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Alvo da PF por coação a jornalistas, publicitário ligado a Daniel Vorcaro fecha agência e anuncia “sabático”

Publicado 14/07/2026 • 07:48 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Thiago Miranda é apontado pela PF como coautor de crimes supostamente praticados em conjunto com Daniel Vorcaro.
  • Eram oferecidos contratos de até R$ 2 milhões para que influenciadores publicassem conteúdos favoráveis ao Banco Master e descredibilizassem as ações do Banco Central.
  • Caso houvesse recusa das vantagens financeiras, o grupo recorria a táticas de assédio, coerção e intimidação, utilizando informações privilegiadas e sigilosas das vítimas.
Thiago Miranda

Reprodução/ Instagram

O publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, anunciou o fechamento de sua agência, a MiThi, e que vai tirar um “período sabático”, dias após ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

A nota, assinada pelo advogado Rafael Martins e publicada nas redes sociais de Miranda, afirma que o publicitário tirará um ano sabático antes de definir suas próximas atividades profissionais. Ele também era sócio do jornalista Léo Dias em seu portal.

“Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora, quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio. Estou bem, feliz e profissionalmente realizado”, afirmou.

A nota não menciona a operação da PF nem a proximidade de Miranda com Daniel Vorcaro.


Pagamentos de até R$ 2 milhões

Thiago Miranda é apontado pela PF como coautor de crimes supostamente praticados em conjunto com Daniel Vorcaro. O objetivo do grupo seria proteger o núcleo da organização criminosa, manipular a opinião pública, além de coagir, intimidar e vazar dados sigilosos de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

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O nome de Thiago Miranda e de sua agência surgiu logo no início das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Ele é acusado de recrutar influenciadores nas redes sociais para defender a aquisição do BRB pelo Master — transação que acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025.

De acordo com o mandado de busca e apreensão expedido pela PF na última quinta-feira (9), eram oferecidos contratos de até R$ 2 milhões para que influenciadores publicassem conteúdos favoráveis ao Banco Master e descredibilizassem as ações do Banco Central.

Caso houvesse recusa das vantagens financeiras, o grupo recorria a táticas de assédio, coerção e intimidação, utilizando informações privilegiadas e sigilosas das vítimas.

Jornalistas coagidos

Entre os alvos que sofreram coerção de Vorcaro e Miranda estão jornalistas e o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho.

A repórter do jornal O Globo Malu Gaspar foi um dos principais alvos da dupla. Conversas interceptadas pela polícia revelam estratégias para realizar uma “devassa” na vida pessoal, profissional e patrimonial da jornalista. O grupo obteve ilegalmente dados financeiros da repórter — como estimativa de renda, faturas de cartão de crédito e movimentações bancárias — utilizando a plataforma ilícita “NEXTBUSCAS.PRO”, além de levantar informações sobre seus filhos e seu veículo.

Os jornalistas Consuelo Dieguez e Renato Breia também foram assediados pelo grupo com o objetivo de retirar de circulação reportagens negativas sobre os negócios investigados.

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