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Operações da PF

Veja os seis imóveis de luxo que foram pagos como propina por Vorcaro ao ex-presidente do BRB

Publicado 16/04/2026 • 10:42 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • PF rastreou seis imóveis de luxo em São Paulo e Brasília avaliados em R$ 146,5 milhões como propina ao ex-presidente do BRB.
  • Pagamentos superiores a R$ 74,6 milhões já foram rastreados pela investigação em empreendimentos de altíssimo padrão.
  • Imóveis foram registrados em nome de seis empresas de fachada para ocultar vínculo com Paulo Henrique Costa.
Arbórea fica na Avenida Cidade Jardim, 993, no Jardim Paulistano. Empreendimento da Benx Incorporadora, com arquitetura assinada por Pablo Slemenson e interiores pelo escritório Lissoni, de Nova York e Milão. Plantas de 472 m² a 1.070 m²

Divulgação: BENX

Arbórea fica na Avenida Cidade Jardim, 993, no Jardim Paulistano. Empreendimento da Benx Incorporadora, com arquitetura assinada por Pablo Slemenson e interiores pelo escritório Lissoni, de Nova York e Milão. Plantas de 472 m² a 1.070 m²

A Polícia Federal mapeou seis imóveis de alto padrão em São Paulo e em Brasília que teriam sido destinados ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, como pagamento de propina pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

O valor total acordado chegaria a R$ 146,5 milhões, segundo consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça que decretou a prisão preventiva de Costa nesta quinta-feira (16).

Os pagamentos rastreados até agora pela investigação superam R$ 74,6 milhões. O restante não foi transferido porque Vorcaro, ao tomar conhecimento de que o Ministério Público Federal havia aberto procedimento sigiloso para investigar exatamente esse esquema, ordenou que tudo fosse paralisado.

Leia também: Qual era o papel de Daniel Monteiro, advogado preso hoje junto com ex-presidente do BRB

Imóveis em São Paulo

Quatro dos seis imóveis ficam em São Paulo, todos em bairros nobres da capital paulista.

O Heritage fica na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 1.200, no Itaim Bibi. Empreendimento da Cyrela com design assinado pela Pininfarina, empresa italiana conhecida pelo trabalho com marcas de automóveis de luxo. Torre única com um apartamento por andar, unidades a partir de 570 m² e vista panorâmica de 360 graus.

Foto da fachada do Heritage, com apartamentos de 570 metros quadrados; divulgação Cyrela

O One Sixty fica na Rua Michel Milan, 107, esquina com a Rua Quatá, 804, na Vila Olímpia. Projeto da Cyrela com design do escritório britânico YOO, do arquiteto Philippe Starck. Torre única com 56 apartamentos e plantas entre 275 m² e 343 m². O salão de festas tem lustre Baccarat assinado pelo próprio Starck.

Edifício One Sixty, com apartamentos de 343 m², também usado como pagamento de propina no esquema do Banco BRB com o Master; divulgação Cyrela

O Arbórea fica na Avenida Cidade Jardim, 993, no Jardim Paulistano. Empreendimento da Benx Incorporadora, com arquitetura assinada por Pablo Slemenson e interiores pelo escritório Lissoni, de Nova York e Milão. Plantas de 472 m² a 1.070 m². A cobertura do empreendimento foi listada como um dos apartamentos mais caros de São Paulo, com valor de R$ 140 milhões.

Arbórea da Benx no esquema BRB Master
Divulgação: BENX
Arbórea, no Jardim Paulistano, também no esquema de propina de Paulo Roberto Costa e Daniel Vorcaro; divulgação BENX

O Casa Lafer fica no Itaim Bibi, a poucos passos do Parque do Povo e do shopping JK Iguatemi. O empreendimento tem apenas uma unidade por andar, com apartamentos de 424 m² privativos, 4 suítes, depósito privativo e 5 vagas de garagem. O living tem pé-direito de 3 metros e a suíte master oferece opção de banheiros unificados com acabamentos de altíssimo padrão.

O projeto arquitetônico é assinado por Pablo Slemenson e os interiores foram concebidos por Patricia Anastassiadis. O lobby tem pé-direito de 7 metros. A área de lazer inclui piscina climatizada com raia de 20 metros, fitness, spa com sauna úmida e sala de massagem, salão de festas e brinquedoteca. O sistema de segurança opera com clausuras independentes para veículos e pedestres.

Piscina interna do empreendimento Casa Lafer, Itaim Bibi; Divulgação

Imóveis em Brasília

Dois imóveis ficam no Distrito Federal. O Ennius Muniz fica na SQNW 105, Bloco D, no Setor Noroeste, com vista para o Parque Burle Marx. Empreendimento da construtora brasiliense Conbral, com 24 apartamentos de 4 suítes e plantas de 291 m² a 590 m². Apartamentos chegam a valer R$ 5 milhões.

O Ennius Muniz na SQNW 105, Bloco D, no Setor Noroeste; divulgação Conbral

O Valle dos Ipês fica no Jardim Botânico, em condomínio fechado próximo a uma reserva natural permanente. Empreendimento da Base Incorporações, com plantas de 147 m² a 846 m², incluindo townhouses e penthouses, que custam em média R$ 7,5 milhões.

Valle dos Ipês no Jardim Botânico, em Brasília; foto Divulgação

Empresas de fachada e ocultação de propina

Nenhum dos imóveis foi registrado diretamente no nome de Paulo Henrique Costa. Para cada um, foi constituída uma empresa distinta: Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano. Todas foram originalmente criadas com capital irrisório, tiveram razão social, sede, objeto e diretor alterados em curto espaço de tempo e depois receberam aportes compatíveis com o valor dos bens.

Os recursos para as aquisições vieram de fundos de investimento geridos pela REAG, repassados para as empresas-veículo. O cunhado do advogado Daniel Lopes Monteiro, Hamilton Edward Suaki, foi apontado como diretor fictício dessas empresas, com endereço registrado na sede do próprio escritório Monteiro Rusu.

Cronograma pessoal de propina

A decisão do STF mostra que os imóveis eram tratados internamente como o “cronograma pessoal” de Paulo Henrique Costa. Segundo as investigações, Costa visitava os apartamentos, validava as escolhas, cobrava o andamento das aquisições por mensagens de WhatsApp e chegou a pedir que o campo de adquirente de um dos imóveis fosse deixado em branco, sob a justificativa de estar montando uma holding familiar.

Para a PF, esse detalhe reforça a consciência do ex-presidente do BRB sobre o caráter oculto de toda a operação.

Esquema da propina no caso BRB e Banco Master Diagrama estático mostrando o fluxo da propina desde Daniel Vorcaro até Paulo Henrique Costa. Frente da propina Como o dinheiro chegou até Paulo Henrique Costa Daniel Vorcaro Banqueiro dono do Banco Master combina pagamento Daniel Lopes Monteiro Advogado · escritório Monteiro Rusu monta estrutura societária Seis empresas de fachada Allora · Lenore · Stanza · Domani · Chesapeake · Milano adquirem imóveis via fundos REAG Seis imóveis de luxo · R$ 146,5 milhões Heritage · Itaim Bibi, SP One Sixty · Vila Olímpia, SP Arbórea · Jardim Paulistano, SP Casa Lafer · Itaim Bibi, SP Ennius Muniz · Noroeste, DF Valle dos Ipês · Jardim Botânico, DF R$ 74,6 milhões já pagos destinados a Paulo Henrique Costa Ex-presidente do BRB operação travada Bloqueio — maio de 2025 MPF abre investigação sigilosa Vorcaro ordena paralisação · escrituras retidas no escritório 16 de abril de 2026 STF decreta prisão de Costa e Monteiro · 4ª fase da Operação Compliance Zero Times Brasil | CNBC · Allan Ravagnani

Próximos passos

Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Lopes Monteiro serão submetidos a audiências de custódia em até 24 horas.

O juiz responsável poderá verificar apenas aspectos formais das prisões, sem poder rever os fundamentos nem determinar soltura. Qualquer liberação depende de decisão do próprio relator André Mendonça. As prisões preventivas ainda serão submetidas ao referendo da Segunda Turma do STF em sessão virtual.

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