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El Niño mantém mercado de cacau em alerta mesmo com previsão de superávit

Publicado 29/06/2026 • 12:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mercado segue sensível às condições climáticas apesar da expectativa de superávit na safra 2025/26.
  • Instabilidade pode limitar a oferta global, sustentar preços elevados e afetar o consumo de chocolates.
  • Indústria defende aumento da produtividade e políticas de incentivo para fortalecer a produção nacional.

A previsão de superávit para a safra mundial de cacau 2025/26 não elimina as preocupações com o impacto do El Niño sobre a oferta global, afirmou Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC. Segundo ela, o mercado continua precificando riscos climáticos, diante da fragilidade da produção mundial e da incerteza sobre a capacidade de atender à demanda da indústria.

“Viemos de uma perspectiva de superávit na próxima safra, mas é um superávit muito pequeno, que se explica muito menos por um aumento na safra e muito mais por uma queda na demanda. Estamos em um momento de instabilidade na produção e o El Niño é mais um aspecto para essa instabilidade”, afirmou nesta segunda-feira (29), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

A executiva explicou que o cenário internacional é fortemente influenciado pela África, responsável por mais de 70% da produção mundial de cacau. Segundo ela, as lavouras da região são mais suscetíveis aos efeitos do clima, doenças e pragas, o que amplia o risco de novas restrições na oferta.

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Mercado atento ao clima

Mesmo com a expectativa de superávit, Anna Paula destacou que o mercado continua reagindo às incertezas climáticas, o que mantém pressão sobre os preços.

Ela lembrou que o consumo global de derivados de cacau recuou em 2025 em razão das fortes altas registradas nos preços ao longo de 2024 e do início deste ano. Apesar da recente queda das cotações internacionais, o mercado ainda trabalha acima da média histórica.

“A previsão era de que o consumo fosse retomado entre setembro e outubro, mas a instabilidade climática acaba precificando para cima, porque não se tem certeza se na próxima safra teremos cacau suficiente para atender essa demanda”, disse.

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Consumo e indústria

Segundo a presidente da AIPC, os efeitos das altas de preços chegam ao consumidor com atraso, já que os produtos comercializados utilizam matéria-prima adquirida meses antes.

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Ela afirmou que o aumento das cotações levou consumidores a reduzirem o volume de compras ou migrarem para produtos mais baratos, enquanto a indústria de moagem registrou retração expressiva na demanda.

“Ano passado, o consumo de derivados caiu 18%. É uma queda muito grande, o que tem impactado inclusive na aquisição de amêndoas de cacau brasileiras”, destacou.

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Competitividade brasileira

Além da volatilidade dos preços internacionais, Anna Paula afirmou que a indústria brasileira enfrenta dificuldades decorrentes da baixa produção nacional e de medidas que, segundo ela, reduzem a competitividade do setor.

A executiva citou restrições à importação de cacau e mudanças nas regras de drawback, que, na avaliação da associação, aumentam custos e reduzem a capacidade de exportação da indústria processadora.

Ela defendeu ainda investimentos para elevar a produtividade das lavouras brasileiras, hoje entre 300 e 350 quilos por hectare, por meio de assistência técnica, crédito rural e fortalecimento das cooperativas.

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“Se o produtor não se fortalece, a indústria não tem de quem comprar e acaba reduzindo a operação no país, perdendo para outras regiões globais que agregam valor ao produto”, concluiu.

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