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Cade identifica eventual triangulação financeira e abre investigação sobre venda de seguradora do Banco Master ao PicPay

Publicado 13/05/2026 • 20:25 | Atualizado há 3 dias

KEY POINTS

  • Conselho aprovou sem restrições a compra da Kovr pelo PicPay, mas apontou indícios de triangulação financeira na sequência da operação.
  • Parecer obtido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC mostra que a Kovr passou por compradores intermediários antes de ser vendida ao PicPay no mesmo dia.
  • PicPay afirma que foram consultadas as autoridades competentes no processo de aquisição da seguradora e que tudo vem sendo conduzido em conformidade com a legislação e com as orientações regulatórias.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, em 7 de maio, a compra da seguradora Kovr pelo PicPay Bank, banco digital do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A aprovação, no entanto, veio acompanhada da abertura de uma investigação.

Em parecer obtido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a Superintendência-Geral do Cade afirma ter identificado indícios de consumação prévia de ato de concentração, prática conhecida como “gun jumping”, e de eventual triangulação financeira na sequência de compra e revenda da Kovr.

O documento também afirma que indícios de possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional serão levados ao conhecimento das autoridades competentes.

“Entretanto, no exame da documentação apresentada na submissão do presente ato de concentração […] Contrato; Organograma […] e, Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) […] e da documentação requisitada por esta autoridade da concorrência […] e, Petição Requerentes […], verifica-se indícios que podem configurar a consumação prévia de ato de concentração (gun jumping) e eventual triangulação financeira, tais indícios serão apurados em procedimento administrativo para apuração de ato de concentração (APAC) próprio, disciplinado pela Resolução Cade nº 24, de 08 de julho de 2019”, afirma o Cade no parecer.

A Kovr é uma holding que controla uma seguradora, uma empresa de previdência privada e uma companhia de capitalização. O ativo integrava a estrutura ligada ao Banco Master e aparecia entre os negócios que seriam segregados no processo envolvendo o BRB e o banco fundado por Daniel Vorcaro.

Essa separação previa a transferência da Kovr para a Master Serviços, sociedade que permaneceria sob controle do ex-banqueiro.

Operação entrou no radar do Cade

A operação começou em 7 de julho de 2025, quando a Master Serviços comprou do Banco Master as ações da Kovr para concretizar a separação do ativo.

Essa etapa não foi informada ao Cade. Segundo as partes, tratava-se de uma reorganização interna do grupo e, por isso, não configuraria novo ato de concentração.

Dezoito dias depois, em 25 de julho, três compradores ligados à própria Kovr adquiriram a empresa da Master Serviços e da Alliance Participações: os executivos Thiago Coelho Leão de Moura e Eduardo Viegas Silva, além da Rrennó Participações, ligada a Renato Agricola Rennó.

Publicamente, o negócio foi apresentado como uma compra feita pelos próprios gestores da empresa. O parecer do Cade, porém, mostra que esses compradores já eram acionistas da Kovr antes da aquisição.

Segundo o organograma do processo, Thiago detinha 10,95% do capital da Kovr, Eduardo tinha 2,05%, e a Rrennó aparecia com 4,17%. A Alliance Participações, que também vendeu ações na etapa seguinte, detinha 9,17%.

Isso significa que os compradores intermediários não eram gestores externos adquirindo um negócio novo. Eles já faziam parte dele.

Na ocasião, Daniel Vorcaro assinou o contrato como interveniente anuente na venda da Kovr pela Master Serviços e pela Alliance aos compradores intermediários.

O dia 19 de setembro

A cronologia chamou a atenção do Cade. Em 19 de setembro de 2025, os compradores intermediários fecharam a aquisição da Kovr e, no mesmo dia, revenderam a companhia à PicPay Participações e Investimentos Ltda., braço de investimentos do grupo J&F. Para viabilizar a primeira etapa, Thiago e Eduardo receberam crédito do Banco PicPay, enquanto a Rrennó foi financiada pelo Banco Original.

Segundo o parecer, o valor total do crédito concedido pelos dois bancos era exatamente igual ao montante que os compradores intermediários precisavam pagar no fechamento da compra da Kovr.

Para o Cade, essa sequência levanta suspeitas sobre a real função da etapa intermediária da operação. A investigação buscará esclarecer se os compradores serviram apenas como passagem formal entre a estrutura ligada ao Master e o PicPay.

No parecer, a Superintendência-Geral afirma que há indícios que podem configurar eventual triangulação financeira.

Possível “gun jumping”

A mesma sequência também levou o Cade a apontar indícios de “gun jumping”, prática que ocorre quando uma operação sujeita à análise concorrencial é consumada antes da decisão final do órgão.

A legislação brasileira proíbe que as partes concluam atos de concentração antes da aprovação do Cade. A penalidade pode incluir multa de R$ 60 mil a R$ 60 milhões, além da possibilidade de anulação da operação.

A compra da Kovr pelo PicPay só foi notificada ao Cade em 10 de fevereiro de 2026. O contrato original, porém, havia sido assinado em 19 de setembro de 2025 pela PicPay Participações e Investimentos.

Em 2 de fevereiro de 2026, por meio de um aditivo, a PicPay Participações cedeu ao PicPay Bank todos os direitos e obrigações do contrato. A cessão ocorreu poucos dias antes da notificação formal ao Cade.

Estrutural também entrou no negócio

Na mesma operação, o PicPay também comprou a Estrutural, corretora de seguros controlada por outros sócios: Katia Regina Nigri Zendron Viegas, Marina Branco Peres Leão de Moura e Sarah Grawer Rennó.

A operação aprovada pelo Cade envolve tanto a Kovr quanto a Estrutural. O negócio, no entanto, ainda está condicionado à autorização da Susep, reguladora do setor de seguros.

Indícios serão enviados a autoridades

A Superintendência-Geral afirma que os indícios de possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional não são de competência do Cade e serão levados às autoridades responsáveis.

Isso significa que o caso pode chegar a outras instâncias, como o Banco Central, que decretou em novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado.

Do ponto de vista concorrencial, o Cade concluiu que a compra da Kovr e da Estrutural pelo PicPay não traz risco relevante à competição nos mercados afetados. Por isso, aprovou a operação sem restrições.

A investigação aberta em procedimento próprio, porém, mira a forma como a operação foi estruturada e se houve antecipação indevida de seus efeitos antes da aprovação do regulador.

Em resposta ao Cade, os compradores intermediários afirmaram que a operação de aquisição da Kovr em julho de 2025 não precisava ser comunicada ao órgão porque o faturamento de seus respectivos grupos econômicos em 2024 ficou abaixo do limite legal de R$ 75 milhões.

Eles também alegaram não ter conhecimento de que a Kovr havia sido listada no processo entre BRB e Master como um ativo a ser segregado para a estrutura ligada a Daniel Vorcaro.

O que diz o PicPay

Sobre as investigações do Cade, o PicPay divulgou o seguinte posicionamento:

“O PicPay informa que tem conhecimento de que foram consultadas as autoridades competentes no processo de aquisição da Kovr pelos administradores e que tudo vem sendo conduzido em conformidade com a legislação e com as orientações regulatórias aplicáveis.”

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