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Com temor de turbulências, incerteza domina Davos e mercado volta ao modo defensivo
Publicado 19/01/2026 • 21:25 | Atualizado há 10 meses
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KEY POINTS
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes de sua reunião no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 21 de janeiro de 2020. (Foto: JIM WATSON/AFP)
JIM WATSON/AFP
O Fórum Econômico Mundial costuma funcionar, para investidores, como um termômetro de aversão a risco diante de cenários globais e de instabilidade política. É o que avalia o consultor de investimentos da API Capital, Leandro Benincá, que resumiu o sinal desta edição de Davos em uma palavra que, segundo ele, domina os relatórios do próprio fórum: incerteza.
O consultor observa que, neste ano, o ambiente do evento apresenta um tom mais cauteloso e menos confiante do que em edições anteriores. “A gente mudou o panorama dos últimos anos do Fórum Econômico. Ele sempre foi esse otimismo no mundo de recuperação pós-pandemia”, afirmou.
Para ele, o relatório Global Risks Report reforça a deterioração das expectativas. “A previsão de curto prazo deles, para dois anos, indica que 40% apostam em uma leve instabilidade, 42% em uma turbulência econômica grande e 8% até em mudanças catastróficas no mundo”, pontuou. “No longo prazo, 19% apostam em catástrofes econômicas globais nos próximos dez anos.”
Ao explicar o que Davos costuma sinalizar ao mercado, Benincá disse que é preciso separar a vitrine do que é concreto. “Existe sempre uma cortina de ‘oba-oba’, uma cortina de festa. Mas, por trás disso, o Fórum Econômico Mundial costuma trazer resultados bem práticos”, afirmou. Ele citou iniciativas como a Edison Alliance e a “revolução das habilidades”, que, segundo ele, vêm sendo acompanhadas por metas e resultados.
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Na leitura do analista, parte do sinal para os mercados aparece no movimento de proteção. Questionado sobre a alta recente do ouro e de outros metais preciosos, Benincá afirmou que a valorização é “diretamente reflexo desse clima de insegurança e de incerteza”.
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Siga o Times | CNBC“Os mercados buscam proteções, e essa proteção historicamente no ouro, na prata e nos metais valiosos tende a ser muito concreta”, afirmou. Para ele, enquanto o “sensor do medo” seguir elevado, a busca por reserva de valor tende a continuar. “Quanto menos sinais a gente tiver do fim dessas incertezas, mais os mercados vão se proteger”, completou.
Benincá também comentou a leitura geopolítica por trás dos relatórios. Ao falar do retorno de Donald Trump ao radar de Davos, ele disse que os especialistas do Fórum Econômico não esperavam mudanças tão rápidas e significativas durante o último ano, especialmente vindas do presidente americano. Segundo ele, a figura de Trump aparece mais nas entrelinhas do que em menções diretas. “Não se fala muito do nome dele nos relatórios, mas você vê que as palavras-chave estão sempre ali presentes, falando de competitividade, de mudanças geoeconômicas”, afirmou.
Além do recorte de mercado, Benincá citou temas setoriais que ganham espaço no fórum e podem virar agenda prática ao longo do ano, como o que chamou de relatório das “Comidas Azuis”, sobre alimentos produzidos em ambientes aquáticos. Ele avaliou que o Brasil poderia ter maior participação nesse debate. “Existe o relatório, inclusive com uma boa oportunidade para o Brasil, que eu acho que está sendo perdida.”
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Para o consultor, é nessa combinação que Davos costuma pesar para investidores. Os relatórios medem o grau de incerteza e os riscos dominantes, enquanto o mercado reage em busca de proteção sempre que o cenário global fica sem clareza ou perspectiva de melhora.
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