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Economistas alertam: queda das tarifas é positiva, mas Brasil precisa repensar dependência dos EUA
Publicado 21/11/2025 • 08:44 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 21/11/2025 • 08:44 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
A derrubada da tarifa adicional de 40% dos EUA sobre diversos produtos brasileiros, anunciada nesta quinta-feira (20/11) pelo presidente americano Donald Trump, provocou euforia e alívio em setores da economia brasileira. Economistas, porém, entendem que é preciso entender em profundidade a dimensão da decisão do governo norte-americano para projetar o real efeito para as empresas nacionais.
“Foi melhor do que muita gente imaginava pelo porcentual anunciado. A gente viu ao longo dos últimos meses uma queda bem expressiva no agronegócio. Isso fez com que ocorressem demissões, queda nas exportações”, disse o estrategista-chefe da RB investimentos, Gustavo Cruz. “O Brasil ia crescer menos por conta das tarifas.”
Ele lembra que os EUA, por mais que atualmente sejam o segundo maior parceiro comercial e não o primeiro como a China, ainda é muito relevante para a economia brasileira. “É bem importante que o Brasil tenha uma boa relação comercial com eles. E a gente vê que mesmo que o Lula não tenha a mesma direção política que o Trump, eles conseguiram se entender e isso é positivo”, avalia Cruz. Sobre o impacto no mercado, avalia uma perspectiva melhor principalmente para os ativos de frigoríficos.
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‘Indústria seguirá penalizada’
Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale disse que era natural que Trump caminhasse para a retirada de tarifas de 40% sobre produtos brasileiros que têm peso na importação americana. Ele pontuou que o movimento não resolve todos os setores, e a indústria continuará penalizada. “Mas volta a um mínimo de racionalidade ao menos depois das decisões sem sentido de julho”, afirmou.
Na semana passada, a redução pequena de tarifas a países em geral, de 10%, acendeu alerta amarelo de que as negociações poderiam levar mais tempo do que se imaginava. “Ainda bem que conseguimos resolver de uma forma mais rápida”, disse.
Já no caso da indústria, continuou Vale, “Trump tem a ideia de querer, com as tarifas, aumentar a produção industrial nos EUA, e o fetiche de usar tarifas para fazer isso acontecer com muita intensidade. Então, a indústria brasileira tem de repensar a exportação aos EUA, vendendo para outros países e mercado doméstico, ou repensar e diminuir sua produção”.
Para o economista, dado o superávit comercial dos EUA em relação ao Brasil, “não havia absolutamente nenhum sentido econômico nas tarifas”. “Estamos entrando num terreno um pouco mais racional agora, não integralmente, porque Trump ainda tem um fetiche com as tarifas e, no caso da indústria, efetivamente, vemos mais dificuldade de solução.”
Embora a retirada de tarifas não deva alterar nada em termos de atividade e inflação no Brasil – nem ter relevância na balança comercial, dada a realocação de países –, a decisão inesperada pode gerar alguma repercussão positiva marginalmente no mercado financeiro nesta sexta-feira. “Havia uma apreensão com o começo lento das negociações, e agora, de repente, rapidamente, o processo acelerou de forma muito intensa. Então, pode haver uma reação positiva temporária do mercado por causa disso, com queda da taxa de câmbio, alta da Bolsa. Vai ser mais um elemento para ajudar o momento positivo de Bolsa e de câmbio que vimos ao longo das últimas semanas.”
Impacto no dólar
Para o economista André Perfeito, a cotação do dólar pode romper o piso de R$ 5,30. Na quarta-feira (19/11) a moeda americana à vista terminou o dia em R$ 5,33. “Isso é uma excelente notícia e reforça a perspectiva de um setor externo mais robusto. Por exemplo, o café tinha perdido 50% das exportações para os EUA. Só disso ser normalizado podemos pensar em algum boom das exportações”, afirmou.
Na avaliação do economista, a decisão desta quinta de Donald Trump praticamente sepulta as perspectivas “políticas” na questão tarifária.
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