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Brasil tem potencial para liderar mercado global de combustível sustentável para aviação
Publicado 11/06/2026 • 19:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 11/06/2026 • 19:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O Brasil reúne condições para se tornar uma potência global na produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), mas ainda precisa superar gargalos de infraestrutura, logística e custo para transformar esse potencial em liderança efetiva no mercado internacional. A avaliação é de José Antônio Brasileiro, empresário e especialista em viagem e aviação.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Brasileiro afirmou que o país possui vantagens competitivas difíceis de serem replicadas por outros mercados, especialmente pela disponibilidade de matérias-primas ligadas ao agronegócio.
“Apesar de os Estados Unidos terem a patente e investirem bastante nessa área, e de a China também avançar em tecnologia, o potencial do Brasil com combustíveis alternativos é muito forte. O etanol da cana-de-açúcar, produtos derivados do milho e outras matérias-primas impulsionam não apenas a aviação, mas diversos setores da economia”, disse.
Segundo ele, o reconhecimento internacional desse potencial já começou a ganhar força. Durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), realizada no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 8 de junho, a entidade destacou o protagonismo que o Brasil pode exercer na produção do combustível sustentável.
“O Brasil tem tudo para assumir esse protagonismo, mas isso depende de vários fatores, principalmente de incentivos governamentais, que existem em larga escala no exterior e ainda são limitados por aqui”, afirmou.
Apesar das perspectivas favoráveis, o especialista observa que a produção nacional ainda está em estágio inicial. Atualmente, os projetos mais avançados concentram-se em iniciativas da Petrobras e em experiências realizadas no Aeroporto Internacional de Salvador, envolvendo empresas como Vibra e companhias aéreas que já começaram a testar o uso do combustível.
“O grande desafio é produzir em escala industrial. Hoje o SAF custa entre duas e quatro vezes mais do que o querosene de aviação tradicional. Enquanto a produção continuar pequena, será difícil ampliar sua utilização”, explicou.
Brasileiro destacou que a viabilidade econômica do combustível sustentável também depende de melhorias estruturais. Segundo ele, a logística é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
“O maior gargalo está no transporte desses insumos até as refinarias e, posteriormente, aos aeroportos. O Brasil ainda não possui uma estrutura ferroviária adequada para dar suporte a essa operação em larga escala”, afirmou.
O especialista também rebateu dúvidas sobre a eficiência operacional do SAF. De acordo com ele, experiências internacionais já demonstraram a segurança e a viabilidade do combustível.
“Em 2021, a United Airlines realizou um voo experimental utilizando 100% de combustível sustentável em um dos motores da aeronave. Foi uma operação segura e sem intercorrências”, disse.
Além da redução das emissões de carbono, Brasileiro acredita que a expansão da produção poderá trazer ganhos econômicos para as companhias aéreas e, futuramente, para os passageiros.
“Estudos mostram que pode haver uma economia de cerca de 1,5% por quilômetro voado. Imagine o impacto disso para as empresas aéreas e, consequentemente, para o preço das passagens”, afirmou.
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Seguir no GoogleNa avaliação do especialista, a produção doméstica de SAF também ajudaria o setor aéreo a reduzir sua exposição às oscilações geopolíticas que afetam o mercado de petróleo.
“Hoje vemos conflitos internacionais pressionando constantemente os preços do petróleo e do querosene de aviação. Se produzirmos combustível localmente em grande escala, teremos menos dependência dessas instabilidades e mais competitividade para as companhias brasileiras”, disse.
Apesar do otimismo, Brasileiro pondera que a consolidação desse mercado ainda depende de decisões políticas e investimentos públicos e privados.
“Tudo ainda está muito no campo da teoria. É preciso que os tomadores de decisão enxerguem o potencial dessa indústria e os benefícios que ela pode trazer para toda a economia. Outros países já estão investindo pesadamente nisso, mesmo tendo menos recursos naturais do que o Brasil”, concluiu.
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