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Caso Master: Galípolo diz que BC não será “palanque” e defende atuação de autoridade monetária
Publicado 19/05/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/05/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 meses
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Pedro França/Agência Senado /Reprodução Flickr
Presidente do BC, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que parte de sua atuação à frente da autoridade monetária é impedir que o BC se transforme em “qualquer tipo de palanque para política”.
A declaração foi dada após questionamentos de senadores sobre um termo de compromisso firmado entre o Banco Central e o ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto.
Em junho do ano passado, o BC firmou um termo de compromisso com Campos Neto, que já havia deixado a presidência da instituição. Pelo acordo, ele se comprometeu a pagar R$ 300 mil à autarquia por ter deixado de verificar a legalidade de operações de câmbio e as qualificações de clientes do segmento quando era administrador do Santander Brasil. Segundo processo de junho de 2025, os valores já foram pagos.
Questionado sobre o caso, Galípolo disse que a assinatura de termos de compromisso é analisada pelo Comitê de Decisão de Termo de Compromisso (Coter), colegiado que atua de forma independente da diretoria do BC.
Ao ser perguntado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) sobre a composição do comitê e quem controla o colegiado, Galípolo disse que não deixaria o tema ser usado politicamente.
“O mandato que está escrito no Banco Central é que eu tenho que cuidar da estabilidade financeira e da estabilidade monetária, mas tem um terceiro mandato que tem sido um tema que eu tenho perseguido muito: não deixar o Banco Central se transformar em qualquer tipo de palanque para política”, afirmou.
“Não cabe a mim perseguir ninguém”, acrescentou o presidente do BC.
Leia também: Galípolo enfrenta Senado sob pressão por crise do Master e operação do BRB
Durante a audiência, Galípolo também voltou a tratar do caso Banco Master. Ele afirmou que intervenções feitas pelo BC em instituições como Bamerindus, Banco Econômico e Banco Nacional, na década de 1990, foram mais complexas do que o caso atual.
Segundo o presidente do BC, aqueles episódios envolviam risco sistêmico, o que, segundo ele, não ocorre com o Master.
“O caso Bamerindus era mais complexo. O caso Econômico era mais complexo. O caso Nacional era mais complexo. O caso em tela, ele tem uma complexidade que se refere aquilo que eu tentei dizer de maneira educada, com o que foi feito com dinheiro e quem se envolveu com isto”, disse.
Galípolo afirmou que, nos casos anteriores, os dirigentes do BC foram acusados de separar “banco bom” e “banco ruim” e vender “bancos bons”. No caso do Master, segundo ele, essa alternativa não foi encontrada.
“Eu não estou sendo acusado disso porque eu não consegui encontrar um banco bom. Eu não consegui fazer essa segregação, mas se tivesse, estava na obrigação do meu mandato, ainda que eu sofra a pressão política”, afirmou.
O presidente do BC comparou o Master a uma instituição do “segmento 3”, o equivalente, em sua analogia, à “terceira divisão do futebol”. Por isso, reforçou que o banco não oferecia risco sistêmico. Para Galípolo, a questão central no caso é o destino do dinheiro e quem participou das operações.
Leia também: Crise do Master está longe da gravidade de Bamerindus e Econômico, afirma Galípolo
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Siga o Times | CNBCGalípolo afirmou ainda que, em setembro do ano passado, após o BC negar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), o banqueiro Daniel Vorcaro propôs uma saída organizada da instituição do mercado.
“Ou seja, ele reconhece que o banco não é viável mais, mas que ele mesmo faria uma, uma ‘autoliquidação’ do banco, passando para esses investidores árabes — que jamais eu tive conhecimento deles”, disse.
O presidente do BC também defendeu que é comum bancos em dificuldade manterem reuniões longas com a autoridade monetária. A resposta foi dada após questionamentos sobre encontros entre Vorcaro e integrantes da diretoria do Banco Central.
Galípolo disse que, ao identificar suspeitas sobre a atuação de servidores no caso, o BC abriu auditoria e sindicância para apurar se houve dolo. O procedimento resultou no afastamento do ex-diretor Paulo Souza e do ex-chefe de departamento Belline Santana.
“Essas duas pessoas que foram identificadas por essa auditoria e sindicância estão afastadas e estão com seus casos na CGU, que é o órgão competente para julgar o processo administrativo, e estão informadas à Polícia Federal para fazer as devidas investigações”, afirmou.
Leia também: Galípolo: pagamentos de Vorcaro a ex-servidores do BC indicam “vantagem indevida”
Galípolo também foi questionado pela senadora Leila Barros (PDT-DF) sobre a situação do Banco de Brasília. Ele afirmou que não poderia comentar instituições específicas, mas disse que trataria de forma abstrata de situações mencionadas pela parlamentar.
Segundo o presidente do BC, há dois tipos principais de problema que podem exigir ajuste em uma instituição financeira: patrimônio ou liquidez.
No caso de dificuldade de liquidez, afirmou, o banco pode vender ativos, o que tende a piorar o patrimônio. Já quando o problema é patrimonial, a solução passa por aporte de capital do acionista atual ou de um novo acionista.
No caso do BRB, o Governo do Distrito Federal é o acionista majoritário da instituição.
Leia também: Caso Master: Atuação do BC deve dominar audiência de Galípolo no Senado, avalia especialista
Na parte econômica da audiência, Galípolo afirmou que a política monetária está funcionando e tem levado a atividade para perto do Produto Interno Bruto (PIB) potencial. Segundo ele, porém, esse processo exige juros em patamar mais elevado.
O presidente do BC voltou a dizer que há dificuldade em identificar ganhos evidentes de produtividade na economia brasileira.
“A gente tem um modelo já há algumas décadas que quando a economia cresce, ela cresce liderada pelo consumo, puxada pelo consumo, que tem bastante estímulo que vem de crédito e um pedaço de remuneração da renda acima dos ganhos de produtividade”, afirmou.
Galípolo disse ainda que um dos temas centrais para o Brasil é ampliar a ligação do país com cadeias globais de valor e, a partir disso, elevar os ganhos de produtividade.
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