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Canetas emagrecedoras atraem ladrões e se tornam principal alvo de roubos de carga no Brasil
Publicado 23/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 23/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Os medicamentos viraram o alvo principal de quadrilhas especializadas em roubos de carga no Brasil. O roubo de remédios saltou de 1,7% no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% em 2026, de acordo com pesquisa elaborada pela Nstech.
O levantamento aponta que o aumento nas ocorrências envolve, principalmente, o roubo das chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy. Por outro lado, houve uma inversão no roubo de cigarros, que despencou de 34,1% para apenas 3,7% das ocorrências no período analisado.
O estudo ainda mostra que o crime passou a operar com uma lógica de portfólio focada em valor: 40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão, sendo quase metade dessas perdas (44,4%) do setor farmacêutico.
Além disso, as ocorrências em trechos urbanos mais que dobraram, saltando de 18,9% para 38,5% do total de perdas do país.
“Diante dos dados, fica claro que o foco dos criminosos não é mais o volume, e sim o valor da carga e sua liquidez. Essa migração tem implicações diretas para a segurança logística no Brasil. O risco se aproxima da última milha, se infiltra em operações urbanas e exige uma resposta cada vez mais baseada em inteligência, integração de dados, colaboração logística e capacidade de adaptação”, analisa Cristiano Tanganelli, VP de Inteligência de Mercado da Nstech.
O Sudeste voltou a intensificar sua concentração histórica de roubos, saltando de 61%, no primeiro trimestre de 2025, para 78,2% dos prejuízos nacionais no mesmo período de 2026. Em contrapartida, a região Norte, que havia chegado a 20,2% no mesmo período de 2025, zerou suas ocorrências em 2026. Já o Nordeste apresentou crescimento de 13,7% para 20,1%, enquanto o Sul perdeu relevância, passando de 5,1% dos prejuízos no 1T25 para 1,2% no 1T26.
Leia também: Efeito Ozempic e Mounjaro chega aos supermercados e muda hábitos de consumo no Brasil
O calendário da criminalidade também mudou. A quinta-feira disparou e assumiu a liderança, concentrando 30% dos prejuízos, seguida pelas segundas (20,7%) e terças-feiras (16,5%). O domingo, que representava mais de 10% nos anos anteriores, caiu drasticamente para 1,4%.
Na análise de horários, a manhã (28,6%) e a madrugada (28%) foram os períodos mais críticos, com o segundo apresentando uma alta em relação ao primeiro trimestre de 2025 (quando tinha apenas 12,4%), o que sugere uma tática de exploração de janelas de menor fiscalização. Entre as rodovias, a BR-101 (21,6%) e a BR-116 (13%) voltaram ao radar e lideraram os prejuízos nacionais rodoviários.
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