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Caso Master: Governadora do DF diz que empréstimo de R$ 6,6 bi ao BRB está perto de sair
Publicado 02/07/2026 • 15:53 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 02/07/2026 • 15:53 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Felipe Ando/Agência CLDF
Celina Leão, governadora do DF
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o principal entrave para a liberação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB) foi superado, mas evitou fixar uma nova data para o aporte na instituição.
O governo do DF havia indicado que a capitalização seria feita até 30 de junho, prazo que não foi cumprido. Agora, Celina afirma que a operação está na fase final de ajustes.
“Eu não gosto de dar data, porque toda vez que a gente dá data e não se compromete, as pessoas falam assim: ‘Mas e aí?’ Então eu não gosto de dar data. Eu falo que nós estamos dentro dos ajustes necessários”, disse a governadora em entrevista ao Estadão.
Leia também: Entenda como documento liga Forbes Brasil a fundo do Banco Master
A operação foi desenhada após acordo entre o governo do Distrito Federal e a União no Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia é usar um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com aval de bancos públicos e privados, para reforçar o BRB.
Segundo Celina, Caixa e Banco do Brasil devem participar do aval “com certeza”. A dúvida, segundo ela, é quais bancos privados vão aderir à operação.
A administração distrital pediu um financiamento com juros reais de 4,5%, mas os bancos ainda não concordaram com as condições. O setor financeiro também questiona as garantias oferecidas pelo DF em caso de inadimplência: transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que somam pouco mais de R$ 1,6 bilhão por ano.
“Deve estar para sair. É documento, vai e volta. É a parte burocrática”, afirmou Celina.
A governadora disse que o impasse foi superado porque o Distrito Federal não tem histórico de endividamento elevado. “Não é o objetivo acionar os fundos porque a expectativa é que o próprio banco se pague, mas a chance de qualquer tipo de inadimplência é zero em um Estado como o nosso.”
O governo do Distrito Federal ainda não informou o custo total do empréstimo para os cofres públicos. A consultoria da Câmara Legislativa estima que o Executivo terá de desembolsar entre R$ 782 milhões e R$ 1,034 bilhão por ano com juros e amortização.
Celina afirma que o próprio BRB pagará o financiamento, por meio de lucros e dividendos destinados ao controlador. Esse cenário, porém, é questionado por especialistas, já que o banco deve ficar menor após a reestruturação.
O BRB também está há um ano sem divulgar balanço financeiro. A instituição não apresentou os números de 2025 até 31 de março, prazo legal, e ficou sujeita a multas do Banco Central. O banco afirma que divulgará os resultados após o aporte do governo.
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Siga o Times | CNBCAlém do empréstimo de R$ 6,6 bilhões, o governo do DF montou uma operação de securitização para vender créditos da dívida ativa e injetar recursos no BRB.
Segundo estimativas dos gestores, o Banco de Brasília precisa de R$ 8,8 bilhões para neutralizar o prejuízo ligado ao Banco Master.
“O Distrito Federal não tem que pagar conta nenhuma, mas nós somos o controlador. Então, quando você vai tomar um empréstimo, o banco, na situação jurídica em que ele está, não tem condição de tomar um empréstimo. Nós vamos resolver o problema do banco e ele vai se pagar. O Master não é o BRB. O BRB tem mais de 60 anos”, disse Celina.
A governadora também conta com a recuperação de bens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e de ativos comprados pelo BRB.
Um dos focos é o Credcesta, programa de cartão consignado operado pelo Master. O governo estima que a carteira tenha valor de R$ 9 bilhões e recorreu ao STF para tentar reaver os recursos.
“O Credcesta é um ativo do BRB. Nós compramos e pagamos. Esse fluxo está correndo em outro banco. Por quê? Não me pergunte, que eu também estou tentando responder. Não transferiram isso para nós”, afirmou.
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Às vésperas da campanha pela reeleição, Celina tenta se desvincular do escândalo envolvendo o Master e o BRB. A governadora afirma que não teve relação com Daniel Vorcaro e diz comandar um “novo governo”, apesar de ter sido vice do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), apontado como principal fiador político da compra do Master pelo BRB.
“É só você olhar se eu estou lá no inquérito. Eu não estou no inquérito. Eu nunca participei de um pedido de solicitação de vantagem indevida”, disse.
Celina também defendeu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional de seu partido, investigado por supostamente ter recebido propina de Vorcaro.
“O Ciro nunca negou que fosse amigo dele. Era notório que os dois eram amigos. Eu espero que o Ciro vá provar sua inocência”, afirmou a governadora. “Acredito que sim, né? Ele tem falado muito que todas essas negociações ele tem como comprovar.”
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