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Economia Brasileira

Embargo europeu expõe choque entre competitividade brasileira e protecionismo agrícola

Publicado 08/06/2026 • 21:09 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Segundo Alê Delara, o problema não está relacionado à sanidade dos produtos brasileiros, mas ao cumprimento de exigências burocráticas e regulatórias impostas pelo bloco europeu.
  • O especialista avalia que há forte componente de proteção econômica na decisão, já que produtores europeus enfrentam dificuldades para competir com o agronegócio brasileiro.
  • Além das restrições da União Europeia, o Brasil também enfrenta barreiras comerciais nos Estados Unidos e na China, aumentando os desafios para o setor no mercado internacional.

A decisão da União Europeia de suspender a importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Embora a medida tenha sido justificada por exigências regulatórias e de rastreabilidade, especialistas avaliam que a disputa também envolve questões de competitividade e pressões do setor agropecuário europeu.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o diretor da Delara Agronegócios, Alê Delara, afirmou que o problema não está relacionado à qualidade sanitária dos produtos brasileiros. “Não há problemas de sanidade na produção de carnes aqui no Brasil, nem na agropecuária brasileira. O que a Europa está exigindo é que nós nos enquadremos dentro dos procedimentos que eles estão adotando”, explicou.

Segundo Delara, a restrição foi motivada por questionamentos sobre a comercialização de antimicrobianos no país, após representantes de um sindicato irlandês relatarem ter adquirido o produto sem exigências consideradas adequadas pelas regras europeias. Para ele, a medida atende também a interesses econômicos. “A maneira que eles encontraram de poder bloquear as exportações do principal competidor global foi através destes procedimentos”, disse.

O especialista reconhece que o Brasil ainda precisa aperfeiçoar processos burocráticos ligados à documentação e à rastreabilidade exigidas pela União Europeia. Por outro lado, rejeita críticas relacionadas à segurança sanitária dos produtos brasileiros. “O nosso problema não é de sanidade, mas sim de burocracia”, afirmou, lembrando que recentemente países como a China e o Japão reconheceram avanços do Brasil no controle da febre aftosa.

A suspensão ainda pode ser revertida antes de entrar em vigor. De acordo com Delara, o governo brasileiro tem cerca de dois meses e meio para demonstrar conformidade com as exigências europeias. “O Brasil conseguirá atender esses procedimentos. Nós devemos nos adequar e provar que estamos adequados às exigências da União Europeia”, avaliou.

Apesar dessa possibilidade, ele alerta para a existência de forte resistência política dentro do bloco europeu. “Existe um forte lobby dentro da Europa contra produtos brasileiros”, afirmou. Segundo o diretor, a agropecuária europeia recebe subsídios equivalentes a entre 20% e 25% do valor bruto da produção, enquanto o apoio governamental ao setor no Brasil gira entre 2% e 3%, o que ampliaria a vantagem competitiva dos produtores brasileiros.

Delara também demonstrou preocupação com os reflexos internacionais da decisão. Além das restrições europeias, ele lembrou que os Estados Unidos discutem novas tarifas sobre produtos brasileiros e que a China mantém limites de exportação para determinados itens do agronegócio. “Por motivos diferentes, a agropecuária brasileira vem enfrentando resistências a nível global”, afirmou.

Embora a União Europeia responda por uma parcela relativamente pequena do volume exportado de carne bovina pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por remunerar melhor os fornecedores. “Eles pagam quase US$ 8 mil por tonelada, cerca de 35% acima do que a China paga”, destacou Delara. Para ele, manter acesso ao mercado europeu também funciona como um selo de qualidade para os produtos brasileiros e pode influenciar a percepção de outros compradores internacionais.

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