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Desaceleração da economia deve ganhar força no segundo semestre, diz Alessandra Ribeiro
Publicado 30/05/2026 • 11:30 | Atualizado há 15 minutos
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Publicado 30/05/2026 • 11:30 | Atualizado há 15 minutos
KEY POINTS
O crescimento de 1,1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2026 confirmou a expectativa de um início de ano mais forte para a economia, mas a tendência é de perda de ritmo nos próximos meses. Para Alessandra Ribeiro, sócia-diretora da Tendências Consultoria, os efeitos acumulados dos juros elevados e os reflexos da guerra no Oriente Médio devem reduzir o avanço da atividade econômica ao longo do segundo semestre.
O resultado divulgado pelo IBGE foi impulsionado principalmente pela agropecuária, pelo consumo das famílias e pelos primeiros efeitos de programas anunciados pelo governo. Ainda assim, a economista avalia que esse impulso não deve se manter com a mesma intensidade. “Era essa a expectativa, acelerando a economia, mas o ponto é que isso deve perder tração ao longo dos próximos trimestres e esse crescimento trimestre a trimestre ser menor”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Apesar da desaceleração esperada, Alessandra destaca que setores como serviços, agropecuária, petróleo, gás e minério de ferro seguem sustentando a atividade econômica e ajudam a explicar a posição do Brasil entre as maiores economias do mundo.
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Na avaliação da economista, o principal fator por trás da desaceleração continua sendo a política monetária. “A gente teve um período muito expressivo de juros altos. Agora, o Banco Central está reduzindo muito cautelosamente, mas o ponto é que os juros continuam muito altos, muito restritivos”, afirmou.
Segundo Alessandra, os efeitos desse ambiente ainda serão sentidos por empresas e consumidores nos próximos trimestres, contribuindo para um cenário de crescimento mais moderado.
Além disso, a especialista vê impactos relevantes decorrentes da guerra no Oriente Médio. “Não é só o que sobe na bomba e bate para o consumidor, mas todo o efeito encadeia por frete mesmo, afetando outros segmentos, inclusive a própria alimentação”, disse.
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A economista observou que as pressões já começam a aparecer em diversas cadeias produtivas. “A gente já observa vários itens com pressões de preço, afetando já a inflação de industrializados, inclusive a China. A gente já vê isso claramente nos números, então vai chegar aqui também”, alertou.
Outro fator de preocupação é o risco climático. “A gente está bastante preocupado com os efeitos potenciais para a produção agropecuária, que já pode pegar um finalzinho de 2026 e 2027”, afirmou ao comentar os possíveis impactos do El Niño.
Ao analisar a composição da economia brasileira, Alessandra destacou a importância do setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB. “Se pegar o tamanho do segmento de serviços na economia brasileira, realmente a maior proporção. A gente está falando aí de um número próximo de 70% do PIB brasileiro”, explicou.
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Segundo ela, além do consumo das famílias, programas anunciados pelo governo ajudaram a sustentar a atividade. “Nesse resultado também a gente já capta efeitos iniciais de programas anunciados pelo governo, ajudando a sustentar esse consumo também”, afirmou.
A economista também chamou atenção para fatores estruturais ligados à inovação. “A gente vê toda essa discussão de inteligência artificial, tecnologia e as empresas brasileiras também muito inseridas dessa agenda e isso contribuindo para sustentar essa dinâmica positiva de serviços”, ressaltou.
Na indústria, porém, o cenário é mais heterogêneo. “A indústria de transformação está mais enfraquecida e aí sofrendo diretamente os efeitos também dos juros mais altos”, observou.
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Por outro lado, ela destacou que outros segmentos contribuíram para o resultado positivo do trimestre. “Do lado da extrativa a gente tem bons números de extração, produção de petróleo e gás e minério de ferro. E construção civil, a gente já começa também a ver efeitos iniciais dos programas anunciados pelo governo impactando positivamente o setor”, disse.
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Seguir no GoogleJá na agropecuária, Alessandra ressaltou os resultados da produção de soja e da atividade pecuária. “A gente vê um resultado histórico de alta da produção de soja e da parte de bovinos também, a parte de bovinos com bom resultado”, afirmou.
Questionada sobre a presença do Brasil entre as maiores economias do planeta, a economista afirmou que o resultado não pode ser explicado apenas por uma desaceleração de outros países. “Tem muita coisa aqui da nossa realidade doméstica”, disse Alessandra, ao destacar que o desempenho brasileiro está ligado a fatores internos relevantes.
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Ela ressaltou a força da agropecuária nacional. “A gente está no maior patamar da nossa série, em termos de produção. É uma dinâmica realmente muito expressiva ao longo dos últimos anos”, afirmou.
A economista também destacou a relevância crescente da indústria extrativa. “Temos dentro da própria indústria a dinâmica do segmento de indústria extrativa com peso muito e cada vez mais relevante de petróleo e gás, mas também de minério de ferro”, observou.
No setor de serviços, Alessandra voltou a destacar atividades ligadas à inovação tecnológica. “Tem algumas linhas que têm se destacado e muitas delas relacionadas a esse ambiente mais estrutural de mudança, de inovação, como, por exemplo, serviços de tecnologia”, afirmou.
Ao comparar o desempenho brasileiro com o cenário internacional, a especialista concluiu que a posição do país entre as maiores economias do mundo também reflete características próprias da economia nacional. “Tem muita coisa aqui da própria realidade brasileira para se destacar nesse resultado quando a gente faz essa comparação global”, avaliou.
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