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Economia Brasileira

Inflação e cenário fiscal mantêm risco de juros altos, aponta Fernanda Rocha

Publicado 21/09/2026 • 17:33 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Desaceleração da atividade pode abrir espaço para novos cortes da Selic, mas inflação e cenário fiscal ainda exigem cautela do Banco Central.
  • Fernanda Rocha vê maior atratividade em títulos ligados ao IPCA, que combinam proteção contra inflação e juros reais elevados.
  • Assessora de investimentos também recomenda diversificação internacional diante dos riscos domésticos e das possíveis oscilações do câmbio no período eleitoral.

A desaceleração da economia brasileira cria condições para novos cortes da taxa Selic, mas o Banco Central ainda enfrenta um cenário que exige cautela, principalmente diante da inflação e das incertezas fiscais, afirmou Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Em entrevista nesta segunda-feira (21), Fernanda destacou que os sinais de perda de força da atividade convivem com um mercado de trabalho ainda aquecido, o que torna mais delicada a condução dos juros. “A gente vê uma desaceleração na atividade, mas a gente vê o pleno emprego”, afirmou.

Para a assessora de investimentos, a continuidade do ciclo de redução da Selic dependerá também da capacidade de o País transmitir credibilidade ao mercado, especialmente diante do cenário que se desenhar após as eleições.

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Se a gente não entregar essa credibilidade para o mercado, a gente pode correr aquele risco”, afirmou. Segundo Fernanda, uma redução dos juros sem condições econômicas que a sustentem poderia estimular a saída de recursos do País, pressionar o real e voltar a alimentar a inflação.

Câmbio pode devolver pressão à inflação

Fernanda Rocha comparou a situação a um “cobertor curto” para o Banco Central. Cortar os juros pode ajudar a atividade, mas uma redução que provoque perda de atratividade dos ativos brasileiros poderia enfraquecer a moeda.

Se a gente diminui, a gente vai ter evasão de dinheiro e a gente vai ter a depreciação do real. E isso é muito perigoso porque a gente já tem uma inflação acima do teto”, disse.

Na avaliação da assessora de investimentos, uma desvalorização mais intensa do real poderia provocar nova pressão sobre os preços, comprometendo parte dos avanços obtidos no combate à inflação.

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Se a gente começa a ter o nosso real perdendo força, a gente vai ter uma puxada dos preços e, com isso, mais inflação. Isso faz a gente voltar para a estaca zero de novo”, afirmou.

Títulos ligados ao IPCA ganham espaço

Nesse ambiente, Fernanda considera os ativos vinculados ao IPCA uma das alternativas mais atraentes dentro da renda fixa, principalmente por combinarem proteção contra a inflação com taxas reais consideradas elevadas.

Entre os exemplos estão as NTN-Bs, títulos da dívida pública corrigidos pela inflação. A assessora de investimentos avalia que as taxas atuais permitem ao investidor tanto buscar ganhos com uma eventual valorização dos papéis quanto preservar poder de compra em um cenário econômico adverso.

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A taxa está muito alta, tem muito espaço para essa taxa cair e obter aí uma boa marcação a mercado”, afirmou. Caso esse movimento não ocorra, acrescentou, o componente inflacionário ainda funciona como proteção e oferece atualmente um juro real elevado.

Os títulos prefixados também aparecem como alternativa, mas Fernanda demonstra preferência pelos papéis atrelados ao IPCA. Segundo ela, os prefixados carregam maior risco de marcação a mercado caso os juros permaneçam elevados por mais tempo.

Exterior entra na estratégia de diversificação

Além da renda fixa brasileira, a assessora de investimentos vê espaço para aumentar a exposição a investimentos internacionais. Na avaliação de Fernanda Rocha, a relação entre risco e potencial de retorno permanece favorável para a diversificação fora do País.

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Gostamos muito da assimetria de investimento no exterior, porque a gente acredita que o câmbio tem muito mais para subir, com o real depreciado, do que para cair mais”, afirmou. Ela também mencionou ativos relacionados à inteligência artificial como uma área que ainda pode oferecer oportunidades.

Ela recomenda, de maneira geral, manter entre 10% e 30% do patrimônio no exterior, embora ressalte que a proporção adequada dependa da situação de cada investidor.

Com o dólar recuando e o real apresentando valorização nesta segunda-feira, a assessora de investimentos considera que o momento pode representar uma janela para quem ainda pretende ampliar sua diversificação internacional.

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Bolsa ainda carrega prêmio de risco

No mercado acionário brasileiro, a perspectiva de juros menores já contribuiu para uma redução parcial do prêmio de risco, segundo Fernanda, mas as incertezas domésticas continuam limitando uma melhora mais consistente.

A assessora de investimentos relacionou parte do movimento recente a acontecimentos envolvendo o STF e ao cenário eleitoral, além da percepção do mercado sobre uma possível mudança de governo. Na avaliação dela, esses fatores contribuíram para reduzir parte do prêmio anteriormente incorporado aos ativos.

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A gente entende que teve já um ajuste, diminuir um pouco esse prêmio de risco, mas ainda tem muito prêmio de risco na mesa”, afirmou.

Para Fernanda Rocha, uma retirada mais significativa desse prêmio dependerá principalmente de uma política fiscal considerada mais crível pelo mercado, fator que continuará influenciando juros, câmbio e a avaliação dos ativos brasileiros nos próximos meses.

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