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Aima prepara expansão no Brasil e aposta na produção nacional de motos elétricas
Publicado 18/08/2026 • 18:58 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/08/2026 • 18:58 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O menor custo de manutenção, o avanço da infraestrutura de recarga e a adaptação dos veículos às necessidades brasileiras devem ampliar o espaço das motos e bicicletas elétricas no país, segundo Marisol Yao, diretora comercial da Aima no Brasil. A fabricante chinesa também prepara uma nova etapa de sua operação, com o início da montagem de veículos em Manaus em setembro e as primeiras entregas nacionais previstas para novembro.
Em entrevista nesta terça-feira (18) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Yao afirmou que a eletrificação encontra espaço especialmente entre consumidores que buscam alternativas de mobilidade mais acessíveis. “O mercado brasileiro requer vários espaços que tenham necessidade de mobilidade acessível. E a elétrica vem trazendo o custo-benefício de manutenção e produtos de custos mais acessíveis”, explicou.
A executiva destacou que a empresa atua há oito anos no mercado brasileiro e vem modificando seus produtos à medida que conhece melhor as necessidades locais. “A gente está há oito anos no mercado, cada dia entendendo melhor o produto que o mercado necessita, e vem aprimorando para o mercado brasileiro cada vez mais”, afirmou.
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Na comparação direta com motocicletas movidas a combustíveis, Yao considera que os modelos elétricos já conseguem competir em determinados segmentos, principalmente entre veículos de menor potência destinados a trajetos curtos.
“Se forem produtos de baixa potência, sim, para uso de curta distância. Por exemplo, o entregador de delivery”, afirmou. Para esse público, porém, a disponibilidade de energia continua sendo uma questão importante, e a executiva apontou a troca de baterias como uma das alternativas.
Segundo Yao, empresas parceiras já estão ampliando esse tipo de infraestrutura. “Hoje grandes parceiros estão colocando estações de recarga para troca de bateria”, destacou.
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A diretora da Aima considera que a rede disponível no Brasil ainda está em processo de expansão, mas espera avanços mais rápidos à medida que novas empresas entrem nesse ecossistema. “Está crescendo cada dia mais. Então, juntando parceiros, eu creio que essa expansão venha cada vez mais. Acho que para o ano que vem a gente vê bons números aí na praça”, projetou.
Além do custo de operação, a eletrificação das motocicletas pode trazer efeitos para a poluição sonora, principalmente nos grandes centros urbanos, onde veículos de duas rodas são amplamente utilizados para entregas.
“Hoje a gente na Ásia já vê muito isso. A poluição sonora, com certeza, afeta um pouco também nosso dia a dia”, afirmou Yao.
A executiva citou especificamente os profissionais que trabalham durante a noite. “Os motoqueiros que fazem entrega noturna, acho que isso vai aliviar um pouco o pessoal que quer descansar no dia a dia”, acrescentou.
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A estratégia da Aima no Brasil também passa pela nacionalização de parte da operação. Segundo Yao, produzir localmente ajuda a garantir disponibilidade de veículos e peças, além de fortalecer a relação da fabricante com seus clientes.
“Isso consolida muito você fazer com que o consumidor tenha produtos e peças aqui no mercado”, afirmou. Para ela, uma operação industrial também “solidifica bastante a confiança do consumidor perante a marca no Brasil”.
A companhia possui 11 unidades industriais, sendo que, fora da China, já mantém fábricas na Indonésia e na Índia. O Brasil será o terceiro país estrangeiro a receber uma operação do grupo.
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A escolha de Manaus levou em consideração a estrutura industrial já existente para o segmento de duas rodas. “Um dos motivos foi também você ter uma indústria já preparada para duas rodas, e boa parte das indústrias de duas rodas está consolidada lá em Manaus”, explicou.
O primeiro passo ocorrerá em breve. “A gente está com um parceiro lá em Manaus que vai iniciar agora em setembro o nosso primeiro plano-piloto de CKD, que seria de montagem”, revelou Yao.
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Siga o Times | CNBCAs primeiras unidades resultantes dessa operação devem chegar ao mercado ainda em 2026. “Já a partir de novembro a gente já está consolidando a primeira entrega made in Manaus”, afirmou.
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Produzir e vender no país também exige mudanças nos veículos originalmente desenvolvidos para mercados asiáticos. Entre as principais necessidades identificadas pela Aima estão maior autonomia, potência e resistência.
“Requer autonomia, requer potência, porque, querendo ou não, o nosso biotipo é diferente do asiático. Então, a gente precisa agregar isso para poder consolidar um produto que seja mais resistente para a gente aqui”, explicou Yao.
As condições das ruas e estradas brasileiras também influenciam o desenvolvimento dos modelos. “A gente sabe que nossos asfaltos são diferentes da Ásia, que a Ásia é um tapete”, comparou.
Por isso, a fabricante vem promovendo alterações em componentes específicos. “A gente vem trazendo essas inovações em pneu, amortecedores, para dar um produto e uma estrutura mais robusta para o consumidor brasileiro”, afirmou.
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A estratégia comercial também prevê uma expansão física da marca. Atualmente, a Aima possui 50 lojas com sua bandeira no Brasil e pretende chegar a 100 unidades, além dos estabelecimentos multimarcas que comercializam seus produtos.
“Essas 50 lojas já são bandeira Aima. Essas 100 que nós estamos para expandir também seriam bandeiras Aima. Porém, a gente também tem multimarcas que trabalham já em parceria com a Aima”, explicou Yao.
A empresa já tem presença em grande parte do país, embora encontre maior concorrência de pequenas importadoras na Região Sul. Segundo a executiva, algumas dessas companhias conseguem praticar preços inferiores, mas a disputa não se limita ao valor inicial do veículo.
“A Aima tem um produto que tem qualidade, o preço é acessível, porém hoje a gente sabe que tem muitas pequenas empresas que trazem e vendem direto. Então conseguem gerar um valor talvez menor, mas, em questão de manutenção e pós-venda, talvez não seja tão viável comparando às grandes marcas”, avaliou.
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Na China, a Aima figura entre as líderes do segmento e busca incorporar novas tecnologias e tendências aos veículos. Yao citou parcerias com empresas como Bosch e Pantone, além da estratégia de adaptar os produtos destinados a outros países.
“Para o mercado externo, a gente sempre tenta adaptar o melhor produto para cada país. Quando levamos para o mercado estrangeiro, sempre tentamos adaptar e entender o solo para poder agregar a qualidade”, explicou.
A experiência brasileira, segundo Yao, também tem exigido aprendizado da própria operação local. “No Brasil a gente aprende muito mais e consolida muito mais, porque está no dia a dia diante do negócio e tentando fomentar o melhor produto para o solo brasileiro”, afirmou.
A executiva também vê diferenças culturais entre as operações dos dois países. “Na China a gente tem muito comprometimento. É talvez cultural. Nós temos um ensinamento cultural de que, quando a gente une forças, a gente cresce e cresce mais rápido”, disse.
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No Brasil, segundo ela, o processo exige uma dinâmica diferente. “Aqui a gente tem que adaptar, tem que ir aos poucos, vamos agregar”, concluiu.
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