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Crise global de suprimentos pressiona indústria química e expõe gargalos do Brasil

Publicado 19/05/2026 • 19:30 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • A indústria química brasileira alerta para o risco de aumento da dependência externa caso o país não avance em políticas estruturais para gás natural, energia e competitividade industrial.
  • O presidente da Abiquim, André Passos, afirmou que gargalos em infraestrutura e regulação impedem que o gás se transforme em vantagem competitiva para a indústria brasileira.
  • O setor avalia que tensões geopolíticas e restrições globais de matérias-primas estratégicas estão mudando as cadeias de suprimento e exigem planejamento de longo prazo no próximo ciclo de governo.

A combinação entre tensões geopolíticas, restrições comerciais e disputa global por matérias-primas estratégicas colocou a indústria química brasileira em estado de alerta. O setor avalia que o Brasil corre o risco de ampliar sua dependência externa caso não avance em políticas estruturais para energia, gás natural, infraestrutura e competitividade industrial.

Durante encontro da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o presidente da entidade, André Passos, afirmou que o debate econômico do país não pode ficar restrito a medidas temporárias de desoneração ou proteção comercial às vésperas de um novo ciclo político e econômico.

“O maior risco já não é o preço. É não ter acesso ao produto”, afirmou.

Segundo ele, o cenário internacional mudou a lógica da economia global. Se antes as cadeias globais funcionavam com foco em eficiência e redução de custos, agora países passaram a priorizar segurança de abastecimento, controle de matérias-primas e proteção industrial.

Geopolítica muda cadeias globais da indústria

A avaliação da Abiquim é que o aumento das disputas comerciais e geopolíticas elevou o risco de rupturas nas cadeias internacionais de suprimento.

André Passos citou como exemplo medidas adotadas por países produtores de insumos estratégicos para fortalecer cadeias industriais locais e proteger o abastecimento interno.

Entre os casos mencionados está a política da Indonésia para restringir exportações de níquel, numa tentativa de ampliar a industrialização e agregar valor à produção local.

Segundo o executivo, movimentos desse tipo mostram que a lógica da globalização mudou e que países passaram a tratar matérias-primas estratégicas como tema de soberania econômica.

“O pressuposto de que sempre haverá oferta disponível no mercado internacional não existe mais”, afirmou.

Na avaliação da entidade, o Brasil ainda discute competitividade industrial sob uma lógica antiga, enquanto outras economias aceleram políticas de proteção produtiva e segurança energética.

Gás natural vira gargalo estratégico

Outro ponto central do debate envolve o gás natural. Apesar do avanço da produção no pré-sal, a Abiquim avalia que o Brasil enfrenta gargalos estruturais que impedem o gás de se transformar em vantagem competitiva para a indústria.

Os desafios incluem:

  • infraestrutura de escoamento;
  • gasodutos;
  • unidades de processamento;
  • capacidade regulatória;
  • velocidade de investimentos.

Segundo André Passos, parte relevante do gás produzido no país acaba sendo reinjetada nos poços por falta de estrutura adequada para transporte e processamento.

Ele citou o Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro, como um dos últimos grandes investimentos da Petrobras voltados à infraestrutura de gás natural. Segundo o executivo, projetos desse tipo levaram anos para serem concluídos enquanto a demanda industrial continuou pressionada pelos altos custos de energia.

“O Brasil tem gás, mas não consegue transformar isso em competitividade industrial”, disse.

Falta de coordenação trava investimentos

A Abiquim também fez críticas à falta de coordenação entre oferta de gás e investimentos industriais.

Segundo André Passos, setores intensivos em energia, como petroquímica, aço, vidro, cerâmica e alumínio, dependem de previsibilidade para ampliar capacidade produtiva.

“Uma empresa não constrói uma planta industrial intensiva em energia sem garantia de fornecimento de gás”, afirmou.

Na avaliação do setor, a lógica atual acaba travando novos investimentos:

  • a indústria espera segurança de oferta;
  • operadores evitam ampliar infraestrutura sem demanda contratada;
  • investimentos ficam represados.

A entidade também criticou a ausência de regulação mais clara sobre reinjeção de gás natural no pré-sal.

Segundo André Passos, hoje parte das decisões fica concentrada na lógica comercial das operadoras, que priorizam rentabilidade da produção de petróleo.

Dependência externa preocupa setor

A indústria química também demonstrou preocupação com o avanço da dependência externa em produtos considerados estratégicos.

Segundo dados apresentados pela Abiquim durante o encontro, o déficit comercial da cadeia química brasileira chegou a cerca de US$ 55 bilhões em 2025.

O número envolve produtos usados em:

  • fertilizantes;
  • alimentos;
  • medicamentos;
  • combustíveis;
  • embalagens;
  • indústria de transformação.

Na avaliação da Abiquim, o risco vai além da balança comercial.

O setor teme que novas rupturas internacionais possam afetar diretamente cadeias ligadas à produção de alimentos, energia e manufatura.

“Hoje o custo da ruptura da cadeia de suprimentos não entra na conta econômica tradicional. E esse custo passou a existir”, afirmou André Passos.

Indústria vê risco de perda de competitividade

O encontro também trouxe críticas ao custo da energia e à perda de competitividade industrial do Brasil.

Segundo a entidade, empresas globais têm levado investimentos para regiões mais próximas dos grandes mercados consumidores, principalmente na Ásia.

A preocupação envolve especialmente a química renovável e a alcoolquímica, produção de químicos a partir do etanol.

De acordo com André Passos, o Brasil possui vantagem competitiva em matérias-primas renováveis, mas pode perder espaço caso não avance em escala produtiva, infraestrutura e estímulos ao setor.

“Empresas estão avaliando levar etanol brasileiro para produzir químicos na Ásia, perto do mercado consumidor”, afirmou.

Próximo ciclo político entra no radar

O tom político também apareceu durante o encontro da Abiquim. Segundo André Passos, o país precisa aproveitar o atual momento para discutir soluções estruturais antes do próximo ciclo de governo.

A preocupação da indústria é que o Brasil volte a repetir debates emergenciais sem resolver gargalos históricos ligados à:

  • energia;
  • infraestrutura;
  • competitividade;
  • gás natural;
  • política industrial.

“Se o país não começar agora a trabalhar soluções estruturais, existe o risco de chegar ao próximo ciclo discutindo exatamente os mesmos problemas”, afirmou.

Para a entidade, segurança de suprimento, energia e competitividade industrial passaram a ocupar posição estratégica no cenário global e devem ganhar peso crescente nas decisões econômicas dos próximos anos.

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