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Operações da PF

Como Paulo Henrique Costa usou o BRB para blindar o esquema criminoso do Banco Master; veja os detalhes

Publicado 16/04/2026 • 12:29 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Paulo Henrique Costa sabia das inconsistências nas carteiras do Banco Master desde o final de 2024 e ainda assim acelerou as compras.
  • BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado falsas do Banco Master em operação investigada pela PF.
  • Ex-presidente do BRB ignorou pareceres jurídicos, alertas de risco e relatórios internos para manter negócio com Daniel Vorcaro.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

Montagem/Times Brasil

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça que decretou a prisão preventiva do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa vai muito além da propina em imóveis. O documento assinado por Mendonça descreve, com base em mensagens de WhatsApp e documentos apreendidos pela PF, como Costa colocou a presidência do banco público do Distrito Federal a serviço do Banco Master, mesmo depois de saber que as carteiras compradas eram fraudulentas.

Segundo as investigações, a atuação de Costa não foi um erro isolado de governança. O que a PF descreveu no relatório é uma sequência deliberada de decisões tomadas para preservar o negócio com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O esquema do BRB e do Banco Master

Duas frentes, um beneficiário — clique em cada etapa para mais detalhes

Frente das carteiras falsas





Frente da propina





Paulo Henrique Costa

Ex-presidente do BRB — elo entre as duas frentes do esquema

Linha do tempo

Final de 2024

Costa sabia das inconsistências e acelerou as compras

Fev/2025

BRB cria Grupo de Trabalho para apurar discrepâncias

Abr/2025

MPF abre procedimento sigiloso sobre a propina

Mai/2025

Vorcaro manda travar pagamentos e guardar escrituras

Jun/2025

BRB confirma R$ 12,2 bi em carteiras falsas e continua comprando

Nov/2024

Costa é demitido pelo governador Ibaneis Rocha

16/abr/2026

STF decreta prisão de Costa e de Daniel Monteiro
Times Brasil | CNBC  •  Allan Ravagnani

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Carteiras falsas e pressa anormal no BRB

O Banco Master usava a empresa Tirreno, ligada à Cartos, como originadora aparente de créditos consignados. Essas carteiras eram depois repassadas ao BRB.

O Banco Central identificou inconsistências graves nas Cédulas de Crédito Bancário emitidas, incompatíveis com operações reais, e comunicou imediatamente o Ministério Público Federal.

Internamente, o Banco Master mantinha uma verdadeira linha de produção de documentos falsos: planilhas, contratos, extratos, procurações e cláusulas de mandato fabricados para dar aparência de legitimidade a ativos sem lastro. Havia ajustes manuais de extratos, documentos antedatados e procurações atípicas assinadas por agentes do banco em substituição aos supostos tomadores de crédito.

Alertas ignorados

As conversas extraídas do celular de Costa com o então diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB, Dário Oswaldo Garcia Junior, mostram que o ex-presidente sabia das inconsistências desde o final de 2024. Ainda assim, as aquisições foram aceleradas.

Segundo a decisão do STF, Costa aceitou sucessivas alterações nos termos das operações, priorizou pagamentos no mesmo dia, flexibilizou limites internos e segmentou compras em parcelas menores para evitar o reinício do rito ordinário de aprovação.

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Pareceres jurídicos contrários foram desconsiderados. Registros da Diretoria de Riscos foram ignorados. Relatórios do Grupo de Trabalho criado em fevereiro de 2025 para apurar discrepâncias nas carteiras, que apontavam ausência de repasses, problemas de averbação, inexistência de documentos comprobatórios, padronização anômala e relatos de clientes que sequer reconheciam as contratações, também foram deixados de lado.

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BRB continuou comprando mesmo após descoberta da fraude

O ponto mais grave descrito na decisão de Mendonça é que, mesmo após junho de 2025, quando o BRB já tinha constatado ter adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição persistiu na parceria e seguiu comprando novos ativos do mesmo banco.

Os alertas internos produzidos desde abril de 2025 foram conscientemente desconsiderados. Para a PF, esse comportamento afasta qualquer interpretação de negligência administrativa e aponta para adesão deliberada ao esquema.

Esquema da propina no caso BRB e Banco Master Diagrama estático mostrando o fluxo da propina desde Daniel Vorcaro até Paulo Henrique Costa.

Frente da propina Como o dinheiro chegou até Paulo Henrique Costa

Daniel Vorcaro Banqueiro dono do Banco Master

combina pagamento

Daniel Lopes Monteiro Advogado · escritório Monteiro Rusu

monta estrutura societária

Seis empresas de fachada Allora · Lenore · Stanza · Domani · Chesapeake · Milano

adquirem imóveis via fundos REAG

Seis imóveis de luxo · R$ 146,5 milhões Heritage · Itaim Bibi, SP One Sixty · Vila Olímpia, SP Arbórea · Jardim Paulistano, SP Casa Lafer · Itaim Bibi, SP Ennius Muniz · Noroeste, DF Valle dos Ipês · Jardim Botânico, DF

R$ 74,6 milhões já pagos destinados a

Paulo Henrique Costa Ex-presidente do BRB

operação travada

Bloqueio — maio de 2025 MPF abre investigação sigilosa Vorcaro ordena paralisação · escrituras retidas no escritório

16 de abril de 2026 STF decreta prisão de Costa e Monteiro · 4ª fase da Operação Compliance Zero

Times Brasil | CNBC · Allan Ravagnani

Prejuízo ainda sem dimensão final

O BRB ainda não calculou o prejuízo total gerado pela operação. O banco adiou a divulgação do balanço de 2025 justamente para apurar o impacto completo das aquisições fraudulentas. O rombo bilionário recai sobre uma instituição pública do Distrito Federal, cujos recursos pertencem ao erário.

Costa havia sido afastado pela Justiça do comando do BRB e demitido pelo então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, do MDB, em novembro de 2024, após a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Próximos passos

Costa será submetido a audiência de custódia em até 24 horas. O juiz responsável poderá verificar apenas aspectos formais da prisão, sem poder rever os fundamentos nem determinar soltura. Qualquer liberação depende de decisão do próprio relator André Mendonça. A prisão preventiva ainda será submetida ao referendo da Segunda Turma do STF em sessão virtual.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que a prisão é injusta.

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