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Delator do Master ganhou 570 vezes na loteria e movimentou R$ 176 milhões
Publicado 24/09/2026 • 09:00 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 24/09/2026 • 09:00 | Atualizado há 54 minutos
KEY POINTS
Antônio Carlos Freixo Jr., delator em uma investigação relacionada ao Banco Master, apareceu como ganhador de 570 prêmios de loterias e casas de apostas em um período de cinco anos e meio. Segundo o Ministério Público de São Paulo, as premiações somaram R$ 176 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2025 e passaram a ser analisadas sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro.
Freixo, proprietário da Entre Investimentos, é investigado por suspeita de operar recursos de diferentes clientes. Os promotores avaliam que a frequência das premiações e o volume financeiro movimentado podem indicar o uso de apostas e bilhetes premiados para dar aparência legal a dinheiro de origem não esclarecida.
A investigação também identificou transações entre empresas ligadas ao empresário e companhias que já constaram de outras apurações criminais. Entre elas está a Wave, citada no processo que apura supostos desvios relacionados ao contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.
Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a sequência de premiações merece investigação por sua dimensão e recorrência. Segundo o Estado de S. Paulo, os promotores sustentam que os dados podem revelar uma estrutura financeira criada para transformar recursos de origem ilícita em valores aparentemente regulares.
A hipótese investigada é de que prêmios e apostas tenham sido utilizados como instrumento para justificar a entrada de grandes quantias no sistema financeiro. As movimentações envolvendo Freixo são analisadas no contexto de um conjunto mais amplo de transações atribuídas às pessoas e empresas atendidas por ele.
Os investigadores tratam o empresário como possível operador financeiro de diferentes grupos. Além de negócios ligados ao setor de combustíveis, seu nome também aparece em apurações relacionadas ao Banco Master.
Outro ponto da investigação envolve uma transferência de aproximadamente R$ 940 mil feita por uma empresa ligada a Freixo para a Wave.
A companhia aparece na denúncia apresentada pelo Ministério Público contra ex-dirigentes do Corinthians no caso envolvendo o contrato com a Vai de Bet. Segundo os promotores, a Wave teria sido utilizada em movimentações suspeitas relacionadas aos valores desviados.
De acordo com o MP, a empresa está registrada em nome de um motoboy, apesar de ter movimentado milhões de reais em diversas operações financeiras.
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Siga o Times | CNBCA Wave também realizou transações com um empresário do futebol mencionado na delação de Antonio Vinicius Gritzbach. Gritzbach, que colaborou com investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), foi morto em novembro de 2024 em frente ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Até o momento, a investigação citada não aponta que o pagamento de R$ 940 mil tenha relação direta com os supostos desvios no Corinthians. A transação, porém, é usada pelos investigadores como um dos elementos para mapear a rede financeira associada a Freixo.
Freixo, conhecido como “Mineiro”, firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em seus depoimentos, relatou operações financeiras ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a investigação, Freixo admitiu participação na geração e circulação de dinheiro em espécie usado em transações atribuídas a Vorcaro.
A Entre Investimentos, empresa de Freixo, foi liquidada pelo Banco Central após ser atingida pela Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Entre os episódios mencionados na colaboração premiada estão repasses que, segundo Freixo, teriam sido feitos a pedido de Vorcaro para um fundo que financiou o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Freixo também passou a ser investigado na Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. A apuração se concentra em suas relações com negócios de Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, chamado de Primo.
Os dois são ligados às distribuidoras de combustíveis Copape e Aster e são investigados por suspeita de participação em um esquema bilionário de sonegação fiscal. Segundo as autoridades, empresas associadas ao grupo teriam sido utilizadas para ampliar operações no setor de combustíveis enquanto ocultavam recursos e reduziam de forma irregular o pagamento de tributos.
Os investigadores também apuram relações empresariais mantidas pela dupla. Em uma refinaria, os dois chegaram a ter um traficante internacional de drogas como sócio, circunstância que levou as autoridades a investigar possíveis conexões com integrantes do PCC.
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