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Antônio Carlos Freixo Jr., delator do Master, é suspeito de ocultar negócios de empresários investigados por ligação com a máfia dos combustíveis

Publicado 24/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Antonio Carlos Freixo Jr., delator do caso Banco Master, é investigado por suspeita de ajudar Beto Louco e Primo a ocultar patrimônio e movimentar recursos no setor de combustíveis.
  • A Entre Investimentos, ligada a Freixo, teria sido usada em operações envolvendo a Usina Itajobi e a compra da Terrana, em transações que podem chegar a R$ 153 milhões.
  • O Ministério Público afirma que o Grupo Entre mantinha relações com empresas ligadas aos dois empresários e com outros grupos investigados por suspeita de lavagem de dinheiro.

Antônio Carlos Freixo Jr., delator das investigações sobre o Banco Master, é investigado por suspeita de ajudar Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo, a ocultar patrimônio e movimentar recursos em negócios no setor de combustíveis. Ele é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).

Freixo, conhecido como “Mineiro”, já havia admitido, em colaboração premiada, que atuava na geração de dinheiro em espécie para operações ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Sua empresa, a Entre Investimentos, foi liquidada pelo Banco Central em março, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero.

A nova investigação apura o uso da Entre em transações envolvendo empresas atribuídas a Beto Louco e Primo, apontados como donos da Copape e da Aster. As companhias do setor de combustíveis são investigadas por suspeita de participação em um esquema bilionário de sonegação de impostos.

Segundo o Estado de S. Paulo, a delação de Freixo também inclui informações sobre repasses feitos, a pedido de Vorcaro, a um fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Usina está no centro da apuração

Uma das operações investigadas envolve a Usina Itajobi, no interior de São Paulo. A suspeita é de que a Entre Investimentos tenha sido usada para ocultar que Beto Louco e Primo eram os verdadeiros beneficiários do negócio.

A usina é investigada por suspeita de sonegação superior a R$ 1 bilhão. Para os investigadores, estruturas societárias e fundos de investimento teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos controladores dos ativos.

A apuração também abrange a compra da empresa Terrana. Nesse caso, a Entre teria sido utilizada como intermediária financeira em uma operação vinculada à Usina Itajobi.

O valor da transação pode ter chegado a R$ 153 milhões.

Leia também: Operador de Vorcaro, Mineiro administrava cerca de US$ 1 bilhão de recursos do ex-banqueiro em offshores

Ministério Público aponta estrutura de lavagem

Em manifestação apresentada à Justiça, o Ministério Público afirmou que Freixo, por meio de empresas do Grupo Entre, mantinha relações comerciais e jurídicas com companhias ligadas ao grupo de Beto Louco e Primo.

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Os promotores também dizem ter identificado vínculos com outros grupos investigados e uma estrutura financeira que poderia ser utilizada para lavagem de dinheiro.

Segundo a Promotoria, operações envolvendo prêmios e apostas também passaram a ser analisadas por suspeita de terem servido para movimentar recursos e dar aparência legal a valores de origem ilícita.

Negócios no setor de combustíveis

Beto Louco e Primo são investigados em diferentes frentes relacionadas ao mercado de combustíveis. As apurações incluem suspeitas de sonegação tributária e uso de empresas para ocultação patrimonial.

Uma refinaria ligada aos empresários também teve entre seus sócios um homem apontado como traficante internacional de drogas. O vínculo passou a integrar as investigações sobre possíveis conexões do grupo com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Operação cumpriu mandados em sete unidades da Federação

A Operação Crédito Oculto foi pedida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

As medidas foram autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, e cumpridas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.

A investigação utiliza provas reunidas na primeira fase da Operação Carbono Oculto, incluindo contratos, documentos, mensagens e áudios encontrados em celulares e computadores apreendidos.

Beto Louco e Primo seguem foragidos

Beto Louco e Primo estão foragidos desde 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada durante a primeira fase da Operação Carbono Oculto.

Em outra frente das investigações, a Reag foi liquidada pelo Banco Central. O fundador e ex-proprietário da empresa, João Carlos Mansur, firmou neste mês acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.

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