DECISÃO 2026: Lula defende Moraes e cobra Fachin; Flávio diz que ministros atrapalham a democracia – e todos os candidatos ao Planalto defendem mudanças na Corte após crise escalar no STF
Publicado
16/09/2026 • 22:26
| Atualizado há 1 hora
Lula cobrou Edson Fachin para que os conflitos no STF não interfiram no processo eleitoral e voltou a defender mudanças no Judiciário.
Flávio Bolsonaro atacou ministros indicados por Lula, disse que “sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive” e prometeu renovar parte da Corte se eleito.
Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury também criticaram o STF ao longo do dia e defenderam mudanças no funcionamento da Corte.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) foi o principal assunto da campanha presidencial desta quarta-feira (16), um dia depois da sessão que terminou sem decisão sobre a eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a exposição das divergências entre os ministros e cobrou de Edson Fachin uma atuação para impedir reflexos no processo eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) intensificou ataques aos integrantes da Corte indicados pelo petista.
O tema também entrou nas agendas de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Os quatro criticaram a atuação do Supremo e defenderam mudanças no funcionamento do Judiciário.
Lula cobra Fachin e critica debate no Supremo
Lula participou pela manhã de compromissos institucionais em Brasília e, à tarde, concedeu entrevista ao podcast Desce a Letra. À noite, o candidato à reeleição participou do ato “Brasil Pronto pra Mais” em Ceilândia, ao lado de candidatos aliados no Distrito Federal.
No podcast, Lula afirmou que cabe ao presidente do STF evitar que a crise vivida pela Corte interfira na disputa eleitoral.
“O Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, afirmou.
O petista também criticou a forma como as divergências entre os ministros foram expostas durante a sessão transmitida ao vivo na terça-feira.
“Aquele debate na televisão que eu assisti não é correto”, disse. Lula acrescentou que a imagem do Judiciário “não está boa” e voltou a defender uma reforma no sistema de Justiça.
Lula elogiou a atuação anterior de Moraes, especialmente à frente do Tribunal Superior Eleitoral, mas afirmou que eventuais irregularidades precisam ser apuradas e punidas. O presidente também buscou se desvincular politicamente do ministro, lembrando que Moraes foi indicado ao Supremo por Michel Temer, em 2017.
Durante a entrevista, Lula voltou ainda ao caso Banco Master e às informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente afirmou que a ampliação do acesso ao material vai permitir esclarecer as relações identificadas na investigação.
Flávio diz que “sem ministros do Lula no Supremo, a democracia vive”
Flávio Bolsonaro concentrou a agenda de campanha no Nordeste. Pela manhã, participou de moto-carreata e comício em Juazeiro do Norte, no Ceará, e visitou o Horto do Padre Cícero. À tarde, seguiu para Recife, onde participou de caminhada e novo comício.
Em Juazeiro do Norte, o candidato voltou a associar Lula à crise no Supremo e atacou ministros indicados pelo atual presidente.
“Ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia”, declarou.
Na sequência, Flávio afirmou: “O que nós vimos ontem, no meu ponto de vista, é a esperança do povo brasileiro que ainda está viva, porque, sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive, o Brasil vive, o Judiciário vive.”
O senador também classificou a sessão de terça-feira como um “triste espetáculo” e acusou ministros indicados por Lula de tentar proteger Moraes.
Já no Recife, Flávio reiterou que pretende alterar a composição do tribunal caso seja eleito. O candidato disse que espera indicar cinco ministros durante um eventual mandato e afirmou que escolheria nomes contrários ao aborto e à legalização das drogas e que, segundo ele, respeitem os limites constitucionais.
Caiado diz que STF está em “lamaçal”
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Ronaldo Caiado cumpriu agenda em São Paulo. Depois de atender a imprensa durante um almoço no Itaim Bibi, participou à noite do Flow Podcast.
O candidato voltou a criticar a condução da sessão de terça-feira e afirmou que Fachin deveria ter rejeitado as questões de ordem apresentadas pelos ministros para permitir que o plenário avançasse diretamente para o mérito.
“Deveria ter rejeitado todas as questões de ordem e passado ao voto imediatamente. Aí, sim, nós teríamos um resultado”, afirmou.
No Flow, Caiado elevou o tom e disse que o STF está em “um lamaçal”. Também classificou a sessão como um “estímulo à desobediência civil” e defendeu que o Senado discuta a situação de Moraes.
Zema critica ministros e propõe novas regras para o STF
Romeu Zema participou à noite de entrevista ao Jornal da Record e também concentrou sua fala na crise do Supremo.
O candidato fez uma crítica generalizada aos integrantes da Corte e afirmou que o episódio de terça-feira mostrou um país “totalmente disfuncional”.
“Quem está lá no Supremo hoje, que é a mais alta Corte do Brasil, está muito mais para bandido do que para juiz”, declarou. A caracterização é de Zema.
Zema defendeu ainda idade mínima de 60 anos para ministros, fim das decisões monocráticas e mudanças no processo de escolha dos integrantes do STF. O candidato propôs que o presidente receba uma lista tríplice elaborada com participação de entidades do meio jurídico e afirmou que familiares de ministros não deveriam exercer atividades ligadas à área jurídica.
Renan defende afastamento de ministros envolvidos no Master
Renan Santos percorreu três cidades do Paraná nesta quarta-feira. O candidato começou o dia em Londrina, seguiu para Maringá e encerrou os compromissos em Cascavel.
Em Londrina, Renan voltou a atacar integrantes do Supremo e afirmou que ministros que tenham envolvimento comprovado em irregularidades relacionadas ao Banco Master devem ser afastados e responsabilizados.
“Todos os ministros envolvidos no escândalo Master precisam ser afastados, presos”, declarou. A fala expressa a posição do candidato e não significa que haja comprovação de crime contra ministros citados nas apurações.
Renan também defendeu uma reforma do Judiciário para reduzir poderes do STF, limitar decisões monocráticas e ampliar a capacidade de fiscalização do Senado sobre a Corte.
Augusto Cury participou do Flow Podcast em São Paulo e, no fim da tarde, tinha previsto atendimento à imprensa durante visita à Praça da Sé.
No podcast, Cury afirmou que a fragilidade do Congresso abriu espaço para que o Supremo avance sobre atribuições de outros Poderes.
“Como são frágeis demais, às vezes não exercem adequadamente seu papel, abrem espaço para a Suprema Corte até legislar. Aí virou o caos da sociedade brasileira”, afirmou.
O candidato voltou a defender o fim da vitaliciedade e mandatos de oito anos para ministros do STF. Segundo Cury, se eleito, pretende provocar o Congresso já no início do mandato para discutir a mudança e buscar um pacto institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
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