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Economia Brasileira

Há espaço para novos cortes da Selic neste ano, avalia Fernanda Rocha

Publicado 03/08/2026 • 19:00 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Boletim Focus passou a indicar Selic de 13,75% no fim do ano, abrindo espaço para um corte adicional além da decisão esperada nesta semana.
  • Enfraquecimento do dólar tende a beneficiar ouro, Bolsa brasileira e mercados emergentes, enquanto fortalecimento da moeda americana pressiona ativos de risco.
  • Movimentos no Japão e nos Treasuries dos Estados Unidos seguem no radar por influenciarem juros globais, fluxo de capitais e custo de financiamento das empresas.

A expectativa de que o Banco Central possa estender o ciclo de queda dos juros para além da reunião desta semana ganhou força após a revisão das projeções do mercado para a Selic, segundo Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ela afirmou nesta segunda-feira (3) que o Boletim Focus já passou a indicar uma taxa básica de 13,75% no fim deste ano, refletindo a possibilidade de um corte adicional depois da decisão esperada para esta semana.

Segundo a especialista, até poucos dias atrás a expectativa predominante era de encerramento do ano com a Selic em 14%, mas a revisão das projeções abriu espaço para um cenário de flexibilização monetária um pouco mais intenso.

“Muitos economistas já falam sobre essa possibilidade e ainda tem muita coisa acontecendo. Esse movimento de queda pode até se acentuar”, afirmou.

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Dólar fraco impulsiona ouro e mercados emergentes

Na avaliação de Fernanda, o comportamento do dólar continua sendo um dos principais fatores para explicar o desempenho de ativos como ouro, Bolsa brasileira e mercados emergentes.

Segundo ela, quando a moeda americana perde força, parte dos recursos migra para outros ativos de risco e para investimentos considerados alternativas ao dólar.

“Quando o dólar se fortalece, ele suga dinheiro do mundo todo, inclusive do ouro. Quando recua, libera recursos para outras teses, como ouro, Bolsa e mercados emergentes”, explicou.

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A assessora destacou que esse movimento também ajudou alguns ativos brasileiros ao longo das últimas sessões, favorecendo a entrada de capital na renda variável.

Japão pode influenciar juros no mundo inteiro

Outro ponto de atenção, segundo Fernanda, é a mudança na dinâmica do iene e o possível desmonte das operações de carry trade, estratégia em que investidores captam recursos a juros baixos no Japão para investir em ativos de maior rendimento, como os Treasuries americanos.

Ela explicou que uma redução desse movimento pode provocar aumento dos juros de longo prazo nos Estados Unidos, encarecendo o custo de financiamento para empresas e governos em diversos países.

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“Se começa a haver um desmonte dessas posições, os juros longos americanos sobem e isso impacta o mundo inteiro. O custo da dívida aumenta para todos”, afirmou.

Segundo Fernanda, esse processo já vem sendo observado há mais de um ano e merece atenção dos investidores.

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Juro longo pesa mais para empresas do que a Selic

A especialista também chamou atenção para uma diferença frequentemente ignorada nas discussões sobre crédito.

Segundo ela, embora muitos empresários concentrem suas preocupações na Selic, é o comportamento dos juros longos que realmente influencia o refinanciamento das dívidas corporativas.

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“A Selic não é o principal fator para a rolagem das dívidas das empresas. O que realmente impacta é o juro longo, porque é ele que determina o custo do financiamento”, explicou.

Na avaliação dela, mudanças no mercado internacional acabam afetando diretamente a curva de juros brasileira por meio desse mecanismo.

Dólar forte não favorece mercados emergentes

Questionada sobre os impactos da instabilidade no Japão, Fernanda afirmou que um eventual fortalecimento adicional do dólar tende a favorecer apenas a economia americana.

Segundo ela, caso os Treasuries passem a oferecer retornos ainda maiores, parte do capital global poderá migrar novamente para os Estados Unidos, reduzindo o fluxo para mercados emergentes.

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“Dólar forte definitivamente não é bom para nós. Quando ele enfraquece, o dinheiro vai para ouro, commodities, emergentes e Bolsa. É isso que beneficia mercados como o brasileiro”, disse.

Commodities explicam desempenho da Bolsa brasileira

Ao comentar o comportamento recente do Ibovespa, Fernanda ressaltou que a forte participação de empresas ligadas às commodities faz com que a Bolsa brasileira acompanhe de perto as oscilações dos preços internacionais.

Segundo ela, a recente queda do petróleo limitou o desempenho do índice, enquanto o enfraquecimento do dólar ajudou a sustentar parte da recuperação observada ao longo do pregão.

“Nossa Bolsa é muito ligada às commodities. Quando petróleo e outras matérias-primas recuam, isso pesa bastante por aqui. Já um dólar mais fraco acaba favorecendo a entrada de recursos no mercado brasileiro”, concluiu.

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