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Amiga de Lulinha enviou a ex-chefe de gabinete de Lula contrato para venda de canabidiol ao governo

Publicado 18/08/2026 • 19:21 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu de Roberta Luchsinger um modelo de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
  • Empresária havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, para tentar viabilizar o negócio e recebeu R$ 1,5 milhão, segundo a investigação.
  • Ministério da Saúde diz que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que a atual gestão nunca discutiu a compra ou oferta do produto.

Reprodução / Canva

Desesperada, a amiga de Lulinha exigiu proteção imediata e afirmou que não será deixada de lado e não cairá sozinha.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), recebeu por WhatsApp um modelo de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com previsão de dispensa de licitação, segundo informações reunidas pela Polícia Federal.

O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. À época, ela buscava viabilizar uma operação envolvendo o fornecimento do medicamento à pasta, mas o negócio não avançou. A informação foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo jornal O Globo.

Marcola confirmou a interlocutores ter recebido o documento, mas afirmou que não o encaminhou. Ele também teria reconhecido que o recebimento foi inadequado, embora sustente que não houve favorecimento.

Leia também: Mendonça autoriza segundo inquérito sobre Lulinha, agora por suspeita de atuação na Dataprev

Empresária recebeu R$ 1,5 milhão do “Careca do INSS”

Roberta Luchsinger havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para atuar na tentativa de viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Segundo a investigação, a empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes, divididos em cinco parcelas de R$ 300 mil.

O objetivo seria fazer com que os medicamentos fossem adquiridos pelo governo federal e disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Antunes está preso e é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

O negócio envolvendo o canabidiol não foi concretizado.

Mensagem aparece em investigação que envolve Lulinha

O envio do documento a Marcola aparece em uma das investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e alcançam Roberta e Lulinha.

O filho do presidente é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das frentes analisadas pela PF envolve justamente a relação dele com a empresária.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que os dois conversavam sobre negócios. Em um dos diálogos, de março de 2024, Roberta afirmou que os dois trabalhavam em “outro nível” e escreveu que o futuro deles seria a Suíça.

“Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”, escreveu.

Lulinha respondeu: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.

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Os dois negam ter cometido irregularidades.

Em outra mensagem, Lulinha afirmou ter participado de reuniões com Marcola e com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Naquele período, Marcola trabalhava no gabinete presidencial e atuava na organização da agenda de Lula com parlamentares, ministros e empresários.

PF também apura repasses entre Roberta e Marcola

A relação entre Roberta e o ex-chefe de gabinete também aparece na investigação por causa de transferências financeiras e pagamentos feitos pela empresária.

Segundo os elementos reunidos no inquérito, Roberta teria pago boletos e comprado presentes a pedido de Marcola. Entre os episódios citados está a aquisição de duas joias destinadas a familiares dele no Dia das Mães de 2024.

A fatura das peças foi de R$ 9,2 mil.

Marcola afirma que recebeu, ao todo, R$ 217 mil de Roberta e que posteriormente devolveu R$ 249 mil, valor que, segundo ele, incluía correção pela inflação.

Leia também: Empresa ligada a suposto lobby do filho de Lula recebeu R$ 85,7 milhões em contratos com o governo

Ministério diz que nunca discutiu compra

O Ministério da Saúde afirmou ao jornal que nunca houve possibilidade de aquisição do canabidiol porque o produto não está incorporado ao SUS.

Segundo a pasta, não existe contrato para o fornecimento do medicamento e a atual gestão nunca discutiu sua disponibilização na rede pública.

A defesa de Lulinha disse que confia nas instâncias responsáveis pela apuração e que se manifestará nos autos após ter acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo.

Os advogados também criticaram a divulgação de trechos das mensagens e disseram que pedirão investigação caso seja constatada violação do dever de sigilo funcional.

A defesa de Roberta Luchsinger informou que o processo tramita sob sigilo e que não se manifestaria sobre o conteúdo das mensagens.

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