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Juros altos podem levar economia a crescer perto de 1% em 2027, diz Felipe Salto

Publicado 22/09/2026 • 21:53 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Felipe Salto avalia que o Banco Central ainda tem espaço para reduzir a Selic, mas deverá avançar em cortes graduais diante das incertezas fiscais.
  • Economista-chefe da Warren considera otimista a projeção de crescimento de 2% do governo para 2026 e vê desaceleração já em curso na atividade.
  • Para 2027, Salto projeta crescimento próximo de 1% caso o próximo governo faça um ajuste fiscal capaz de conter a expansão real das despesas.

A combinação entre juros ainda elevados, desaceleração da atividade e um necessário ajuste das contas públicas pode levar o crescimento brasileiro para perto de 1% em 2027, segundo Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos. Em entrevista nesta terça-feira (22) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que o próximo governo terá de conter o avanço das despesas, enquanto o Banco Central deverá calibrar a redução da Selic para evitar uma desaceleração excessiva.

Eu acho que, no ano que vem, nós vamos ter um crescimento mais próximo de 1%”, projetou Salto. Para ele, esse cenário ganha força caso o ajuste fiscal inclua mudanças em despesas obrigatórias, subsídios, benefícios tributários e emendas parlamentares e consiga produzir uma trajetória de recuperação do resultado primário.

Fiscal condiciona espaço para queda dos juros

Na avaliação do economista, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a ligação entre as políticas fiscal e monetária. Uma redução mais consistente dos juros dependeria, portanto, de medidas capazes de controlar o crescimento dos gastos públicos.

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“O principal ponto, o que fica mais nítido na ata, é que para haver uma mudança na política de juros, na política monetária, precisa haver antes uma mudança na política fiscal”, explicou.

Salto considera que o Banco Central foi além do necessário ao elevar anteriormente a Selic a 15%, porque a política monetária já se encontrava em terreno contracionista. Para ele, os juros reais permanecem significativamente acima da taxa considerada neutra.

“O Banco Central errou ao colocar a Selic em 15%. Ele errou porque não precisava de todo aquele incremento na Selic”, avaliou o economista.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica já apresenta sinais de perda de força. Salto citou o IBC-Br, indicador do Banco Central, para sustentar que a desaceleração começou em meados do ano passado e tende a continuar sob o efeito dos juros elevados.

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“Com essa taxa de juros gigantesca, o efeito é esse mesmo, é esse o efeito que o Banco Central busca, inclusive para conseguir fazer com que a sua projeção de inflação […] converja para os tais 3%”, observou.

Cortes graduais e risco de recessão

Apesar da desaceleração, Salto entende que o risco fiscal limita a velocidade com que o BC pode reduzir os juros. A estratégia, em sua avaliação, deve continuar baseada em movimentos pequenos.

O economista defendeu que a autoridade monetária continue reduzindo a Selic “a conta-gotas”, com cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões. Dessa maneira, o país ainda começaria 2027 com juros nominais e reais elevados, mas poderia ganhar espaço adicional caso o próximo governo apresente um plano fiscal considerado suficiente para aliviar a curva de juros.

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Salto alertou que uma atividade mais fraca combinada à política monetária restritiva também cria risco de contração econômica em 2027. “Eu vejo até a possibilidade, não acho que é o cenário base, mas de uma recessão em algum momento do ano que vem”, ponderou.

Nesse cenário, o desafio será encontrar um equilíbrio que permita reduzir o custo financeiro para empresas, famílias e governo sem abandonar o esforço de reorganização fiscal.

Projeção de 2% ainda é otimista

Sobre a revisão do Ministério da Fazenda para crescimento de 2% da economia neste ano, Salto considerou que a estimativa se aproximou da direção indicada pelo mercado, mas ainda está acima do que considera mais provável.

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“O governo revisou de 2,3% para 2%, então isso significa que está na mesma direção de desaceleração, mas me parece que ainda é uma estimativa relativamente otimista”, destacou.

Segundo ele, projeções de PIB carregam um grau elevado de dificuldade mesmo com os instrumentos estatísticos disponíveis. As estimativas de mercado mencionadas durante a entrevista estavam abaixo de 2%, entre 1,7% e 1,8%.

Ajuste cobra preço em 2027

Para Salto, qualquer programa fiscal capaz de efetivamente reduzir o crescimento real das despesas terá impacto contracionista no curto prazo. Entre os gastos que poderiam integrar essa discussão, ele mencionou Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial, emendas parlamentares, subsídios, subvenções e benefícios tributários.

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“Se for um pacote que, de fato, produza uma trajetória de recuperação do resultado primário, significa que no primeiro ano, mesmo que não se vá da água para o vinho, algum esforço fiscal inicial já em 2027 terá que aparecer”, ressaltou.

Esse movimento representaria retirada de estímulos da economia justamente em um momento de crescimento mais fraco. Para o economista, porém, a calibragem entre política fiscal e monetária poderia permitir que os efeitos positivos começassem a aparecer posteriormente.

“Vai ter que calibrar bem essa combinação de política monetária e fiscal para que, depois desse esforço inicial em 2027, a gente possa colher os frutos lá a partir de 2028”, disse.

Salto considera ainda que os candidatos evitam explicitar durante a campanha o custo de um futuro ajuste fiscal pelo risco eleitoral, embora avalie que exista consciência sobre a necessidade de novas medidas. “É um preço que vai precisar ser pago e me parece que, apesar dos candidatos não reconhecerem isso hoje, por razões óbvias, porque eles têm medo de perder voto em razão disso, todos eles têm consciência de que vai ser preciso aprimorar as medidas”, concluiu.

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