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Caso Master: ‘Foi uma guinada de 180 graus’, diz advogado sobre nova fase da investigação
Publicado 04/03/2026 • 19:18 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/03/2026 • 19:18 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trouxe à tona suspeitas de que servidores de carreira do Banco Central atuavam como informantes do empresário, o que, segundo o advogado e economista Manuel Neubert, sócio da NTA Advogados, agrava de forma significativa a situação do investigado. “Essa informação é extremamente importante, porque até então havia confiança muito grande na atuação do Banco Central”, afirmou, em entrevista nesta quarta-feira (4) ao Radar, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para ele, a mudança na relatoria das investigação no STF foi a grande responsável pela nova fase de informações que vêm agora à tona – “uma guinada de 180 graus”, classificou.
Neubert ressaltou que não há desconfiança institucional contra o Bacen, mas sim indícios envolvendo indivíduos específicos. “Não há uma desconfiança quanto à instituição, mas sim quanto à flagrante possibilidade de participação de alguns servidores”, disse, mencionando que a apuração envolve um diretor do Banco Central e outro servidor ligado à sucessão de uma diretoria estratégica.
O advogado ponderou que os fatos ainda estão sob investigação, mas reconheceu o impacto das revelações. “Não podemos condená-los previamente, mas traz apreensão, porque antes não havia dúvidas quanto à atuação do Banco Central”, declarou. Ele também destacou a gravidade das suspeitas de intimidação. “Havia tentativa de intimidação de jornalistas, e isso ressalta a importância de um jornalismo independente, que é pilar da democracia”, afirmou.
Ao comentar a estratégia jurídica de Vorcaro, cuja defesa nega interferência nas investigações, Neubert avaliou que o momento é desfavorável. “É uma situação muito difícil que se encontra agora a defesa, ainda mais com a divulgação dessas novas informações”, disse.
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Segundo ele, a retirada do sigilo do processo no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, mudou a percepção pública. “Agora conseguimos mensurar a gravidade dos fatos trazidos”, afirmou, apontando que surgiram indícios de tentativas objetivas de obstruir investigações, criar factoides e cooptar servidores públicos.
O advogado citou ainda relatos de acesso indevido a sistemas institucionais. “Há notícias de que alguns partícipes teriam acesso a sistemas do Ministério Público Federal e do próprio Banco Central, tomando iniciativas para apagar evidências ou perseguir pessoas”, declarou.
Sobre a possibilidade de colaboração premiada, Neubert afirmou que o tema é especulado desde o início do caso. “É muito aguardada uma possível colaboração premiada por parte de Daniel Vorcaro”, disse.
Leia também: Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês a núcleo de intimidação e obstrução à Justiça
Ele mencionou rumores de que o empresário teria reunido materiais comprometedores ao longo do tempo. “Fala-se que ele coletou muitos dossiês que poderiam incriminar gente importante no cenário nacional, político e judiciário”, afirmou.
Na avaliação do advogado, uma eventual delação poderia ter efeitos amplos. “Uma colaboração premiada poderia ser algo explosivo para a nossa nação”, disse, mencionando relatos de gravações e registros que poderiam ser usados como instrumento de pressão.
Questionado sobre eventual mudança no andamento do caso após a saída de Dias Toffoli e a entrada de André Mendonça na relatoria, Neubert foi enfático. “Foi uma guinada muito grande, de 180 graus. Realmente mudou tudo”, afirmou.
Ele destacou que o fim do sigilo permitiu maior transparência. “Antes a sociedade não tinha conhecimento do que estava acontecendo; agora se observa que é muito mais grave do que se imaginava”, disse.
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Para o advogado, o caso deixou de parecer apenas um problema de gestão financeira. “Chegou-se a cogitar que seria só excesso na oferta de CDBs com taxas altas; agora o que se vê é que, pelos elementos disponíveis, era uma fraude total”, declarou.
Neubert alertou ainda para o risco sistêmico. “Quando falamos em sistema financeiro, há possibilidade de risco sistêmico e contaminação da credibilidade geral”, afirmou, defendendo apuração rápida. “É muito bom que o ministro André Mendonça esteja agindo com rapidez; ficamos esperançosos com essa mudança de rumo”, concluiu.
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