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Cabotagem aérea na Amazônia pode ampliar integração regional

Publicado 24/04/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A liberação da cabotagem aérea na Amazônia Legal pode trazer maior integração regional, mas carrega riscos de desequilíbrios competitivos e regulatórios, especialmente na questão trabalhista, disse Marcus Quintella.
  • Ele ressaltou que o projeto de lei, ao permitir que empresas sul-americanas operem com regras de seus países de origem, cria uma desigualdade com as nacionais.
  • Para o especialista, a entrada de novas empresas não garante uma redução imediata nos preços, devido aos gargalos logísticos severos da região Norte.

A liberação da cabotagem aérea na Amazônia Legal pode trazer maior integração regional, mas carrega riscos de desequilíbrios competitivos e regulatórios, especialmente na questão trabalhista, disse Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Ele ressaltou que o projeto de lei, ao permitir que empresas sul-americanas operem com regras de seus países de origem, cria uma desigualdade com as nacionais: “As regras que querem ser praticadas são as dos países que vão entrar aqui. É preciso discutir mais esse ponto, pois carecemos de uma política regional de aviação com subsídios e transparência nas rotas essenciais, mantendo nossas companhias saudáveis e gerando empregos no país”.

Para o especialista, a entrada de novas empresas não garante uma redução imediata nos preços, devido aos gargalos logísticos severos da região Norte: “O maior problema na Amazônia é o combustível de aviação (QAV), que sofre impacto mundial. O abastecimento lá é eminentemente fluvial e rodoviário, feito por barcaças e caminhões que trafegam em estradas precárias e sofrem com a sazonalidade das cheias, o que torna o insumo extremamente caro e limita a estocagem”.

Marcus Quintella explicou que a baixa densidade da malha aérea não é apenas falta de vontade das empresas, mas uma questão de viabilidade econômica: “Existe um contexto sistêmico de oferta, demanda e custos operacionais. É necessário entender se haverá atratividade efetiva para essas estrangeiras, visto que as margens das companhias regionais são pequenas e o custo logístico para operar em regiões remotas precisa ser precificado corretamente na tarifa”.

Por fim, o diretor da FGV Transportes defendeu que qualquer abertura de mercado deve vir acompanhada de uma fiscalização rigorosa pela ANAC: “Para essas empresas entrarem, deve haver uma certificação clara de tripulação, manutenção, segurança operacional, seguros e direitos do consumidor. Tudo isso tem que estar perfeitamente encaixado na nossa legislação para evitar que a busca por acessibilidade resulte em prejuízos à segurança e ao mercado nacional”.

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