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Brasil pode receber gás argentino via Bolívia e Gasbol; entenda
Publicado 08/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
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Foto: unsplash
Brasil pode receber gás argentino via Bolívia e Gasbol; entenda
O Brasil pode receber gás natural produzido em Vaca Muerta, na Argentina, por meio de uma rota que passa pela Bolívia e utiliza o Gasbol, o Gasoduto Bolívia-Brasil. A alternativa aproveita a infraestrutura existente e pode evitar, ao menos inicialmente, a necessidade de construir um novo gasoduto de longa distância entre os dois países.
A possibilidade foi apontada por Daniel Valencio, vice-presidente da Tecpetrol, em entrevista exclusiva para Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo o executivo, o crescimento da produção argentina ocorre ao mesmo tempo em que a Bolívia enfrenta queda na oferta de gás e o Brasil mantém uma demanda relevante pelo combustível.
A rota começa em Vaca Muerta, formação de petróleo e gás não convencional localizada principalmente na província argentina de Neuquén. Com o aumento da produção, a região passou a gerar excedentes que podem ser direcionados para outros mercados.
O gás seguiria pela infraestrutura argentina até o Gasoduto Presidente Néstor Kirchner e, depois, pelo Gasoduto Norte. Obras de reversão de fluxo no Gasoduto Norte permitem que o combustível avance em direção ao norte argentino, chegando à fronteira com a Bolívia.
A partir daí, o gás entraria na rede boliviana. A YPFB, estatal de petróleo e gás do país, atuaria no transporte mediante a cobrança de uma tarifa de trânsito.
Depois de atravessar a Bolívia, o produto poderia chegar ao Brasil por Corumbá, em Mato Grosso do Sul. No país, os volumes entrariam no Gasbol e poderiam seguir para os mercados consumidores do Centro-Sul e do Sudeste. A proposta transforma parte da infraestrutura regional em um corredor para o gás argentino.
A possibilidade ganhou força com a redução da produção de gás natural da Bolívia. Além disso, o declínio natural dos campos bolivianos diminuiu os volumes enviados historicamente ao Brasil e deixou capacidade disponível no Gasbol.
Ao mesmo tempo, Vaca Muerta ampliou sua produção e passou a buscar alternativas para exportar o excedente. Para Valencio, o gás argentino pode competir com o GNL importado por navios, dependendo dos custos envolvidos no transporte até o consumidor brasileiro.
Assim, a infraestrutura que durante anos ajudou a levar gás boliviano ao Brasil pode assumir uma nova função no abastecimento regional.
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Siga o Times | CNBCApesar do potencial, a utilização da rota depende da viabilidade econômica. O preço do gás na origem não é suficiente para garantir uma vantagem no mercado brasileiro.
O custo final inclui o transporte na Argentina, o trânsito pela Bolívia e o uso da infraestrutura brasileira. Por isso, a tarifa cobrada pela Bolívia será um dos principais fatores para determinar se o produto conseguirá competir com o GNL no Brasil.
A indústria aparece como um dos principais mercados potenciais. Setores como química, fertilizantes, siderurgia e cerâmica estão entre os consumidores que podem se beneficiar de uma oferta maior e mais diversificada de gás natural.
Outro ponto de atenção é a demanda argentina durante o inverno no Hemisfério Sul. Nesse período, o consumo doméstico aumenta e o mercado interno ganha prioridade, o que pode limitar a disponibilidade de gás para exportação.
Por isso, contratos com maior previsibilidade e garantia de entrega podem ser importantes para empresas brasileiras que dependem de fornecimento contínuo.
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Caso a operação avance, os volumes argentinos poderão alcançar mercados como São Paulo e Rio de Janeiro por meio do Gasbol. A nova alternativa também pode aumentar a flexibilidade do sistema brasileiro, permitindo combinar gás argentino, produção nacional e GNL importado.
A discussão ocorre durante a Missão Empresarial Argentina e Brasil, realizada entre 7 e 11 de setembro, com mais de 90 companhias dos dois países. A iniciativa aborda energia, investimentos, indústria e integração das cadeias produtivas.
Nesse cenário, Vaca Muerta pode ganhar um papel maior no abastecimento brasileiro, enquanto Bolívia e Gasbol funcionariam como parte da rota para conectar a produção argentina aos consumidores do país.
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