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Casas Bahia tem 28 mil credores; mais de 18 mil têm créditos de ações cíveis
Publicado 24/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação / Casas Bahia
Loja da Casas Bahia. O grupo apresentou pedido de recuperação judicial com cerca de 28 mil credores e R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia reúne cerca de 28 mil credores, em uma lista que vai de grandes bancos e fabricantes a milhares de pessoas com valores a receber em processos cíveis.
Mais de 18 mil credores estão nesse último grupo, muitos deles com créditos entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, segundo levantamento da Folha de S.Paulo a partir da relação apresentada pela varejista à Justiça.
Entre os fornecedores, Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG e Motorola somam cerca de R$ 3,52 bilhões em créditos sem garantia sujeitos à recuperação judicial.
Leia também: Quem são os credores da Casas Bahia?
A maior exposição entre os cinco fabricantes é da Samsung, com R$ 937,6 milhões em créditos quirografários, categoria que reúne dívidas sem garantia real.
Na sequência aparecem Electrolux, com R$ 700,1 milhões; Whirlpool, com R$ 635,9 milhões em créditos sujeitos à recuperação; LG Electronics, com R$ 623,7 milhões; e Motorola Mobility, com R$ 619 milhões.
Somados, os créditos desses cinco fabricantes totalizam aproximadamente R$ 3,52 bilhões.
A lista também inclui Britânia, com R$ 354,8 milhões, além de empresas do grupo TCL/Semp, com centenas de milhões de reais a receber.
No caso da Whirlpool, a exposição total do grupo é maior. Cerca de R$ 635,9 milhões estão sujeitos à recuperação judicial, enquanto outra parcela foi classificada como extraconcursal e, portanto, não está submetida às mesmas condições do futuro plano.
A presença de grandes empresas na relação contrasta com o número de credores de menor valor.
Mais de 18 mil pessoas aparecem com créditos decorrentes de ações cíveis contra a Casas Bahia, segundo a Folha. Em grande parte dos casos, os valores ficam entre R$ 1 mil e R$ 10 mil.
Esse grupo pode incluir consumidores e outras pessoas que tiveram reconhecido judicialmente um valor a receber da companhia antes do pedido de recuperação judicial.
Leia também: Tem dinheiro a receber da Casas Bahia? Entenda o que muda com a recuperação judicial
Instituições financeiras também concentram valores bilionários na relação.
O Banco Digio, controlado pelo Bradesco, aparece com cerca de R$ 3,27 bilhões em exposição. O Banco do Brasil tem aproximadamente R$ 3 bilhões relacionados ao grupo, enquanto o Bradesco aparece separadamente com cerca de R$ 1,5 bilhão.
Esses valores, porém, não significam que toda a exposição das instituições esteja submetida ao plano. Parte das operações financeiras conta com garantias ou estruturas classificadas como extraconcursais.
Por isso, o valor total devido a um credor não indica, por si só, quanto efetivamente será renegociado no âmbito da recuperação judicial.
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Siga o Times | CNBCDos R$ 17,3 bilhões em dívidas submetidas ao pedido de recuperação judicial, cerca de R$ 16,4 bilhões, ou 94,8%, correspondem a créditos sem garantia. Há ainda aproximadamente R$ 754,5 milhões em créditos trabalhistas e R$ 153,8 milhões devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.
Além dos R$ 17,3 bilhões sujeitos à recuperação, a documentação apresentada pela companhia aponta cerca de R$ 10,99 bilhões em créditos extraconcursais, que ficam fora do plano. Consideradas também essas obrigações, o passivo relacionado supera R$ 27,8 bilhões.
A existência de seguros ou outras garantias pode reduzir o impacto da recuperação para empresas com valores a receber.
A Multi, antiga Multilaser, estimou uma perda adicional de aproximadamente R$ 20 milhões relacionada à Casas Bahia. O valor se soma a R$ 11 milhões já provisionados e corresponde à parcela dos recebíveis que não está coberta por seguro de crédito ou outras garantias.
A companhia informou que a exposição representa 2,29% de seu saldo líquido de contas a receber e que, com as informações disponíveis, não previa impacto relevante sobre sua situação financeira ou sobre o resultado de 2026.
Já a Positivo Tecnologia informou ter aproximadamente R$ 19 milhões a receber da Casas Bahia, o que equivale a 2,7% de seu saldo líquido de contas a receber. Segundo a empresa, 100% dessa exposição está coberta por seguro de crédito, e não havia expectativa de impacto material nos resultados de 2026.
Os dois casos mostram que o valor registrado na relação de credores não equivale necessariamente à perda que cada fornecedor terá.
Apesar do volume de créditos sem garantia, a Casas Bahia ainda não apresentou quanto pretende pagar aos credores, em quais prazos nem quais eventuais descontos serão propostos.
Essas condições deverão fazer parte do plano de recuperação judicial, caso o processamento do pedido seja autorizado pela Justiça.
Por isso, ainda não é possível determinar qual será a perda dos credores quirografários ou afirmar que um fornecedor específico sofrerá um percentual específico de deságio.
As condições também podem variar conforme a classe e a natureza dos créditos. Trabalhadores seguem regras próprias previstas na legislação, enquanto as obrigações extraconcursais ficam fora do plano.
O Grupo Casas Bahia apresentou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, mas o pedido ainda está na fase preliminar na Justiça de São Paulo.
Antes de decidir sobre a abertura formal da recuperação, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais determinou a realização de uma constatação prévia para verificar a documentação entregue pela companhia, bem como sua situação financeira e operacional.
Enquanto essa análise é realizada, a Justiça concedeu parcialmente as medidas emergenciais solicitadas pela varejista. Entre elas estão restrições ao vencimento antecipado de determinados contratos apenas em razão do pedido e a manutenção de serviços considerados essenciais.
A decisão também determinou que os fornecedores mantenham a entrega de mercadorias já adquiridas e em trânsito para lojas e centros de distribuição.
Se a Justiça autorizar o processamento da recuperação, a companhia terá de apresentar o plano com as condições propostas aos cerca de 28 mil credores, incluindo prazos, eventuais descontos e formas de pagamento.
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