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Energia limpa ganha força com crises de petróleo e gás e movimenta US$ 2,2 trilhões
Publicado 20/09/2026 • 08:00 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 20/09/2026 • 08:00 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
A expansão da energia limpa está criando um novo problema para o setor elétrico: a infraestrutura necessária para levar essa energia até consumidores e empresas não cresce no mesmo ritmo. É o principal alerta da 10ª edição do Sustainability Trends Report, produzido pela gestora Generation Investment Management.
O estudo mostra que 2025 foi marcado por avanços importantes em tecnologias de baixa emissão. A geração solar aumentou 30% e a capacidade mundial de armazenamento em baterias cresceu pelo menos 40%.
As fontes de baixa emissão, juntas, foram suficientes para atender todo o crescimento da demanda global por eletricidade e ainda acrescentaram geração ao sistema.
O desafio agora está em conectar essa capacidade. A expansão de usinas renováveis ocorre ao mesmo tempo em que aumenta o número de veículos elétricos, bombas de calor, baterias e centros de processamento de dados. Todos esses equipamentos dependem de uma rede capaz de absorver novos volumes de geração e consumo.
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A mudança também aparece nos hábitos de consumo. Em 2025, um em cada quatro carros novos vendidos no mundo tinha algum tipo de conexão elétrica. Na Europa, as vendas de veículos elétricos cresceram 30%.
A eletrificação avançou também em outras áreas. As vendas de bombas de calor em 11 países europeus subiram cerca de 17%, enquanto a comercialização de fogões de indução na Índia ficou dez vezes maior.
A consequência é uma transferência gradual do consumo de combustíveis diretamente para a eletricidade. Transporte, aquecimento e parte dos processos industriais passam a depender mais das redes, aumentando a necessidade de novas linhas de transmissão, sistemas de distribuição e armazenamento.
A inteligência artificial adiciona outra camada de pressão. O uso crescente de modelos de IA exige mais capacidade dos centros de processamento de dados, justamente quando redes de vários países já enfrentam limitações.
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A questão não envolve apenas a infraestrutura. As recentes turbulências nos mercados de petróleo, gás e outros insumos fizeram a segurança energética ganhar peso nas discussões sobre a transição.
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Siga o Times | CNBCO relatório aponta que a dependência dos combustíveis fósseis pode afetar inflação, abastecimento e produção de alimentos. A agricultura é um exemplo: fertilizantes nitrogenados dependem do gás natural para sua fabricação e são utilizados na produção de alimentos que sustentam quase metade da população mundial.
Choques na oferta ou nos preços do gás, portanto, podem chegar ao campo e aumentar os custos de produção agrícola.
Há ainda uma dependência diferente na fabricação das próprias tecnologias consideradas essenciais para a transição. A China concentra uma parcela importante da produção mundial de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. Segundo o estudo, a expansão da indústria chinesa ajudou a reduzir os custos da energia solar nas últimas duas décadas.
Essa concentração, por outro lado, cria riscos para países que dependem de fornecedores externos. A diferença em relação ao petróleo e ao gás é que equipamentos como painéis, baterias e turbinas são bens de capital instalados por anos, enquanto os combustíveis precisam ser continuamente extraídos e adquiridos.
O dinheiro destinado à transição também cresceu, mas permanece distante do necessário para cumprir as metas climáticas mais ambiciosas.
Em 2025, os investimentos globais em energia limpa chegaram a US$ 2,2 trilhões, aproximadamente o dobro do volume destinado aos combustíveis fósseis. A cifra, entretanto, ainda representa menos da metade do que a Agência Internacional de Energia estima ser necessário no início da década de 2030.
A estimativa citada pelo relatório aponta para US$ 4,5 trilhões anuais em investimentos em energia limpa para manter o mundo em uma trajetória compatível com o limite de 1,5°C de aquecimento.
O levantamento, portanto, coloca a transição energética diante de um desafio que vai além da criação de novas tecnologias. Para acompanhar a mudança, será necessário ampliar redes elétricas, capacidade industrial, financiamento e infraestrutura, além de reduzir vulnerabilidades nas cadeias de fornecimento.
A mesma eletrificação que ajuda a diminuir o uso de combustíveis fósseis passa, assim, a exigir uma expansão acelerada do sistema responsável por produzir e distribuir eletricidade.
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