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Copom deve cortar Selic em 0,25 ponto, mas sinalização para setembro será foco do mercado

Publicado 05/08/2026 • 17:58 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • Juliano Lara Fernandes afirma que o corte de 0,25 ponto percentual é praticamente consenso no mercado.
  • Comunicação do Banco Central deve indicar se haverá novos cortes ainda em 2026 ou uma pausa no ciclo.
  • Especialista vê pouco espaço para quedas mais agressivas diante de inflação, risco fiscal, petróleo e juros elevados nos Estados Unidos.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (5) deve confirmar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, mas a principal atenção do mercado estará no comunicado do Banco Central e nas indicações sobre os próximos passos do ciclo de flexibilização monetária.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Juliano Lara Fernandes, especialista em mercado financeiro e gestão patrimonial da Armada, afirmou que a redução esperada para esta reunião está praticamente precificada.

“O mercado está com 99% de chance de aposta nesse corte de 0,25. Então é uma missão relativamente fácil hoje para o Copom”, disse.

Para Fernandes, a maior dúvida está no rumo da política monetária após a decisão. O mercado busca entender se o Banco Central abrirá espaço para mais duas ou três reduções de 0,25 ponto percentual até o fim do ano ou se poderá interromper o ciclo.

“É essa sinalização que acho que o mercado está esperando para verificar se vai haver ainda mais dois ou três cortes de 0,25 nas próximas reuniões até o final do ano ou se a gente mantém o juro em 14% e trava esse juro até pelo menos passar as eleições”, afirmou.

Leia também: Expectativa de corte da Selic desloca atenção do mercado para sinalizações do Banco Central sobre próximos passo

Inflação e atividade colocam Copom diante de sinais opostos

Segundo Fernandes, o Banco Central precisa equilibrar pressões que apontam em direções diferentes.

De um lado, o especialista citou a inflação ainda distante da meta e o quadro fiscal brasileiro como fatores que justificariam uma postura mais cautelosa. De outro, apontou sinais mais fracos da atividade econômica e leituras recentes mais brandas da inflação como argumentos para continuidade dos cortes.

“O que a gente quer saber é se ele vai ser um pouco mais duro e considerar o problema da inflação desancorada, do estímulo fiscal muito intenso e desequilibrado do Brasil, ou se vai sinalizar que essa queda da produção industrial, a queda do PIB e essa inflação um pouco mais branda serão consideradas”, disse.

Na avaliação de Fernandes, essa combinação torna o comunicado tão relevante quanto a decisão sobre a taxa em si.

Petróleo adiciona incerteza

O comportamento do petróleo é outro fator que pode limitar a capacidade do Banco Central de acelerar a redução dos juros, segundo o especialista.

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Embora preços mais baixos tenham potencial para aliviar a inflação no curto prazo, Fernandes disse que a volatilidade do barril e as incertezas geopolíticas mantêm riscos para o cenário futuro.

“O petróleo até agrega mais incerteza do que outras coisas. A volatilidade ainda está grande, a guerra não se resolveu e a gente ainda pode ter uma repercussão da manutenção do déficit de fornecimento de petróleo”, afirmou.

Ele também destacou que a política monetária brasileira precisa ser observada em conjunto com o nível de juros nos Estados Unidos.

“O nosso juro é muito baseado também no diferencial em relação ao juro americano. Se o juro americano não tem caído muito, a gente também não vê muito espaço de queda”, disse.

Leia também: Inflação e câmbio favorecem corte da Selic, mas trajetória dependerá do fiscal

Corte de juros pode favorecer bolsa

Fernandes avalia que uma trajetória de redução da Selic tende a beneficiar a bolsa brasileira, inclusive mantendo o interesse do investidor estrangeiro.

Segundo ele, mesmo com uma eventual redução adicional de um ou dois pontos percentuais, o diferencial de juros continuaria relevante.

“Se houver uma redução do interesse estrangeiro na renda fixa, ele desvia isso para uma bolsa que hoje ainda está muito barata”, afirmou.

O especialista também disse não esperar pressão significativa sobre o câmbio apenas pela redução dos juros. Segundo ele, o nível das reservas internacionais e o superávit comercial funcionam como elementos de sustentação para a moeda brasileira.

“Outros fatores, que não só esse diferencial de juros, podem continuar mantendo o dólar relativamente estável. E uma queda de juros favoreceria muito a bolsa brasileira e manteria o interesse estrangeiro”, disse.

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