhorias em processos produtivos, como fatores que têm aumentado a eficiência das operações.

Na avaliação de Collins, a produtividade do trabalho passou a crescer mais rapidamente desde a pandemia de covid-19, superando o ritmo observado antes da crise sanitária. Para ela, essas mudanças refletem transformações tecnológicas e organizacionais em diversas empresas.

A dirigente concluiu afirmando que ainda é cedo para medir totalmente os efeitos dessas transformações, especialmente em relação ao impacto futuro sobre a demanda por mão de obra.

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