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Semicondutores podem impulsionar nova etapa de desenvolvimento tecnológico do Brasil

Publicado 16/06/2026 • 17:20 | Atualizado há 16 horas

KEY POINTS

  • Rio Grande do Sul busca consolidar posição estratégica em uma cadeia considerada essencial para a economia digital.
  • Brasil já possui destaque internacional no design de chips e avança em etapas como encapsulamento de semicondutores.
  • Formação de talentos e integração entre governo, universidades e empresas são apontadas como principais desafios do setor.

O Brasil reúne condições para ampliar sua participação na indústria global de semicondutores, mas o avanço dependerá da formação de mão de obra qualificada e da construção de uma estratégia nacional integrada para o setor, avalia Simone Stülp, professora da Escola Politécnica da PUC-RS.

Segundo a especialista, os semicondutores se tornaram uma tecnologia essencial para praticamente todos os setores da economia moderna, da indústria aos equipamentos domésticos, o que torna a disputa por essa cadeia uma questão de soberania tecnológica.

“Estamos falando de uma tecnologia portadora de futuro, essencial em diferentes contextos da nossa vida, desde as nossas casas até aplicações industriais de alta complexidade. Mais do que posicionar o Rio Grande do Sul, estamos discutindo o posicionamento do Brasil nesse cenário global”, afirmou nesta terça-feira, (16) em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

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A avaliação ocorre durante a realização do SemiCon-LAC, principal encontro latino-americano da indústria de semicondutores, realizado no Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS, em Porto Alegre.

Onde o Brasil se destaca

Embora a produção mundial de semicondutores esteja concentrada principalmente na Ásia e na América do Norte, Simone afirma que o Brasil já possui competências relevantes em etapas estratégicas da cadeia.

“Quando olhamos a cadeia completa, podemos dividi-la em três grandes áreas: design de chips, fabricação dos componentes e encapsulamento. O Brasil já se destaca mundialmente no design de chips e vem avançando também na área de encapsulamento”, explicou.

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Ela ressalta que os semicondutores estão presentes em setores fundamentais da economia, incluindo automóveis, eletrodomésticos, computadores e tecnologias voltadas ao agronegócio.

“Nós já temos uma trajetória importante na formação de talentos e em setores específicos dessa cadeia. O país construiu competências relevantes e pode ampliar sua participação nesse mercado”, disse.

Talentos e soberania

Para a professora, o principal ativo da indústria de semicondutores não são as fábricas, mas as pessoas capazes de desenvolver e operar tecnologias avançadas.

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“Antes de discutir tecnologia, precisamos discutir se temos pessoas preparadas para atuar em um mercado que movimenta bilhões e trilhões de dólares e é dominado por gigantes globais. Sem talentos e sem cérebros qualificados, não conseguimos nos posicionar nesse setor”, afirmou.

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Ela reconhece que o Brasil possui centros de excelência na formação de profissionais, mas destaca que ainda enfrenta desafios relacionados à escala e à retenção desses talentos.

“Não adianta formar profissionais altamente qualificados se não houver oportunidades para que eles trabalhem aqui. Muitas vezes acabamos formando talentos para outros países”, observou.

Estratégia nacional

Na avaliação de Simone, o próximo passo para o Brasil competir de forma mais efetiva nesse mercado é construir programas estruturados que integrem universidades, setor produtivo e poder público.

“Os países que avançaram em tecnologias estratégicas não fizeram isso com ações isoladas. Precisamos de programas estruturantes que envolvam educação, empresas, governo e sociedade para que essa engrenagem funcione”, afirmou.

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Ela considera que o país já possui iniciativas importantes em áreas como educação superior, ensino técnico e inovação, mas ainda falta uma coordenação nacional mais ampla.

“Estamos trabalhando de forma consistente em várias frentes, mas muitas vezes de maneira isolada. O desafio é integrar esses esforços em uma estratégia de Estado que permita ao Brasil avançar em uma carreira tecnológica competitiva”, concluiu.

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