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Real forte tem mais relação com fraqueza dos EUA do que mérito doméstico, diz especialista
Publicado 27/04/2026 • 15:00 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 27/04/2026 • 15:00 | Atualizado há 6 meses
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Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A valorização do real em 2026 está mais ligada à perda de força do dólar e à desconfiança global sobre os Estados Unidos do que exclusivamente a fundamentos internos do Brasil. Essa é a avaliação de Alexandre Jorge Chaia, professor de Finanças do Insper e sócio da Carmel Capital, ao analisar o desempenho da moeda brasileira neste ano.
A moeda brasileira se beneficiou da combinação entre juros elevados no Brasil, atração de capital estrangeiro e um cenário externo em que investidores passaram a buscar alternativas ao mercado americano.
O especialista avalia que o Brasil ganhou relevância entre emergentes por ser visto como parceiro neutro, produtor de commodities e país fora dos principais conflitos geopolíticos.
Para Chaia, o dólar ainda pode encerrar o ano acima de R$ 5, com menor chance de novas quedas acentuadas e sem perspectiva de disparada no curto prazo. Segundo ele, embora a taxa de juros brasileira siga importante, o principal vetor recente veio do exterior. “O principal motivo que fez o dólar cair é muito mais a fraqueza nos Estados Unidos”, afirmou nesta segunda-feira (27) em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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Chaia destacou que o movimento começou após a eleição de Donald Trump e reflete o receio de investidores em relação à previsibilidade americana. “As pessoas antigamente, quando havia qualquer incerteza, iam para os Estados Unidos. Já não veem mais essa situação acontecendo”, explicou.
Na visão do especialista, o Brasil passou a se destacar por características estratégicas. Entre elas, a capacidade de dialogar com diferentes polos econômicos e manter relações com China, Europa e Estados Unidos. “O Brasil, por ser um país que tem uma abertura com todo mundo, não está no arco de influência de nenhum dos países”, frisou.
Ele também citou fatores econômicos estruturais, como produção de petróleo, alimentos e reservas minerais. Para Chaia, isso reforça a imagem de segurança em tempos de tensão internacional. “Esse conjunto todo faz com que o Brasil seja um país seguro”, ressaltou.
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Siga o Times | CNBCApesar disso, ponderou que o país ainda enfrenta entraves relevantes. “Eu não sei se ele é um país muito bom para investimento. Acho que tem o problema fiscal, tem o problema de polarização política”, apontou.
Sobre o impacto do cenário eleitoral brasileiro, Chaia disse que o mercado ainda não consegue precificar claramente os efeitos de 2026 sobre o câmbio.
Segundo ele, um governo mais liberal poderia agradar parte dos investidores pela expectativa de ajuste fiscal, enquanto a continuidade do atual grupo político manteria previsibilidade externa. “Hoje não dá para pesar ainda qual vai ser o vetor que vai fazer o câmbio subir ou cair no futuro.”
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Para o restante do ano, Chaia vê espaço limitado para nova queda da moeda americana. Na avaliação dele, níveis muito baixos também não interessam ao país por afetarem competitividade das exportações. “Não acho que o dólar vá cair muito mais, acho que tem pouco espaço para uma queda”, disse.
Ele considera plausível um fechamento entre R$ 5,15 e R$ 5,20, em linha com parte das projeções de mercado. “Está mais para o cenário do Focus do que para um cenário de uma queda muito mais brusca do dólar”, finalizou.
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