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Juros altos e volatilidade devem marcar o segundo semestre

Publicado 26/06/2026 • 16:45 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Inflação persistente nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas mantêm o cenário global desafiador para investidores.
  • Dólar deve permanecer fortalecido diante dos juros elevados e das incertezas sobre a política monetária americana.
  • Protecionismo de Donald Trump tende a seguir como eixo da política econômica dos Estados Unidos, segundo especialista.

A combinação entre inflação persistente, juros elevados e tensões geopolíticas deve continuar ditando o comportamento dos mercados globais no segundo semestre, afirmou Marcelo Cabral, CEO e sócio-fundador da Stratton Capital. Segundo ele, o cenário exige cautela de investidores e empresas brasileiras, especialmente diante dos reflexos sobre o dólar, as commodities e os ativos de risco.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (26), o especialista destacou que, embora os preços do petróleo tenham recuado após a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, os efeitos inflacionários ainda permanecem presentes na economia americana.

“A gasolina começou a cair, mas ainda de forma pouco expressiva. A inflação continua persistentemente alta e existe muita incerteza sobre a trajetória dos juros e dos preços do petróleo”, afirmou.

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Na avaliação de Cabral, a volatilidade continuará elevada enquanto não houver uma definição mais clara sobre o cenário geopolítico e monetário.

Dólar forte

O executivo acredita que o dólar deverá permanecer valorizado diante da manutenção dos juros americanos em patamares elevados, reduzindo as chances de uma desvalorização significativa da moeda.

“A expectativa é que o dólar continue forte em relação às principais moedas. Com relação ao real, a tendência mais provável é que ele permaneça acima do patamar de cinco reais”, explicou.

Cabral ponderou que a taxa de câmbio continua sendo uma das variáveis mais difíceis de projetar por depender tanto dos fundamentos econômicos quanto de fatores políticos.

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Fed no radar

Outro fator de atenção, segundo o especialista, é a chegada de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve (Fed), que introduziu mudanças relevantes na forma de comunicação da autoridade monetária.

“O Kevin Warsh anunciou mudanças bastante disruptivas na comunicação do Fed. Isso adiciona ainda mais complexidade ao cenário e aumenta as incertezas sobre a trajetória futura dos juros”, observou.

Para Cabral, o maior risco atualmente não é apenas a manutenção das taxas elevadas, mas a possibilidade de novos aumentos caso a inflação continue resistente.

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Estratégia de Trump

Durante a entrevista, Cabral também comentou a nova ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas de 100% sobre países que taxarem serviços digitais de empresas americanas. Para ele, movimentos desse tipo fazem parte da estratégia de negociação do presidente americano.

“Donald Trump é essencialmente um negociador. Ele faz declarações bombásticas como parte do processo de negociação e não tem receio de romper protocolos”, avaliou.

Segundo o executivo, apesar da volatilidade provocada por anúncios inesperados, existe uma linha consistente na política econômica do presidente dos Estados Unidos. “No médio e longo prazo, Trump é relativamente previsível. Seu programa econômico continua baseado na reindustrialização dos Estados Unidos, na redução da dependência da China e no fortalecimento do protecionismo”, concluiu.

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