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Redução dos juros deve ser mais lenta, projeta José Roberto Mendonça de Barros

Publicado 26/03/2026 • 21:36 | Atualizado há 4 meses

KEY POINTS

  • O cenário de incerteza global e o choque nos preços das commodities devem tornar a redução dos juros no Brasil mais lenta do que o previsto, elevando o risco de a Selic encerrar o ano acima dos 13%, afirmou José Roberto Mendonça de Barros.
  • O economista ressaltou que, apesar da instabilidade, o real tem demonstrado resiliência em comparação a outras moedas emergentes.

O cenário de incerteza global e o choque nos preços das commodities devem tornar a redução dos juros no Brasil mais lenta do que o previsto, elevando o risco de a Selic encerrar o ano acima dos 13%, afirmou José Roberto Mendonça de Barros, sócio e fundador da MB Associados, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

José ressaltou que, apesar da instabilidade, o real tem demonstrado resiliência em comparação a outras moedas emergentes: “Ao contrário do que aconteceu na Ásia, o real não está se enfraquecendo frente ao dólar, mantendo-se na faixa de 5,20 a 5,30 (R$ 27,30 a R$ 27,82). A avaliação dos mercados internacionais é que o Brasil é o único país do mundo importante em petróleo e em energia alternativa, funcionando como um porto seguro fora da zona de conflito que pode fazer o ‘delivery’ do que o mundo precisa”, explicou.

A crise energética global, no entanto, traz o fantasma da estagflação para grandes economias, com destaque para os Estados Unidos. Segundo o sócio da MB Associados, “o Banco Central Americano não vai poder sair baixando juros e tem risco, sim, de reduzir o crescimento econômico; em muitos lugares será uma estagflação. Nos EUA, o Pentágono acabou de pedir US$ 200 bilhões (R$ 1,05 trilhão) a mais, o que não é trivial e pressiona um déficit fiscal que já é gigante, forçando um ajuste no mercado financeiro de grande significado antes das eleições”.

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No Brasil, o impacto deve ser sentido na atividade econômica, embora de forma menos severa que no exterior, com projeção de crescimento de 1,8%. “Isso não resolve o problema do crescimento, mas dá um piso razoável nas circunstâncias loucas que vive o mundo. O país se beneficia porque a receita da balança comercial e a arrecadação pública ganham com os preços altos, além de haver um enorme estímulo para os investimentos acelerarem em energia alternativa, como o avanço de projetos de biocombustíveis”, detalhou.

Apesar dos indicadores macroeconômicos controlados, o especialista alertou para o descompasso entre o baixo desemprego e a percepção de bem-estar da sociedade. “A população vai continuar relativamente infeliz porque o endividamento está alto e o juro muito pesado. Temos essa discrepância do desemprego na mínima histórica, mas com a avaliação do governo piorando, pois para quem está endividado, enfrentar essa taxa de juros atual é um desastre que anula a sensação de segurança do emprego”, pontuou.

Por fim, o fundador da MB Associados reiterou que o Brasil está mais preparado que seus pares para enfrentar crises energéticas devido ao histórico de 50 anos investindo em alternativas ao petróleo. “O mundo inteiro vai crescer menos e isso não nos ajuda, mas o Brasil construiu uma resposta a choques que nos coloca em vantagem. Somos o país relevante mais preparado para enfrentar essa ‘onça’ que chegou de repente, o que ajuda a amenizar o efeito do choque na nossa inflação e facilita, por tabela, o trabalho do Banco Central”, concluiu.

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