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Brasil reage a tarifas dos EUA, contesta acusações e ameaça usar Lei de Reciprocidade
Publicado 02/06/2026 • 13:49 | Atualizado há 27 minutos
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Publicado 02/06/2026 • 13:49 | Atualizado há 27 minutos
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Foto: Freepik
O governo brasileiro respondeu nesta terça-feira (2) à divulgação das conclusões preliminares da investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais desleais do Brasil e propõe tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros.
Em nota, o Planalto contestou as acusações, afirmou que os EUA acumulam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o país nos últimos 15 anos e disse que pode recorrer à Lei de Reciprocidade caso sejam adotadas medidas contra o Brasil.
Em 2025, diz o comunicado, 76% das importações americanas entraram no país sem pagar imposto, com tarifa média efetiva de apenas 3,1%.
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O governo ainda afirmou que a investigação, aberta em julho de 2025, foi motivada por articulações ligadas à família Bolsonaro e acusou esses movimentos de sabotar negociações em andamento entre as equipes de Lula e Trump.
O relatório do USTR menciona o Pix entre os instrumentos brasileiros investigados, algo que Brasília rejeita, argumentando que a legislação nacional trata empresas nacionais e estrangeiras de forma idêntica.
Nos argumentos formais enviados ao USTR, o Brasil também contestou críticas aos acordos do Mercosul e citou avanços em propriedade intelectual, combate à corrupção, biocombustíveis e meio ambiente.
O prazo que o governo tem em vista é 15 de julho, data até a qual espera encerrar a investigação da Seção 301 sem a imposição de novas tarifas ou restrições. Se esse cenário não se concretizar, o Platalto afirma que agirá para proteger a economia, os empregos e a renda dos brasileiros.
Durante inauguração do Instituto Federal Goiano, na cidade de Catalão-GO, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou a medida dos Estados Unidos. Segundo Lula, diante do superávit americano, seria o Brasil, e não os Estados Unidos, que teria argumentos para elevar tarifas. “Quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles”, declarou.
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O presidente também defendeu uma postura mais estratégica em relação a minerais críticos e terras raras, rejeitando a ideia de continuar exportando apenas matéria-prima. “Nós precisamos aprender a manuseá-los, a industrializá-los e a produzir valor agregado aqui dentro do Brasil”, afirmou.
Lula atribuiu a medida à atuação da família Bolsonaro junto a autoridades americanas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que se encontrou com Trump recentemente.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São, na verdade, vendilhões [que traem interesses coletivos para benefício próprio] da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse.
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Lula ainda ressaltou que os principais prejudicados são os brasileiros e os setores que sustentam a economia do país. “Eles não estão prejudicando o Lula. Estão prejudicando o povo, os empresários e o nosso agronegócio”, disse.
Mais cedo, a China formalizou o reconhecimento do Brasil como território livre da febre aftosa, medida que abre caminho para aumentar as exportações de carne bovina ao mercado asiático. “Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro. A minha disputa é a disputa de narrativa e a disputa de verdade”, concluiu Lula.
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